Prom Nights From Hell

Meg Cabot, Lauren Myracle, Kim Harrison, Michele Jaffe, Stephenie Meyer



TRADUO:

Noites de baile do inferno
Histrias paranormais de baile por cinco autoras extraordinrias:






* Meg Cabot - The Exterminator's Daughter (A Filha do Exterminador) ....... Pg. 3

* Lauren Myracle - The Corsage (O Ramo de Flores) ....................................... Pg. 24

*Kim Harrison - Madison Avery and the Dim Reaper (Madison Avery e o Turvo Anjo da Morte) ...........................................................................................












................... Pg. 42

*Michele Jaffe - Kiss and Tell (Beijar e Contar) ............................................... Pg. 68

*Stephenie Meyer - Hell on Earth (Inferno na Terra) ........................................ Pg. 103





























Meg Cabot - The Exterminator's Daughter
(A Filha do Exterminador)



Mary


A msica est batendo no ritmo do meu batimento cardaco. Eu posso sentir o baixo no meu peito - badoom, badoom.  difcil ver atravs da sala de corpos serpenteando,
em especial com o nevoeiro do gelo seco, e a luz de show piscando vinda do teto industrial do clube, acima.
Mas eu sei que ele est aqui. Eu posso senti-lo.
 por isso que eu estou grata pelos corpos esfregando-se uns contra os outros ao meu redor. Eles esto me mantendo escondida de sua viso - e de seus sentidos. Caso
contrrio, ele j teria me sentido vindo. Eles podem detectar o odor do medo a metros de distncia.
No que eu esteja assustada. Porque eu no estou.
Bem. Talvez um pouco.
Mas eu tenho a minha Excalibur Vixen arco-e-flecha 285 FPS comigo, com uma Easton XX75 de 50 centmetros (a ponta, anteriormente ouro, agora substituda por cinzelado
 mo) j engatilhada e pronta para ser lanada com a menor presso do meu dedo.
Ele nunca vai saber o que o atingiu.
E, espero, nem ela saber.
O importante  obter um alvo certeiro - o que no ser fcil nesta multido - e torn-lo vivel. Eu provavelmente terei apenas uma chance de atirar. Ou eu vou atingir
o alvo... ou ele me atingir.
"Sempre mire para o peito," minha me costumava dizer. " a maior parte do corpo, e o local que voc est menos suscetvel a errar. Claro, voc ter mais probabilidade
de matar do que ferir se voc mirar no peito, em vez de na coxa ou brao... mas por que voc quer ferir, de qualquer jeito? O negcio  elimin-lo".
Que  o que estou aqui pra fazer esta noite. Elimin-lo.
 Lila vai me odiar, naturalmente, se ela descobrir o que realmente aconteceu... e que foi eu quem fez isso.
Mas o que ela espera? Ela no pode pensar que eu vou apenas me sentar preguiosamente e v-la desperdiar sua vida.
 "Conheci esse cara", ela despejou hoje no almoo, enquanto ns estvamos parados na fila para a salada. "Oh meu Deus, Mary, voc no acreditaria em quo lindo ele
. Seu nome  Sebastian. Ele tem os olhos mais azuis que voc j viu."
O que acontece com a Lila que muitas pessoas no entendem  que abaixo daquele - vamos admitir  - exterior piranha, bate o corao de uma verdadeira amiga leal.
Ao contrrio do resto das meninas em Saint Eligius, Lila nunca me esnobou pelo fato de que meu pai no  um diretor executivo ou cirurgio plstico.
E sim, ok, eu tenho que me desligar em cerca de trs-quartos do que ela diz, porque a maioria so coisas de que no tenho nenhum interesse - como o quanto ela pagou
por sua bolsa Prada nas vendas de liquidao de fim-de-estao da Saks, e que tipo de tatuagem vagabunda ela est pensando em comprar na prxima vez que ela estiver
em Cancun.
Mas isto capturado a minha ateno.
"Lila", eu disse. "E o Ted?"
Porque Ted  tudo o que Lila tem falado a um ano, desde que ele finalmente arranjou coragem para cham-la para sair. Bem, eu quero dizer, tudo o que ela falou alm
as vendas Prada e tatuagens nas costas.
"Ah, isso acabou", disse Lila, alcanando o pegador da alface. "Sebastian est me levando pra balada esta noite - na Swig. Ele diz que pode fazer a gente entrar
- ele est na lista VIP".
No era o fato de que esse cara, seja ele quem fosse, alegava estar na lista VIP do mais novo e mais exclusivo clube no centro de Manhattan que causou os cabelos
na parte de trs do meu pescoo subir. No me interpretem mal - Lila  bonita. Se algum vai ser abordado por um aleatrio estranho que acontece de estar na mais
procurada lista VIP da cidade, seria Lila.
Foi a coisa sobre Ted que me afetou. Porque Lila adora Ted. Eles so o tpico casal perfeito de colegial. Ela  linda, ele  um atleta estrela...  uma unio feita
no cu adolescente.
 por isso que o que me dizia no batia.
"Lila, como voc pode dizer que acabou entre voc e Ted?" eu exigi. "Vocs dois esto saindo desde sempre" - ou, pelo menos, desde que eu cheguei a Saint Eligius
Prep em setembro, onde Lila foi a primeira (e, at  data, praticamente a nica) menina em qualquer das minhas classes a realmente falar comigo - "e  o baile de
formatura esse fim-de-semana".
"Eu sei", Lila disse, com um suspiro feliz. "Sebastian vai me levar".
"Seb -"
Foi quando eu soube. Quer dizer, realmente soube.
"Lila", eu disse. "Olhe para mim".
 Lila olhou para baixo pra mim - eu sou pequena. Mas, como minha me costumava dizer, eu sou rpida - e eu vi de uma vez. O que eu deveria ter visto desde o incio,
aquela expresso levemente vidrada - os olhos maantes... os lbios suaves - que eu cheguei a conhecer to bem ao longo dos anos.
Eu no podia acreditar. Ele pegou minha melhor amiga. Minha nica amiga.
Bem. O que eu deveria fazer? Sentar e deixar que ele levasse dela?
No desta vez.
 Voc pode pensar que ver uma garota com um arco-e-flecha na pista de dana do clube novo, mais quente de Manhattan poderia talvez gerar um ou dois comentrios.
Mas  Manhattan, apesar de tudo. Alm disso, todo mundo est se divertindo demais para me notar. At -
Oh Deus.  ele. Eu no posso acreditar que estou finalmente o vendo em carne e osso...
Bem, o seu filho, de qualquer jeito.
Ele  mais bonito do que eu jamais imaginei. Cabelos dourados e olhos azuis, com lbios perfeitos de estrela de cinema e ombros de uma milha de largura. Ele  alto
tambm - embora a maioria dos rapazes so altos - comparados comigo.
Ainda assim, se ele  qualquer coisa como seu pai, bem, ento, eu consigo entender. Eu finalmente entendo.
Eu suponho. Eu ainda no-
Oh Deus. Ele sentiu o meu olhar. Ele est vindo pra c-
 agora ou nunca. Eu levantei meu arco:
Adeus, Sebastian Drake. Adeus pra sempre.
 Mas logo quando eu estava com o tringulo branco brilhante da frente da sua camisa na minha mira, algo inacreditvel acontece: uma brilhante florescncia de vermelho
cereja aparece exatamente aonde eu vinha mirando.
Exceto que eu no puxei o gatilho.
E o dele meio que no sangra.
"O que  isso, Sebastian?" Lila dana at ele para perguntar.
"Droga! Algum" - e eu vejo Sebastian levantar seu olhar abalado, azul como o cu da mancha escarlate em sua camisa para a face de Lila - "atirou em mim".
 verdade. Algum atirou nele.
S que no fui eu.
E isso no  tudo que no faz sentido. Ele est sangrando.
Exceto que isso no  possvel.
No sabendo o que mais fazer, eu me abaixei atrs de um pilar prximo, pressionando o Vixen ao meu peito. Preciso reorganizar, descobrir o meu prximo passo. Porque
nada disso pode realmente estar acontecendo. Eu no poderia ter errado sobre ele. Eu fiz a pesquisa. Tudo faz sentido... o fato de que ele est aqui em Manhattan...
o fato de ele ter ido atrs da minha melhor amiga, dentre todas as pessoas... a expresso vidrada de Lila... tudo.
Tudo, exceto o que acabou de acontecer.
E eu tinha apenas ficado l, encarando. Eu tinha tido uma mira perfeita, e eu estraguei.
Ou eu no tinha? Se ele est sangrando, ento isso apenas significa que ele  humano. No  mesmo? Exceto, se ele  humano, e ele acaba de levar um tiro no peito,
por que ele ainda est em p?
Oh Deus.
O pior de tudo  que... ele me viu. Estou quase certa ter sentido aquele olhar desprezvel passar sobre mim. O que ele vai fazer agora? Ele vai vir atrs de mim?
Se ele vir,  tudo minha prpria culpa. Minha me nunca me disse para fazer isso. Ela sempre disse um caador nunca sai sozinho. Por que eu no ouvi? O que eu estava
pensando?
Esse  o problema,  claro. Eu no tinha pensado de nenhuma  maneira. Eu deixei minhas emoes obter o melhor de mim. Eu no poderia deixar que o que aconteceu com
minha me  acontea a Lila.
E agora vou pagar por isso.
Assim como minha me.
 Encolhendo em agonia, eu tento no imaginar o que meu pai vai fazer quando a polcia da cidade de Nova Iorque tocar nossa campainha as quatro da manh e pedir para
ele ir ao necrotrio para identificar o corpo de sua nica filha. Minha garganta ser aberta, e quem sabe que outras atrocidades ser feita com meu corpo quebrado.
Tudo porque eu no fiquei em casa esta noite pra fazer meu trabalho para a classe do quarto perodo, Histria dos Estados Unidos da Srta. Gregory (tema: o movimento
de temperana no perodo antes da Guerra Civil Americana, duas mil palavras, a dois espaos, ser entregue na segunda-feira), como eu deveria.
A msica muda. Ouo Lila berrar, "Onde voc est indo?"
Oh Deus. Ele est vindo.
E ele quer que eu saiba que ele est vindo. Ele est jogando comigo agora... assim como seu pai jogou com minha me, antes de ele... bem, fazer o que ele fez com
ela.
Ento eu ouvi um som estranho - uma espcie de som de gua - seguido de um outro "Droga"!
O que est acontecendo?
"Sebastian". A voz de Lila soou confusa. "Algum est disparando ketchup em voc!"
O qu? Ela acabou de dizer... ketchup?
 E ento, enquanto eu cuidadosamente me virava pra olhar alm do pilar pra ver do que Lila estava falando, eu vejo ele.
No Sebastian. Seu atirador.
E eu quase no acredito nos meus olhos.
O que ele t fazendo aqui?

Adam


 tudo culpa do Ted. Ele foi quem disse que a gente devia os seguir no encontro deles.
Eu falei, "Por qu?"
"Porque o cara  problema, man", disse Ted.
Exceto que no h como Ted ter sabido disso. Drake tinha basicamente aparecido do nada, fora do prdio do apartamento de Lila na Park Avenue apenas na noite anterior.
Ted nunca tinha sequer conhecido ele. Como ele poderia saber alguma coisa sobre o rapaz? Qualquer coisa?
Mas quando eu mencionei isso, Ted disse, "Cara, voc olhou para ele?"
 Tenho que admitir, o T Man tem razo. Quer dizer, o rapaz parece que saiu direto de um catlogo Abercrombie & Fitch ou algo. Voc no pode confiar em um rapaz que
 assim, bem, perfeito.
Ainda assim, eu no sou f de seguir outros caras por a. No  legal. Mesmo que, como Ted disse, era apenas para certificar-se de que Lila no iria entrar em apuros.
Sei que Lila  a dama de Ted - ex-dama agora, graas a Drake.
E okay, que ela nunca foi a o mais brilhante garfo da gaveta.
 Mas segui-la nesse encontro com o cara que ela t ficando? Isso s parecia ser uma grande perda de tempo do que - bem, aquele trabalho de duas mil palavras, a dois
espaos, que eu tenho at segunda-feira pra entregar na aula da Srta. Gregory de Histria dos Estados Unidos.
Ento Ted tinha que ir e sugerir que eu trouxesse a Beretta 9mm.
A coisa , apesar de ser apenas uma pistola de gua,  armas de brinquedo parecem to reais quanto as que so ilegais em Manhattan.
Portanto, eu realmente no tinha tido uma oportunidade de usar muito a minha. O que, Ted sabe.
E  provavelmente por isso que ele continuou sobre como seria super engraado se ns encharcssemos o rapaz. Porque ele sabia que eu no seria capaz de resistir.
O ketchup foi idia minha.
E, sim,  bem juvenil.
Mas o que mais eu vou fazer numa sexta  noite? Isso  melhor que um trabalho de Histria dos Estados Unidos.
De qualquer maneira, eu disse a T Man que eu achava que estava de acordo com o seu plano. Contanto que eu fosse o nico que desse o tiro. O que estava bom para Ted.
"Eu s preciso saber, cara," ele disse, balanando sua cabea.
"Saber o qu?"
"O que este cara Sebastian tem", disse ele, "que eu no tenho."
Eu poderia ter lhe dito,  claro. Quer dizer,  bastante bvio para qualquer um que olha para Drake o que  que ele tem que Ted no tem. Ted  um rapaz com aparncia
decente e tudo, mas ele no  material pra Abercrombie.
Ainda assim, eu no disse nada. Porque o T Man estava realmente machucado por causa dele. E eu poderia meio que entender o porqu. Lila  apenas uma daquelas meninas,
sabe? Toda de olhos grandes e castanhos e grandes, bem, outras partes, tambm.
 Mas no falo nisso, por causa da minha irm, Veronica, que diz que eu preciso parar de pensar das mulheres como objetos sexuais e comear a pensar nelas como futuras
parceiras na inevitvel luta para sobreviver aps o desastre apocalptico da America (no qual Veronica est escrevendo sua tese do terceiro ano, porque ela sente
que o apocalipse vai ocorrer em algum momento da prxima dcada, devido ao estado atual do pas de fanatismo religioso e imprudncia ambiental, ambos os quais estavam
presentes na queda de Roma e vrias outras sociedades que no existem mais).
Ento, foi assim que eu e o T Man acabamos no Swig - felizmente, o tio de Ted Vinnie  o seu distribuidor de bebidas, que  como ns entramos, e sem ter que passar
pelo detector de metais, como todos os outros - atirar ketchup em Sebastian Drake com a minha pistola de gua Beretta 9mm. Eu sei que deveria estar em casa fazendo
aquele trabalho para a Srta. Gregory, mas um cara tem o direito de se divertir um pouco, certo?
E foi divertido ver essas manchas vermelhas surgir sobre todo o peito do rapaz. O T Man estava na verdade rindo pela primeira vez desde que Lila que lhe enviou aquela
mensagem de texto durante o almoo, dizendo-lhe que ele estava sozinho pro baile de formatura, porque ela estava indo com Drake.
 Tudo estava indo bem ... At que eu vi Drake olhando quele pilar de um lado da pista de dana. O que no fazia nenhum sentido. Voc teria pensado que ele estaria
olhando pra ns, na nossa cabine VIP (graas, ao Tio Vinnie), considerando que foi dessa direo que o ataque do ketchup estava vindo.
Foi quando eu observei que havia algum escondido por trs dele. O pilar, quero dizer.
No apenas qualquer algum, tambm, mas Mary, aquela nova menina da minha classe de Histria dos Estados Unidos, a nica que nunca conversa com ningum exceto com
Lila.
E ela estava segurando um arco-e-flecha.
Um arco-e-flecha.
 Como ela conseguiu passar com um arco-e-fleca atravs do detector de metais? De jeito nenhum ela conhece o tio de Ted, Vinnie.
No que isso importe. Tudo o que importa  que Drake est olhando pro pilar que Mary est encolhida atrs como se ele pudesse ver diretamente atravs dele. H algo
sobre a maneira como ele est olhando pra ela que me faz... bem, tudo o que sei  que no  onde eu quero que aquele cara olhe.
"Idiota," eu resmunguei. Principalmente por causa de Drake. Mas tambm por mim, um pouco. E ento eu mirei e disparei mais uma vez.
"Oh, bam", Ted grita feliz. "Voc viu isso? Bem na bunda!"
Aquilo consegue a ateno de Drake, direitinho. Ele gira...
..e de repente, entendo o que eles dizem sobre olhos flamejante. Voc sabe, nos livros de Stephen King, ou no que seja? Eu nunca pensei que eu realmente fosse ver
um par.
Mas isso  exatamente como o olhar de Drake , como ele encara a gente. Olhos que so mais definitivamente em chamas.
Vem, me encontro pensando na direo de Drake. Isso mesmo. Venha aqui, Drake. Voc quer brigar? Eu tenho muito mais do que ketchup, cara.
O que no  exatamente verdade. Mas no fim no importa, porque Drake no vem de qualquer maneira.
Ao invs disso, ele desaparece.
Eu no quero dizer que ele d meia volta e deixa o clube.
Quero dizer que em um minuto ele est l de p, e no outro ele... bem, ele simplesmente desaparece. Por um segundo o nevoeiro do gelo seco parece ter ficado mais
espesso - e quando limpa, Lila est danando sozinha.
"Aqui", eu digo, empurrando a Beretta na mo do Ted.
"O que -" Ted varre a pista de dana. "Onde ele foi?"
Mas eu j tinha sado.
"Pegue Lila," eu gritei de volta pra Ted. "E me encontre l na frente".
 Ted proferiu alguns bem escolhidos palavres depois disso, mas ningum nem percebeu. A msica est muito alta, e todos esto se divertindo demais. Quer dizer, se
eles no nos viram atirando com uma pistola de gua carregada com ketchup em um cara - ou alguns segundos depois, aquele cara literalmente desaparecendo no ar -
 pouco provvel que eles percebam Ted gritando a palavra comeando com F.
Eu cheguei ao pilar e olhei pra baixo.
Ela est l, ofegando como se ela estivesse acabado de correr uma maratona ou algo do tipo. Ela est agarrando o arco e flecha ao seu peito como um lenol de segurana
de uma criana. Seu rosto  to branco como caderno papel.
"Ei", eu digo a ela, suavemente. Eu no quero assust-la.
Mas eu assusto mesmo assim. Ela praticamente salta fora da sua pele ao som da minha voz e vira olhos grandes e assustados para mim.
"Ei, calma", eu disse. "Ele j foi. Ok?"
"Ele j foi?" Seus olhos - verdes como o Great Lawn (grama) no Central Park, em maio - me encararam. E no h como escapar o terror neles. "Como-o qu?"
"Ele simplesmente desapareceu", digo encolhendo os ombros. "Eu o vi olhando para voc. Ento atirei nele".
"Voc o qu?"
Vejo que o terror tem desaparecido to subitamente quanto Drake desapareceu. Mas ao contrrio do Drake, h uma coisa em seu lugar: raiva. Mary est irada.
"Oh meu Deus, Adam", ela diz. "Voc enlouqueceu? Voc tem ao menos alguma idia de quem  esse rapaz?".
"," eu digo. A verdade , Mary  bem bonitinha quando ela est com raiva. Eu no posso acreditar que eu nunca tenha notado antes. Bem, eu suponho que eu nunca a
vi ficar com raiva. No h muito coisa com o que se esquentar na classe da Sra. Gregory. "O novo homem de Lila. Aquele cara  um perdedor. Voc viu as calas deles?"
Mary apenas balana sua cabea.
"O que voc est fazendo aqui?" ela me pergunta numa voz ligeiramente abalada.
"A mesma coisa que voc, aparentemente," eu digo, olhando o arco e flecha. "S que voc tem bem mais poder de fogo. Onde voc arranjou isso? Isso pelo menos  legal
em Manhattan?"
"Voc  um exemplo pra falar", ela diz, se referindo  Beretta.
Eu levantei as duas mos em uma espcie de eu-me-rendo. "Ei, era s ketchup. Mas isso definitivamente no  uma ventosa que eu vejo no fim dessa coisa. Voc poderia
fazer algum grande dano-"
"Essa  a idia", diz Mary.
E h tanta hostilidade - minha me vive encorajando Veronica e eu para usar a linguagem descritiva para nos expressar - na sua voz, que eu sei. Eu apenas sei.
Drake  seu ex.
Tenho que admitir, me sinto meio esquisito quando eu percebo isso. Quero dizer, eu gosto de Mary. Voc pode perceber que ela  bastante inteligente - ela sempre
tem feito a leitura quando a Sra. Gregory a chama - e a verdade , o fato de ela andar com Lila, burrinha como ela , prova pelo menos que ela no  uma esnobe,
uma vez que a maioria das garotas em Saint Eligius no d a Lila a hora do dia... desde aquela foto do celular que circulou ao redor da escola do que ela e Ted estavam
fazendo exatamente no banheiro naquela festa do loft no Centro.
No que haja nada de errado com o que eles estavam fazendo, se voc me perguntar.
Mesmo assim. Estou meio decepcionado. Eu pensaria que uma menina como Mary teria melhor gosto do que sair com um rapaz como Sebastian Drake.
Que eu suponho vem a provar que o que Veronica sempre diz sobre mim est certo: O que eu no sei sobre garotas poderia encher o East River[1].
[1] Rio em Nova Iorque que conecta a parte Superior da Baa de Nova Iorque em sua extremidade sul at Long Island Sound (esturio do Oceano Atlntico e outros rios
na costa de Connecticut, Long Island e Nova Iorque) na sua extremidade norte. Separa Long Island (incluindo os municpios de Queens e Brooklyn), da ilha de Manhattan
e o Bronx.


Mary


Eu no posso acreditar nisso. Quer dizer, que eu esteja em p no beco ao lado do Swig, conversando com Adam Blum, que se senta atrs de mim na classe de Histria
dos Estados Unidos do quarto perodo da Sra. Gregory. Sem mencionar Teddy Hancock, o melhor amigo de Adam.
E o ex de Lila.
Quem Lila atualmente est firmemente ignorando.
Eu tirei a ponta da flecha com cinzas do estoque e deslizei-a de volta para a minha bolsa. No haver, eu sei agora, nenhuma exterminao essa noite.
Embora eu ache que deveria estar agradecida que eu no fui a pessoa que apanhou. Se no fosse Adam... bem, eu no estaria emp aqui agora, tentando explicar a ele
algo que ... bem, francamente inexplicvel.
" srio, Mary". Adam est me observando com olhos nebulosos castanhos.  engraado que eu nunca observei como ele  bonito antes. Oh, ele no  nenhum Sebastian
Drake. O cabelo de Adam  to escuro quanto o meu e suas ris so escuras como xarope, no azuis como o mar.
Mas ficam muito bem nele com o seu ombro largo, fsico de nadador - ele conduziu Saint Eligius Prep para a final regional no nado-borboleta dois anos seguidos -
e uma estrutura de 1,82m (to alto que eu praticamente tive que esticar meu pescoo pra ver seu rosto, minha prpria altura sendo um triste desapontamento - para
mim, pelo menos - 1,52m). Ele  mais que um estudante mediano e popular, tambm, se levar em conta todas as calouras que desmaiam toda vez que ele passa por elas
no corredor (no que ele note).
Mas no h nada de desatento no jeito que ele est me encarando agora.
"Qual  a parada?" ele quer saber, uma de suas grossas sobrancelhas escuras levantou com suspeita enquanto ele me olhava. "Eu sei porque Ted odeia Drake. Ele roubou
a garota dele. Qual o seu problema com ele?"
" pessoal," eu digo para ele. Deus, isso no  nada professional. Mame vai me matar quando ela descobrir.
Se ela descobrir.
Pelo outro lado...bem, Adam provavelmente salvou a minha vida. Mesmo que ele no saiba disso. Drake teria me estripado - bem na frente de todo mundo - sem pensar
duas vezes nisso.
Eu estava devendo uma pro Adam. Uma enorme.
Mas eu no vou deixa-lo saber disso.
"Como voc chegou aqui?" Adam quer saber. "Nem me diga que voc passou pelo detector de metais com essa coisa."
" claro que eu no passei," eu digo. Fala srio, garotos so to bobos as vezes. "Eu entrei pela clarabia."
"No teto?"
" aonde eles geralmente deixam as clarabias," eu ressaltei  ele.
"Voc  to imaturo," Lila est dizendo  Ted. A voz dela  suave e baixa, mesmo que o que ela esteja dizendo no seja. Mas ela no pode evitar. Ela foi enfeitiada
pelo Drake. "O que  que voc estava esperando conseguir?"
"Voc mal conhece esse cara h um dia, Lila." Ted tem as mos enfiadas em seus bolsos. Ele parece envergonhado de si mesmo...mas rebelde ao mesmo tempo. "Quer dizer,
eu podia ter te trazido ao Swig se era aqui que voc queria vir. Por que voc no me disse? Voc sabe sobre o meu tio Vinnie."
"No  sobre em que clubes Sebastian pode me deixar entrar, Ted," Lila est dizendo. " sobre...bem, simplesmente ele. Ele ...perfeito."
Eu tive que engolir com fora para deixar o vmito que tinha subido pela minha garganta l embaixo.
"Ningum  perfeito, Li," Ted diz, antes de eu ter a chance de dizer.
"Sebastian ," Lila entusiasma, seus olhos escuros brilhando na luz do nico bulbo que ilumina a porta de sada de emergncia do clube. "Ele  to bonito...e inteligente...e
cosmopolita...e gentil -"
"J chega. Eu j escutei mais do que posso aguentar."
"Lila," eu estalei. "Cala a boca. Ted est certo. Voc nem conhece o cara. Porque se conhecesse, voc nunca o chamaria de gentil."
"Mas ele ," Lila insiste, o brilho nos olhos dela desbotando para uma incandescncia ingnua. "Voc nem sabe-"
Um segundo mais tarde - eu nem tenho certeza de como aconteceu - eu a tenha pelos ombros, e eu estou sacudindo ela. Ela  quinze centmetros mais alta do que eu
e pesa uns bons 18 quilos a mais do eu.
Mas isso no importa. Naquele momento, tudo que eu queria fazer era colocar um pouco de inteligncia na cabea dela.
"Ele te contou, no foi?" Eu me ouo berrar pra ela, roucamente. "Ele te contou o que ele . Oh, Lila. Sua idiota. Sua garota estpida, estpida."
"Opa." Adam est tentando arrancar as minhas mos dos ombros nus de Lila. "Ei, ora. Vamos todos nos acalmar -"
Mas Lila se solta sozinha do meu agarro e d voltas ao nosso redor com uma expresso triunfante.
"Sim," ela grita com aquela pulsao exultante na sua voz que eu reconheo muito bem. "Ele me contou. E ele me alertou de pessoas como voc, Mary. Pessoas que no
entendem - no podem entender - que ele vem de uma linhagem to antiga e nobre quanto qualquer rei -"
"Oh meu Deus." Eu estou me coando para dar um tapa nela. A nica razo para eu no dar  porque Adam estende a mo e me agarra pelo brao - quase como se ele tivesse
lido minha mente. "Lila. Voc sabia? E voc saiu com ele mesmo assim?"
" claro que eu sai," Lila diz com uma fungada. "Diferente de voc, Mary, eu tenho uma mente aberta. Eu no sou preconceituosa contra a espcie dele, do jeito que
voc  -"
"A espcie dele? A espcie dele?" Se no fosse pelo Adam me segurando - e murmurando, Ei, no esquenta - eu teria me atirado contra ela e tentaria bater bom senso
na cabea inspida loira dela. "E por um acaso ele mencionou como a espcie dele sobrevive? O que eles comem - ou devo dizer bebem - para viver?"
Lila parece desdenhosa. "Sim," ela diz. "Ele mencionou. E eu acho que voc est fazendo muito caso disso. Ele s bebe sangue que ele compra da central de plasma.
Ele no mata -"
"Oh, Lila!" Eu no posso acreditar no que estou escutando. Bem, quer dizer, eu posso, considerando que  a Lila. Ainda assim, eu teria pensando que nem mesmo ela
seria ingnua o bastante para cair nessa. "Isso  o que todos dizem. Eles tm passado essa cantadas nas garotas por sculos. Eu no mato humanos.  besteira total."
"Espera a." O aperto do Adam no meu brao ficou um tanto mais solto. Infelizmente, agora que eu tenho a liberdade para faze-lo, eu no tenho mais vontade de bater
na Lila. Eu estou com muito nojo. "O que est acontecendo aqui?" Adam quer saber. "Quem bebe sangue? Voc est falando do - Drake?"
"Sim, Drake," eu digo sucintamente.
Adam me encara com descrena, enquanto ao lado dele, seu amigo Ted assobia.
"Cara," Ted diz. "Eu sabia que tinha algo que eu no gostava naquele cara."
"Parem!" Lila grita. "Todos vocs! Ouam-se! Vocs tem alguma idia do quo intolerante vocs soam? Sim, Sebastian  um vampiro - mas isso no significa que ele
no tenha o direito de existir!"
"Uh," eu digo. "Considerando que ele  uma abominao ambulante para a espcie humana e tem se alimentado de garotas inocentes como voc por sculos, na verdade,
ele no tem o direito de existir."
"Espera um minuto." Adam ainda est parecendo descrente. "Um vampiro? Vamos l. Isso  impossvel. No existem vampiros."
"Oh!" Lila gira em direo a ele e bate um p. "Voc  ainda pior do que eles!"
"Lila," eu digo, ignorando Adam. "Voc no pode ve-lo novamente."
"Ele no fez nada de errado," Lila insiste. "Ele nem me mordeu - mesmo eu tendo pedido pra ele morder. Ele diz que  porque ele me ama demais."
"Oh meu Deus," eu digo com nojo. " outra cantada que ele passou em voc, Lila. Voc no ve? Todos eles dizem isso. E ele no te ama. Ou pelo menos, ele no te ama
mais do que um carrapato ama o cachorro do qual est se alimentando."
"Eu te amo," Ted diz, a voz dele rachando na palavra eu. "E voc me largou por um vampiro?"
"Voc no entende." Lila atira pra trs seu longo cabelo loiro. "Ele no  um carrapato, Mary. Sebastian me ama demais para me morder. Mas eu sei que posso faze-lo
mudar de idia. Porque ele quer ficar comigo pra sempre, tanto quanto eu quero ficar com ele pra sempre. Eu sei disso. E depois de amanh a noite, ns ficaremos
juntos pra sempre."
"O que tem amanh a noite?" Adam quer saber.
"O baile," eu digo rudemente.
"Certo," Lila tagarela. "Sebastian vai me levar. E apesar dele ainda no saber, ele vai se sucumbir  mim l. S uma mordida e eu terei vida eterna. Vamos l, pessoal,
isso  legal ou o qu? Vocs no iriam querer viver pra sempre? Quer dizer, se vocs pudessem?"
"No desse jeito," eu digo. Alguma coisa dentro de mim di. Di pela Lila, e di por todas as garotas antes dela. E pelas que vierem depois, tambm, se eu no fizer
alguma coisa quanto a isso.
"Ele vai te encontrar no baile?" Eu me forcei a perguntar  ela.  difcil falar, porque tudo que eu quero fazer  chorar.
"Certo," Lila diz. O rosto dela ainda tem a mesma expresso vaga que tinha no clube, bem como hoje mais cedo no refeitrio. "Ele no vai ser capaz de resistir a
mim - no no meu vestido Roberto Cavalli, com meu pescoo todo exposto debaixo da luz prateada da lua cheia..."
"Eu acho que vou vomitar," Ted se voluntaria.
"No, voc no vai," Eu digo. "Voc vai levar Lila pra casa. Aqui." Eu alcano a minha mochila e tiro um crucifixo e dois recipientes de gua benta, e ento entrego
 ele. "Se Drake aparecer - apesar de eu no achar que ele v - jogue isso nele. Ento v pra casa, depois de ter deixado Lila."
Ted olha pra baixo para o que eu tinha empurrado nas mos dele. "Espera.  isso?" ele quer saber. "Ns vamos deixa-lo matar ela?"
"No matar," Lila o corrige alegremente. "Me transformar. Em uma da espcie dele."
"Ns no vamos fazer nada," eu digo. "Vocs meninos vo ir pra casa e deixar isso comigo. Eu tenho tudo sobre controle. S tenham certeza de que ela chegue em casa
a salvo. Ela deve ficar bem at o baile. Espritos malignos no podem entrar em uma casa habitada a no ser que sejam convidados!" Eu estreito meus olhos para Lila.
"Voc no convidou ele, convidou?"
"Que seja," Lila diz, agitando sua cabea. "Como se o meu pai no fosse ficar furioso se encontrasse um cara no meu quarto."
"Viu? Vai pra casa. Voc tambm" eu adicionei, para Adam.
Ted pega Lila pelo brao e comea a guia-la para longe.
Mas Adam, para minha surpresa, fica aonde est, suas mos enterradas profundamente em seus bolsos.
"Hm," eu digo pra ele. "Tem algo que eu possa fazer por voc?"
"Sim," Adam diz calmamente. "Voc pode comear pelo comeo. Eu quero saber tudo. Porque se o que voc est me dizendo  verdade, se no fosse por mim, voc seria
uma mancha na parede do clube ali. Ento comea a falar."

Adam


Se voc tivesse me dito h uma ou duas horas que eu estaria encerrando a minha noite com uma viagem para o apartamento de cobertura da Mary-da-aula-de-Histria-dos-Estados-Unidos
que fica em uma das ruas Setenta do lado Leste...bem, eu teria te dito que voc estava chapado.
Mas  exatamente l aonde eu me encontro, seguindos Mary passar por seu porteiro sonolento (que no levanta nem mesmo uma sobrancelha para o arco e flecha dela),
e ento subir no elevador at a casa dela, que  decorada no estilo Vitoriano chique do meio do sculo dezenove - pelo menos o quanto eu posso julgar, considerando
que todas as moblias parecem que saram de uma dessas minissries entediantes que a minha me gosta de assistir na PBS, estrelando garotas chamadas Violet ou Hortense
ou que seja.
H livros em todo lugar - e no so brochuras do Dan Brown, tampouco, mas livros grandes, pesados, com ttulos como Demoniologia na Grcia do sculo Dezessete e
Um Guia Para a Necromancia. Eu olho ao redor, mas eu no vejo uma tela de plasma ou uma LCD. Nem mesmo uma TV comum.
"Seus pais so professores ou algo do tipo?" Eu pergunto a Mary enquanto ela abaixa o arco e flecha e se dirige  cozinha, aonde ela abre a geladeira e alcana duas
Cocas, uma das quais ela me passa.
"Algo assim," Mary diz.  assim que ela tem estado o tempo todo at a casa dela: no exatamente transbordando de explicaes.
Mas no que isso importe, j que eu j disse  ela que eu no vou embora sem conseguir a histria toda. O negcio  que, eu no sei mesmo o que pensar sobre tudo
isso ainda. Por um lado, eu estou aliviado do Drake no ser quem eu pensei que ele era - o ex-namorado da Mary. Pelo outro lado...um vampiro?
"Vamos," Mary diz, e eu a sigo porque...bem, o que mais eu deveria fazer? Eu no sei o que eu estou fazendo aqui. Eu no acredito em vampiros. Eu acho que a Lila
s se envolveu com um desses caras gticos estranhos que eu vi em Law & Order naquela vez.
Apesar da pergunta da Mary - "Ento como explica o desaparecimento dele da pista de dana para lugar nenhum daquele jeito?" - me incomodar. Como o cara fez isso?
Mas tambm, h montes de perguntas como essa para as quais eu no tenho a resposta. Como essa nova que me ocorreu: Como eu posso fazer Mary olhar pra mim do jeito
que a Lila olha pra aquele cara, Drake?
A vida  cheia de mistrios, como o meu pai gosta de dizer, muitos dos quais esto tambm embrulhados em enigmas.
Mary me leva para um corredor escuro em direo a uma porta parcialmente aberta, da qual luzes transbordavam. Ela bate na porta, ento diz, "Pai? Podemos entrar?"
Uma voz rouca diz, "Sem dvida."
E eu sigo Mary pela sala mais estranha que eu j vi. Pelo menos em um apartamento de cobertura no Upper East Side.
 um laboratrio. H tubos de teste e bquers e ampolas por todo o lugar. Na frente deles est um alto professor-de-cabelos-brancos em um robe, mexendo em uma mistura
em um recipiente claro que  de um verde brilhante e est vigorasamente gerando grandes quantidades de fumaa. O cara velho olha pra cima e sorri enquanto Mary entra
na sala, seus olhos verdes - muito parecidos com os da Mary - movendo-se na minha direo com curiosidade.
"Bem, ol," o cara diz. "Eu vejo que voc trouxe um amigo pra casa. Eu estou to feliz. Eu tenho pensado ultimamente que voc passa muito tempo sozinha, mocinha."
"Pai, esse  o Adam," Mary diz casualmente. "Ele senta atrs de mim em Histria dos Estados Unidos. Ns vamos ao meu quarto fazer lio de casa."
"Que bom," O pai da Mary diz. No parece ocorrer  ele que a ltima coisa que um cara da minha idade vai fazer no quarto de uma garota as duas da manh  lio de
casa. "No estudem demais, crianas."
"No vamos," Mary diz. "Vamos, Adam."
"Boa noite, senhor," Eu digo pro pai da Mary, que sorri para mim antes de se voltar para o seu bquer fumegante.
"Est bem," Eu digo pra Mary enquanto ela me encaminha pelo corredor novamente, dessa vez pro quarto dela...que  surpreendentemente utilitrio para um quarto de
garota, contendo apenas uma cama grande, uma penteadeira, e uma mesa. Diferente do quarto da Veronica, tudo  colocado de lado, exceto por um laptop e um MP3 player.
Eu dou uma olhada rpida na playlist da Mary enquanto ela est ocupada assaltando o closet por alguma coisa. A maioria rock, algumas R&B, e um pouco de rap. Mas
nada de emo. Graas a Deus. "O que est acontecendo? O que o seu pai est fazendo com todas aquelas coisas?'
"Achando uma cura," Mary diz do closet, a voz dela abafada.
Eu me movi pelo tapete Persa ornado em direo a cama dela. H uma foto emoldurada na mesa de cabeceira dela.  de uma mulher bonita, estreitando os olhos para a
luz do Sol e sorrindo. A me da Mary. Eu no sei como eu sei disso. Eu s sei.
"Uma cura para o qu?" Eu pergunto, pegando a foto para olhar de perto. Sim, ali esto eles. Os lbios da Mary. Os quais, eu no pude deixar de notar, so meio curvados
nas pontas. Mesmo quando ela est brava.
"Vampirismo," Mary diz. Ela surge de seu closet segurando um longo vestido vermelho. Est embrulhado em um plstico transparente da tinturaria.
"Uh," Eu digo. "Odeio ser eu a te contar isso, Mary. Mas vampiros no existem. Ou vampirismo. Ou o que quer que isso seja."
"Ah ?" As pontas da boca da Mary esto ainda mais curvadas do que normalmente.
"Vampiros foram inventados por aquele cara." Ela est rindo de mim. Mas eu no me importo, porque  a Mary.  melhor do que ela me ignorando, que  o que ela tem
feito na maior parte do tempo que eu a conheo. "Aquele cara que escreveu Drcula. Certo?"
"Bram Stoker no inventou vampiros," Mary diz, o sorriso desaparecendo. "Ele nem ao menos inventou o Drcula. Que  uma figura histrica real, a propsito."
", mas um cara que bebe sangue e pode se transformar em um morcego? Por favor."
"Vampiros existem, Adam," Mary diz quietamente. Eu gosto como ela diz o meu nome. Eu gosto tanto que eu nem noto no comeo que ela est encarando a foto que eu estou
segurando. "E suas vtimas tambm."
Eu segui a direo do olhar dela. E quase derrubei a foto.
"Mary," eu disse. Porque  tudo que eu consigo pensar em dizer. "Sua...sua me? Ela est...ela..."
"Ela ainda est viva," Mary diz, se virando para jogar o vestido vermelho, em sua sacola plstica transparente escorregadia, na cama. "Se voc pode chamar isso de
vida," ela adiciona, quase para si mesma.
"Mary..." Eu digo em um tom de voz diferente. Eu no posso acreditar nisso.
E ainda assim eu acredito. Tem algo no rosto dela que deixa claro que ela no est mentindo. Tambm algo que me faz querer embala-la em meus braos. O que Veronica
diria que  sexista. Mas isso est certo.
Eu larguei do lbio que eu estava comeando a mastigar. " por isso que o seu pai -"
"Ele nem sempre foi assim," ela diz, no olhando pra mim. "Ele costumava ser diferente, quando mame estava aqui. Ele...ele acha que pode descobrir uma cura qumica
para isso." Ela afunda na cama ao lado do vestido. "Ele no quer acreditar que s h uma maneira de traze-la de volta. E essa maneira  matando o vampiro que a transformou
em um."
"Drake," Eu digo, afundando na cama do lado dela. Tudo isso faz sentido agora. Eu acho.
"No," Mary diz com um rpido agito de cabea. "O pai dele. Que ficou com o sobrenome original da familia, Drcula. O filho dele s acha que Drake soa um pouco menos
pretensioso e mais moderno."
"Ento...por que voc estava tentando matar o filho do Drcula, se o pai dele  quem..." Eu nem consigo me forar a falar isso. Felizmente, eu no preciso.
Os ombros da Mary esto curvados. "Se matar seu nico filho no fizer Drcula sair do esconderijo para que eu possa mata-lo tambm, eu no sei o que far."
"Isso no vai ser, uh...meio perigoso?" Eu pergunto. Eu no posso acreditar que eu estou sentado aqui falando sobre isso. Mas eu tambm no posso acreditar que eu
estou no quarto da Mary-de-Histria-dos-Estados-Unidos. "Quer dizer, o Drcula no , tipo, o crebro de toda a operao?"
"Sim," Mary diz, olhando pra baixo para a foto que eu coloquei entre ns dois. "E quando ele se for, mame vai finalmente ser livre."
E o pai da Mary no vai mais precisar se preocupar em achar uma cura pro vampirismo, eu penso, mas no digo alto.
"Por que o Drake no, uh, tranformou a Lila hoje?" Eu pergunto. Porque isso estava me incomodando. Dentre outras coisas. "Quero dizer, l no clube?"
"Porque ele gosta de brincar com a comida dele," Mary diz sem emoo. "Bem como o pai dele."
Eu estremeo. Eu no posso evitar. Mesmo ela no sendo exatamente o meu tipo, no  agradvel pensar na Lila como o lanche da meia-noite de algum vampiro.
"Voc no est preocupada," Eu pergunto, torcendo para mudar um pouco de assunto, "que a Lila v contar ao Drake para no aparecer no baile j que ns estaremos
l esperando?"
Eu digo ns e no voc porque de jeito nenhum eu vou deixar a Mary ir atrs desse cara sozinha. O que eu sei que a Veronica iria achar sexista, tambm.
Mas a Veronica nunca viu a Mary sorrir.
"Voc est brincando?" Mary pergunta. Ela parece no notar o ns."Eu estou contando que ela conte  ele. Desse jeito ele vai aparecer com certeza."
Eu a encaro. "Por que ele faria isso?"
"Porque matar a filha do exterminador vai totalmente aumentar a credibilidade de cripta dele."
Agora eu estou pestanejando para ela. "Credibilidade de cripta?"
"Voc sabe," Ela diz, jogando o rabo de cavalo dela. " como credibilidade de rua. S que entre os mortos-vivos."
"Oh." Estranhamente, isso faz sentido. O tanto quanto qualquer outra coisa que eu ouvi essa noite. "Eles chama o seu pai de o, hm, 'exterminador'?" Eu estou tendo
dificuldade de imaginar o pai da Mary utilizando com destreza um arco e flecha do jeito que ela utiliza.
"No," ela diz, o sorriso desaparecendo. "Minha me. Pelo menos...ela costumava ser. No s vampiros, tampouco, mas entidades malignas de todo o tipo - demnios,
lobisomens, poltergeists, fantasmas, bruxos maus, gnios, stiros, loki, shedus, vetelas, tits, leprechauns -"
"Leprechauns?" eu reverbero em descrena.
Mas a Mary simplismente d de ombros. "Se era maligno, mame matava. Ela simplesmente tinha um dom para isso...Um dom," Mary adiciona suavemente, "Que eu realmente
espero ter herdado."
Eu s fico sentado l por um minuto. Eu tenho que admitir que estou um pouco impressionado por tudo que aconteceu nas ltimas duas horas. Arcos e flechas e vampiros
e exterminadores? E o que na terra  uma vetela? Eu nem tenho certeza se quero saber. No. Espera. Eu sei que eu no quero saber. Tem um barulho de zumbido dentro
da minha cabea que no para.
O estranho  que, eu meio que gosto dele.
"Ento," Mary diz, levantando seu olhar para encontrar o meu. "Voc acredita em mim agora?"
"Eu acredito em voc," Eu digo. O que eu no posso acreditar, na verdade,  que eu acredito. Acredito nela, quero dizer.
"Bom," ela diz. "Provavelmente seria melhor se voc no contasse pra ningum. Agora, se voc no se importa, eu preciso comear a preparar as coisas -"
"timo. Me diga o que voc precisa que eu faa."
O rosto dela tornou-se obscuro com problemas. "Adam," ela diz. E h algo no jeito com que os lbios dela formam o meu nome que fazem eu me sentir um pouco louco...como
se eu quisesse jogar meus braos ao redor dela e correr ao redor do quarto ao mesmo tempo. "Eu agradeo a oferta. Eu realmente agradeo. Mas  muito perigoso. Se
eu matar Drake -"
"Quando voc matar ele," eu a corrijo.
"- h chances de que o pai dele aparea," ela continua, "buscando vingana. Talvez no hoje  noite. E talvez no amanh. Mas logo. E quando ele aparecer...no vai
ser bonito. Vai ser horrvel. Um pesadelo. Vai ser -"
"Apocalptico," eu termino para ela, um leve calafrio descendo a minha espinha dorsal quando eu falo a palavra.
"Sim. Sim, exatamente."
"No se preocupe," eu digo, ignorando o tremor. "Eu estou pronto pra isso."
"Adam." Ela balana a cabea. "Voc no entende. Eu no posso - bem, eu no posso garantir que eu vou ser capaz de te proteger. E eu certamente no posso deixar
voc arriscar sua vida desse jeito.  diferente pra mim, por causa - bem, por causa da minha me. Mas voc -"
Eu a parei. "S me diga que horas eu vou te pegar."
Ela me encara. "O qu?"
"Desculpa," eu digo. "Mas voc no vai ao baile sozinha. Fim de histria."
E eu devo ter parecido muito assustador ou algo quando eu disse isso, porque mesmo ela tendo aberto sua boca para discutir, ela a fecha novamente quando olha pro
meu rosto, e s diz, "Hm. Est bem."
Ainda assim, ela tem que acrescentar, " o seu funeral," s pra ter a palavra final.
O que no tem problema pra mim. Ela pode ter a palavra final.
Porque agora eu sei que a encontrei: minha futura parceira na luta inevitvel para sobreviver na Amrica ps-apocalptica.

Mary


A msica est batendo no ritmo do meu batimento cardaco. Eu posso sentir o baixo no meu peito - badoom, badoom.  difcil ver atravs da sala de corpos serpenteando,
especialmente com o show de luzes piscando no teto do salo do baile.
Mas eu sei que ele est aqui. Eu posso senti-lo.
E ento eu o vejo, se movendo pela pista de dana na minha direo. Ele est segurando dois copos de um lquido vermelho-sangue, um em cada mo. Quando ele chega
perto o bastante, ele me passa um dos copos, ento diz, "No se preocupe, no tem bebida alcolica. Eu verifiquei."
Eu no respondo. Eu s beberico o ponche, grata pelo lquido - mesmo que seja um pouco doce demais - porque a minha garganta est muito seca.
O negcio , eu sei que estou cometendo um erro. Deixando o Adam fazer isso, quero dizer.
Mas...h algo nele. Eu no sei o que . Algo que o separa de todos os outros atletas idiotas da escola. Talvez seja o jeito que ele me salvou l no clube quando
eu perdi os nervos, ele atirando no Sebastian Drake - prole do prprio demnio - com uma pistola d'gua com ketchup.
Ou talvez seja o jeito como ele foi to legal com o meu pai, no fazendo nenhuma piada sobre ele ser como o Doc dos filmes De Volta Para o Futuro e at chamando
ele de senhor. Ou o jeito como ele pegou a foto da minha me daquela maneira e pareceu to impressionado quando eu contei  ele a verdade sobre ela.
Ou talvez fosse o visual dele quando ele apareceu quinze para s oito essa noite, to impossivelmente bonito em seu smoking - e at segurando um ramo de flores de
rosas vermelhas pra mim... apesar de que a menos de vinte e quatro horas atrs ele nem mesmo sabia que ia ao baile (que bom que os ingressos estavam disponveis
para venda na porta).
Oh bem. Papai estava exttico, por uma vez agindo como um pai normal, tirando fotos - "Pra sua me ver, quando ela melhorar," ele ficava dizendo - e tentando deslizar
notas de vinte dolres para as mos do Adam, dizendo para ele "pagar um sorvete para a Mary depois do baile."
O que francamente me fez decidir que eu gosta mais do meu pai quando ele nunca sai do laboratrio.
Ainda assim. Eu sabia que estava cometendo um erro ao no mandar o Adam embora de imediato. Esse no era um trabalho para amadores.
Isso era...isso era...
..lindo. Quer dizer,  assim que o salo de baile est. Eu quase ofeguei quando eu entrei nele nos braos do Adam. (Ele insistiu. Para que ns nos parecessemos
com um "casal normal" se Drake j estivesse l assistindo.) O comit de baile da escola secundria Saint Eligius tinha mesmo se superado esse ano.
Conseguir o magnfico salo de baile do quarto andar do Waldorf-Astoria era um feito por si s, mas transforma-lo em tal pas das maravilhas cintilante e romntico?
Miraculoso.
Eu s espero que todas essas rosetas e fitas sejam  prova de fogo. Eu odiaria ve-las nas chamas que esto destinadas a aparecer quando o cadver de Drake comear
a se auto-incendiar depois de eu te-lo apunhalado no peito.
"Ento," Adam diz, enquanto ns ficamos na margem da pista de dana, bebericando nossos ponches em um silncio que tem - pra ser honesta - ficado um pouco desconfortvel.
"Como esse negcio vai funcionar, de qualquer modo? Eu no estou vendo o seu arco e flecha em lugar nenhum."
"Eu vou usar uma estaca," eu digo, mostrando pra ele a minha perna atravs da fenda de lado do meu vestido. Eu tinha amarrado uma pea de cinzas esculpida a mo
ali, usando o velho colbre de coxa da mame. "Para deixar isso doce e simples."
"Oh," Adam diz, depois de se engasgar um pouco com seu ponche. "Est bem."
Eu percebo que ele no desviou o olhar da minha coxa interna. Eu afobadamente abaixo a minha saia.
E me ocorre - pela primeira vez - que o Adam pode estar nessa por outras razes do que querer libertar a namorada de seu melhor amigo do feitio de um demnio chupador
de sangue.
Exceto...uma coisa dessas pode ser possvel? Quer dizer, ele  o Adam Blum. E eu sou s a nova garota. Ele gosta de mim, claro, mas ele no gosta de mim. Ele no
pode. Eu provavelmente s tenho dez minutos restantes de vida. A no ser que algo radicalmente mude o que eu tenho certeza que vai acontecer.
Corando, eu mantive meu olhar nos casais que giravam na nossa frente. A sra. Gregory de Histria dos Estados Unidos  uma das acompanhantes. Ela est dando um volta,
tentando impedir as garotas de se esfregarem em seus pares. Ela podia tentar tambm impedir a Lua de se levantar.
"Provavelmente seria melhor se voc mantivesse a Lila ocupada," eu digo, esperando que ele no note que as minhas bochechas esto to escarlates quanto o meu vestido
agora, "enquanto eu estou usando a estaca. Ns no queremos que ela se jogue no caminho s para tentar salva-lo."
"Foi por isso que eu arrastei o Ted aqui," Adam diz, indicando com a cabea na direo do Teddy Hancock, que est sentado curvado em uma mesa prxima, olhando para
a pista de dana de uma maneira entediada. Como o resto de ns, ele s est esperando Lila - e o seu par - chegar.
"Ainda assim," eu digo. "Eu no quero voc em lugar nenhum perto de mim quando... voc sabe."
"Eu escutei nas nove milhes de vezes que voc me falou," Adam resmunga. "Eu sei que voc pode tomar conta de si mesma, Mary. Voc deixou isso abundantamente claro."
Eu no posso evitar de recuar um pouco. Ele no est se divertindo. Eu posso dizer isso. Bem, e da? Eu no chamei ele aqui! Ele se convidou! Isso no  um encontro,
de qualquer jeito!  uma matana! Ele sabia disso desde o comeo.  ele que est mudando as regras, no eu. Quer dizer, a quem eu estou querendo enganar? Eu no
posso namorar. Eu tenho um legado a cumprir. Eu sou a filha do exterminador. Eu tenho que -
"Quer danar?" Adam me assusta perguntando.
"Oh," eu digo, com alguma surpresa. "Eu adoraria. Mas eu realmente deveria -"
"timo," ele diz e me leva em seus braos, me dirigindo para a pista de dana.
Eu estou surpresa demais para fazer qualquer coisa para par-lo, srio. Bem est bem, com o choque inicial desaparecendo, eu me encontro no querendo par-lo. Eu
estou surpresa demais para perceber que...bem, eu gosto dessa sensao, de estar nos braos do Adam.  uma sensao boa.  uma sensao de segurana.  uma sensao
calorosa. Eu me sinto...bem, quase como se eu fosse uma garota normal, pra variar.
No a garota nova. No a filha do exterminador. S...eu. Mary.  uma sensao com a qual consigo me acostumar.
"Mary," Adam diz. Ele  to mais alto do que eu que o hlito dele faz ccegas nos rebentos que caram do meu penteado[2]. Eu no me importo, de qualquer forma, porque
o hlito dele  bom.
[2] http://tinyurl.com/2xo9nl
Eu olho pra cima para ele sonhadoramente. Eu no posso acreditar que eu nunca notei - realmente notei - o quanto ele  bonito antes de agora. Bem, noite passada,
na verdade. Ou talvez eu notei, mas nunca realmente registrei, porque o que um cara como ele poderia ver em uma garota como eu? Em um milho de anos, eu nunca pensei
que eu acabaria no baile com o Adam Blum...
E est bem, claro, ele s me chamou porque obviamente sente pena de mim, por causa da minha me ser uma vampira e tudo. Mas ainda.
"Hmmm?" Eu digo, sorrindo pra cima para ele.
"Uh." Adam parece desconfortvel, por alguma razo. "E eu estava pensando se - voc sabe, quando tudo isso estiver acabado, e voc tiver feito poeira do Drake, e
Lila e Ted voltarem - voc gostaria de, hm..."
Oh Deus. O que est acontecendo? Ele vai...ele vai me convidar pra sair? Tipo em um encontro de verdade? Um que no inclua objetos afiados e pontudos?
No. Isso no vai acontecer. Isso  um sonho ou algo do tipo. Em um minuto, eu vou acordar, e tudo isso vai desaparecer. Porque como um coisa dessas poderia ser
possvel? Eu no posso respirar, eu tenho certeza de que vou quebrar o que seja que nos enfeitiou se eu respirar...
"Sim, Adam?" eu pergunto.
 "Bem." Ele parece no conseguir fazer contato visual. "S se voc gostaria de, voc sabe, talvez sair -"
"Com licena." A voz profunda que ento interrompe Adam  muito familiar. "Mas pode me conceder essa dana?"
Eu fecho meus olhos em frustrao. Eu no posso acreditar nisso. Eu nunca vou conseguir que um cara que eu realmente goste me convide pra sair nesse ritmo. Nunca.
Nunca. Nunca. Eu vou continuar uma aberrao - o produto de duas aberraes semelhantes - pelo resto da minha vida. Por que um cara como Adam Blum iria querer sair
comigo em primeiro lugar? A filha de uma vampira e de um cientista louco? Vamos encarar. No vai acontecer.
E eu j estava cansada. Eu estava por aqui com isso.
"Escuta, voc," eu digo, girando para encontrar Sebastian Drake, cujos olhos azuis se arregalaram um pouco com o ardor nos meus. "Como voc ousa se infiltrar aqui..."
Mas ento minha voz diminui. Porque de repente tudo que eu posso ver so aqueles olhos...
..aqueles olhos azuis hipnotizantes, que de repente me fazem sentir como se eu pudesse mergulhar neles, deixando o calor deles me lavar com doces, suaves ondas...
 verdade que ele no  nenhum Adam Blum. Mas ele est olhando pra mim de um jeito que deixa claro que ele sabe disso, e que ele sente muito por isso, e que ele
vai fazer tudo o que puder pra me compensar por isso...mais do que me compensar por isso, at mesmo...
E a prxima coisa que eu sei, Sebastian Drake est me levando em seus braos - gentilmente, to gentilmente - e me conduzindo da pista de dana para um par de portas
francesas atravs das quais eu posso ver um jardim escurecido pela noite, banhado pelas luzes cintilantes das fadas e pelo luar...exatamente o tipo de lugar que
voc esperaria ser conduzida por um descendente de cabelos dourados de um conde da Transilvnia.
 "Eu estou to feliz que ns finalmente tivemos a chance de nos conhecer," Sebastian est dizendo pra mim em uma voz que me acariciava como uma pena - um toque suave.
Tudo e todos que ns deixamos para trs - os outros casais; Adam; uma Lila surpresa, nos encarando com cimes; Ted, encarando com cimes ela; at mesmo as fitas
e rosetas - parecem derreter como se tudo o que existisse no mundo fosse eu, o jardim em que eu me encontro, e Sebastian Drake.
Que est levantando a mo para afastar alguns rebentos soltos do meu rosto.
Em um turvo e ntimo recesso da minha mente, eu me lembro que eu deveria ter medo dele...odi-lo, at. S que eu no consigo pensar por que. Como  possvel odiar
algum to bonito e doce e gentil quanto ele? Ele quer que eu me sinta melhor. Ele quer me ajudar.
"Voc ve?" Sebastian Drake est dizendo, enquanto ele levanta uma das minhas mos e a pressiona, suavemente, contra seus lbios. "Eu no sou to assustador, sou?
Eu sou que nem voc, na verdade. S o filho de - vamos encarar - uma pessoa muito formidvel, que est tentando descobrir seu prprio lugar no mundo. Ns temos os
nossos fardos, no temos, voc e eu, Mary? Sua me diz ol, a propsito."
"M-minha me?" Meu crebro parece estar to cheio de neblina quando esse jardim no qual estamos. Porque enquanto eu posso imaginar o rosto da minha me, eu no consigo
lembrar como Sebastian Drake poderia conhece-la.
"Sim," Sebastian diz, seus lbios agora movendo-se da minha mo para a direo da curva do meu cotovelo. A boca dele parecia fogo lquido contra minha pele. "Ela
sente sua falta, sabe. Ela no entende por que voc no se junta a ela. Ela est to feliz agora...ela no conhece a dor das doenas...ou a indignidade do envelhecimento...ou
o desgosto da solido." Seus lbios esto no meu ombro nu agora. Eu estou tendo problemas em respirar. Mas de um jeito bom. "Ela est cercada por beleza e amor...bem
como voc poderia estar, Mary." Os lbios deles estavam na minha garganta. O hlito dele, to quente, parece ter feito a minha espinha dorsal ficar mole. Mas est
tudo bem, porque um de seus braos fortes est ao redor da minha cintura, e ele est me segurando de p, mesmo que o meu corpo, como de sua prpria escolha, esteja
se arqueando para trs, permitindo  ele uma desobstruda viso da minha garganta exposta.
"Mary," ele sussurra contra o meu pescoo.
E eu me sinto to em paz, to serena - algo que eu no havia sentido em anos, no desde que a mame se foi - que minhas plpebras se fecham...
E a prxima coisa que eu sei, algo frio e quente atinge o meu pescoo.
"Ow," eu disse, abrindo os meus olhos e batendo uma mo ali...ento afastando-a para encontrar meus dedos escorregadios com algum tipo de umidade transparente.
"Me desculpa," Adam chama de alguns metros onde ele est parado, seus braos esticados na sua frente, a boca da sua pistola d'gua Beretta 9mm mirada diretamente
em mim. "Eu errei."
Um segundo mais tarde, eu estou arfando por ar a medida que uma fumaa cida e queimante me atinge no rosto. Tossindo, eu cambaleio para longe do homem que, apenas
segundos antes, esteve me segurando to ternamente, mas est agora agarrando com fora seu ardente peito.
"O qu-" Sebastian Drake arfa, golpeando as chamas que saltam do peito dele. "O que  isso?"
"S um pouco de gua benta, cara," Adam diz, enquanto continua bombeando no peito do Drake. "No deveria te incomodar. A no ser,  claro, que voc seja um membro
dos mortos-vivos. O que, infelizmente para voc, parece que voc ."
E um segundo mais tarde, eu retornei aos meus sentidos e estou alcanando por debaixo da minha saia a minha estaca.
"Sebastian Drake," eu sibilo, enquanto ele afunda aos seus joelhos na minha frente, uivando em dor. E raiva. "Isso  pela minha me."
E eu enterrei profundamente a pea de cinzas esculpida a mo no lugar aonde o corao dele deveria estar.
Se ele tivesse um.
"Ted," Lila diz, em uma voz doce, enquanto seu namorado deita no banco com contornos de plstico com a cabea dele no colo dela.
"Sim," Ted pergunta, olhando para cima para ela adoravelmente.
"No," Lila diz. " isso que eu vou tatuar da prxima vez que estiver em Cancn. Abaixo da cintura e acima do traseiro. A palavra Ted. Ento daqui em diante, todos
sabero que eu perteno a voc."
"Oh, querida," Ted diz. E puxa a cabea dela para baixo para que ele possa enfiar a lngua dele na boca dela.
"Oh meu Deus," eu digo, desviando o olhar.
"Eu sei." Adam retornou depois de jogar uma bola de boliche de cinco-quilos-que-brilha-no-escuro na pista. "Eu quase gostava mais dela quando ela estava enfeitiada
pelo Drake. Mas eu acho que funciona melhor desse jeito. Ted ir machucar muito menos que o Sebastian. Isso foi um strike, a propsito. No caso de voc ter perdido."
Ele escorrega do meu lado no banco e olha para baixo para o placar no brilho da lmpada acima da minha cabea. "Bem, quem diria? Eu estou vencendo."
"No seja arrogante," eu digo. Apesar que eu tenho que admitir, ele tem muito do que se gabar. No s ganhar na Noite do Strike do boliche, tampouco.
"S me diga," eu digo enquanto ele alcana e finalmente tira sua gravata borboleta. Mesmo na estranha luz disco da Bowlmor Lanes - a pista de boliche para onde escapamos
para as nossas atividades ps-baile, uma mera corrida de txi de nove dolres do Waldorf - Adam ainda est obcenamente bonito. "Aonde voc conseguiu a gua benta?"
"Voc deu um monte dela pro Ted," Adam diz, olhando para baixo para mim com alguma surpresa. "Lembra-se?"
"Mas como voc bolou a idia de coloca-la na pistola d'gua?" eu exijo. Eu ainda estou me curando das atividades de mais cedo dessa noite. Boliche  meia noite 
divertido e tudo. Mas nada pode realmente se comparar a matar um vampiro de duzentos anos no baile.
Que pena que ele desapareceu aos poucos at virar cinzas no jardim, aonde ningum exceto Adam e eu podamos ver. Ns teramos sido escolhidos rei e rainha do baile
com certeza, ao invs da Lila e do Ted, que ainda esto usando suas coroas...apesar delas tero se inclinado de maneira um pouco anrquica, devido a toda a beijao.
"Eu no sei, Mare," Adam diz, preenchendo sua prpria pontuao. "S pareceu uma boa idia na hora."
Mare. Ningum nunca me chamou de Mare antes.
"Mas como voc sabia?" eu pergunto. "Quer dizer, que Drake tinha - bem, que seja? Quer dizer, como voc sabia que eu no estava fingindo? Ninando ele em uma falsa
sensao de segurana?"
"Voc quer dizer apesar do fato de ele estar prestes a morder o seu pescoo?" Adam levanta uma nica sobrancelha marrom. "E que voc no estava fazendo uma maldita
coisa pra par-lo? , eu tinha uma bela idia do que estava acontecendo."
"Eu teria me desencantado," eu o assegurei, com uma confiana que eu certamente no sentia. "assim que eu tivesse sentido os dentes dele."
"No," Adam diz. Agora ele est rindo para mim, o rosto dele iluminado pela luz da nica lmpada da mesa de pontuao. O resto da pista de boliche est no escuro,
exceto pelas bolas e pinos, que brilham com uma estranha fluorescncia. "Voc no teria. Admita, Mary. Voc precisava de mim l."
O rosto dele est to perto do meu - mais perto do que Sebastian Drake j chegou. S que ao invs de sentir que eu poderia mergulhar no olhar dele, eu sinto como
se fosse derreter na presena dele. Meu batimento cardaco cambaleia.
"," eu digo, incapaz de impedir que meu olhar seja levado pela correnteza na direo dos lbios dele. "Eu acho que meio que precisava."
"Ns formamos uma boa equipe," Adam diz. Seu prprio olhar, eu no posso evitar reparar, no est vagando muito longe da minha boca, tampouco. "Voc no diria? Quer
dizer, especialmente na luz do esperado evento apocalptico? Quando o pai do Drake finalmente descobrir o que fizemos hoje  noite?"
Eu no posso evitar de arfar um pouco por isso.
" mesmo," eu grito. "Oh, Adam! Ele no vai vir s atrs de mim. Ele vai ir atrs de voc, tambm!"
"Sabe," Adam diz. E agora seu olhar foi levado pela correnteza da minha boca, e para baixo. "Eu realmente gosto desse vestido. Fica timo com os sapatos de boliche."
"Adam," eu digo. "Isso  srio! Drcula pode estar se preparando para atacar Manhattan a qualquer momento, e ns estamos perdendo tempo jogando boliche! Ns precisamos
comear a nos preparar! Ns precisamos preparar um contra-ataque. Ns precisamos -"
"Mary," Adam diz. "Drcula pode esperar."
"Mas -"
"Mary," Adam diz. "Cala a boca." E eu calo. Porque eu estou ocupada demais beijando ele para fazer qualquer outra coisa.
Alm do mais, ele est certo. Drcula pode esperar.



FIM









































Lauren Myracle - The Corsage
(O Ramo de Flores)



Leitores, tomem cuidado! A histria a seguir foi inspirada por "A Pata do Macaco[1]", publicada originalmente em 1902 por W. W. Jacobs, que me assustou demais quando
eu era adolescente. Tome cuidado com o que voc deseja, de fato!
- LAUREN MYRACLE
[1] Na histria, a pata do macaco morto  um talism que garante a seu dono trs desejos, mas os desejos vem com um preo to grande que o desejo final  desfazer
os anteriores.

L fora, o vento chicoteava ao redor da casa de Madame Zanzibar, fazendo com que um cano solto batesse no trilho lateral. O cu estava escuro, apesar de serem s
quatro horas. Mas dentro da sala de espera escandalosamente decorada, trs lmpadas de mesa brilhavam claramente, cada uma guarnecida com uma manta tom de pedra
preciosa. Uma tonalidade de rubi iluminou o rosto redondo de Yun Sun, enquanto tonalidades roxa azuladas davam a Will a aparncia de algum recm morto.
"Voc parece que acabou de levantar do tmulo," eu disse a ele.
"Frankie," Yun Sun censurou. Ela sacudiu a cabea em direo ao escritrio fechado de Madame Z, preocupada, eu creio, que ela pudesse ouvir e se ofender. Um macaco
vermelho de plstico estava pendurado na maaneta da porta, indicando que Madame Z estava com um cliente. Ns ramos os prximos.
Will fez seus olhos tornarem-se vazios. "Eu sou um alien", ele lamentou. Ele esticou seus braos na nossa direo. "Por favor me dem seus coraes e fgados."
"Ah no! O alien se apodereu de nosso amado Will!" eu me agarrei com fora no brao de Yun Sun. "Rpido, d seu corao e fgado a ele, para que ele deixe os meus
em paz!" Yun Sun se desvencilhou. "No estou me divertindo," ela disse em um tom montono e ameaador. "E se voc no for legal comigo, eu irei embora."
"Para de ser to covarde," eu disse.
"Eu vou levar as minhas coxas enormes e vou marchar pra fora daqui. Veja s." Yun Sun estava numa onda minhas-pernas-so-muito-gordas, s porque seu vestido de baile
super colante precisava ser afrouxado um pouquinho. Pelo menos ela tinha um vestido de baile. E a certeza de que ia usa-lo.
"Bleh," eu disse. A irritao dela estava pondo em perigo o nosso plano, que era a razo pela qual estvamos ali. A noite do baile est ficando perigosamente perto,
e eu no ia ser a triste carapaa de uma garota que ficava em casa sozinha enquanto todos os outros enlouqueciam com glitter em p e danavam ironicamente em saltos
de 7,5 cm espetaculares. Eu me recusava, especialmente j que sabia em meu corao que Will queria me convidar. Ele s precisava de um pouco de encorajamento.
Eu baixei a minha voz, ao mesmo tempo sorrindo para Will tipo la la la, papo de menina, nada importante! "Foi idia de ns duas fazermos isso, Yun Sun. Lembra?"
"No, Frankie, a idia foi sua," ela disse. E ela no baixou a voz. "Eu j tenho um par, mesmo que ele v ser esmagado at a morte pelas minhas coxas.  voc que
est esperando por um milagre de ltima hora."
"Yun Sun!" eu olhei para Will, que ficou vermelho. M Yun Sun, falando to abertamente assim. M, m, menina desobediente!
"Ai!" ela uivou. Porque eu tinha batido com fora nela.
"Eu estou muito brava com voc," eu disse.
"Pare com essa vergonha. Voc quer que ele te convide, no quer?"
"Ai!"
"Ah, meninas?" Will disse. Ele estava fazendo aquela coisa adorvel que ele faz quando est nervoso, com seu pomo de Ado balanando pra cima e pra baixo. Apesar
de, huh. Essa era uma imagem meio repulsiva. Isso me fez pensar em apanhar as maas que boiam na gua com a boca[2], que era apenas um passo antes de apanhar o pomo
de Ado.
[2] http://tinyurl.com/ysu6xe
Mas. Will de fato possua um pomo de Ado, e quando ele se movia para cima e para baixo em sua garganta, era realmente adorvel. Isso fazia ele parecer to vulnervel.
"Ela me bateu," Yun Sun fofocou.
"Ela mereceu," eu contra-ataquei. Mas eu no queria que aquilo prosseguisse, essa conversa que j era reveladora o bastante. Ento eu dei um tapinha na perna totalmente
no gorda de Yun Sun e disse, "Todavia, eu te perdo. Agora cala a boca."
O que Yun Sun no conseguiu entender - ou mais provavelmente, o que ela entendeu e ainda assim no compreendeu - era que nem todas as coisas precisam ser ditas em
voz alta. Sim, eu queria que Will me convidasse pro baile, e eu queria que ele fizesse isso logo, porque "Primavera  Para Apaixonados" estava h apenas duas semanas
de distncia.
E tudo bem, o nome do baile era bobo, mas a primavera era para apaixonados. Era uma verdade indiscutvel. Exatamente como era uma verdade indiscutvel que Will era
o meu garoto eterno, se ao menos ele pudesse superar sua eterna timidez e agir. Chega de batidas amigveis no ombro e guerras de ccegas com risinhos e roncos. Chega
de agarrar um ao outro e gritar, culpando as cpias de Vampiros de Alma ou They Come From The Hills da Netflix. Will no conseguia ver que eu era claramente dele?
Ele quase tinha me convidado semana passada, eu tinha noventa-e-nove-ponto-cinco porcento de certeza. Ns estvamos assistindo Uma Linda Mulher, um romance exagerado
que nunca deixava de me divertir. Yun Sun tinha ido  cozinha para procurar lanchinhos, deixando ns dois sozinhos.
"Hum, Frankie?" Will tinha dito. O p dele bat-bat-bateu contra o cho, e seus dedos flexionaram na cala jeans. "Posso te perguntar uma coisa?"
Qualquer tolo saberia o que estava prestes a acontecer, porque se ele s quisesse que eu aumentasse o volume, ele simplesmente teria dito, "Ei, Franks, aumenta o
volume." Casualmente. Direto. Sem precisar de qualquer comentrio preparatrio. Mas j que tinha um comentrio preparatrio...
Bem, o que mais ele poderia querer me perguntar fora "Voc vai no baile?" Prazer eterno estava bem ali, h apenas alguns segundos.
E ento eu estraguei.O nervosismo palpvel dele despertou um espasmo em mim, e ao invs de deixar o momento rolar, eu levianamente mudei de assunto. PORQUE EU ERA
UMA ESQUISITA.
"Veja s,  assim que deve ser feito!" eu disse, apontando para a tv. Richard Gere estava galopando no seu cavalo branco, que na verdade era uma limusine, para o
castelo de Julia Roberts, que era na verdade uma porcaria de apartamento de terceiro andar. Enquanto ns assistamos, Richard Gere saiu pelo teto solar e subiu pela
escada de incndio, tudo para ganhar o afeto de sua amada.
"Nada dessa conversa fiada sentimental 'Eu acho voc bonitinha'," eu continuei. Eu estava dizendo tolices, e eu sabia disso. "Ns estamos falando de tomar uma atitude,
querido. Ns estamos falando de grandes gestos de amor."
Will engoliu em seco. E disse, "Oh." E pestanejou para o Richard Gere como um ursinho de pelcia assustado, pensando, eu tenho certeza, que ele nunca, nunca poderia
se comparar a ele.
Eu encarei a tv, sabendo que tinha sabotado a minha noite de baile com a minha prpria estupidez. Eu no ligava para "grandes gestos de amor"; Eu s ligava pro Will.
Mas, brilhantemente, eu tinha assustado ele. Porque na verdade mesmo, eu era uma covarde maior do que ele.
Mas no mais - que era porque ns estvamos ali na Madame Zanzibar. Ela nos contaria o nosso futuro, e a no ser que ela fosse uma completa golpista, ela iria declarar
o bvio como uma observadora imparcial: Will e eu fomos feito um para o outro. Ouvir isso ser dito to francamente iria dar a Will a coragem de tentar novamente.
Ele iria me convidar para o baile, e dessa vez eu o deixaria, mesmo que isso me matasse.
O macaco de plstico se contorceu na maaneta.
"Olha, est se movendo," eu sussurrei.
"Oooo," Will disse.
Um homem negro com cabelo branco-neve arrastou-se do escritrio. Ele no tinha dentes, o que fazia com que a metade inferior de seu rosto parecesse enrugada, como
uma ameixa.
"Crianas," ele disse, inclinando seu chapu.
Will se levantou e abriu a porta da frente, porque esse  o tipo de cara que ele era. Uma rajada de vento quase derrubou o velho, e Will o segurou.
"Opa," Will disse.
"Obrigado, meu filho," o velho respondeu. Suas palavras saram moles como mingau, por causa dele no possuir dentes. "Suponho que seja melhor eu fugir antes que
a tempestade chegue."
"Eu acho que ela j est aqui," Will disse. Depois da entrada de automveis, trs galhos se moveram e rangeram.
"Esse pequenino vento velho?" o velho disse. "Oh, agora, ele  s um beb acordando e querendo se alimentar. Vai ficar pior antes que a noite acabe, guarde as minhas
palavras." Ele espreitou para ns. "De fato, vocs crianas no deveriam estar em casa, ss e salvas?"
Era difcil se ofender quando um veterano sem dentes te chamava de "criana". Mas fala srio, era a segunda vez em vinte segundos.
"Ns estamos no segundo grau," eu disse. "Ns podemos cuidar de nos mesmos."
A risada dele me fez pensar em folhas mortas.
"Est certo, ento," ele disse. "Tenho certeza que vocs sabem o que  melhor." Ele deu um pequeno passo na entrada, e Will deu um meio aceno e fechou a porta.
"Tolo maluco," veio de uma voz atrs da gente. Ns viramos e vimos Madame Zanzibar na entrada do escritrio. Ela usava cala de moletom rosa choque da Juicy Couture
com uma blusa rosa choque combinando, o zper aberto at a clavcula. Os seios dela eram redondos e firmes e espantosamente joviais, dado o fato que ela no parecia
estar usando um suti. O batom dela era laranja brilhante, para combinar com as unhas, como era o final do cigarro que ela segurava entre dois dedos.
"Ento, vocs vo entrar ou vo ficar a fora?" ela perguntou para ns trs. "Desvendar os mistrios da vida ou deixa-los em paz?"
Eu me levantei da minha cadeira e puxei Yun Sun comigo. Will nos seguiu. Madame Z nos conduziu at o escritrio dela, e ns trs nos amassamos em uma poltrona estofada
demais. Will percebeu que isso nunca iria funcionar e se abaixou para o cho. Eu balancei para fazer Yun Sun me dar mais espao.
"Est vendo? Elas so salsichas," ela disse, se referindo  suas coxas.
"Mexa-se," eu ordenei.
"Agora," Madame Z disse, cruzando na nossa frente e se sentando atrs de uma mesa. Ela deu uma baforada em seu cigarro. "Qual  o negcio de vocs?"
Eu mordi meu lbio. Como eu iria frasear isso? "Bem, voc  uma vidente, certo?"
Madame Z exalou uma nuvem de fumaa. "Nossa, Sherlock, o anncio nas Pginas Amarelas te avisou?"
Eu corei, enquanto que ao mesmo tempo me enfurecia. Minha pergunta tinha sido uma abertura para a conversa. Ela tinha um problema com aberturas de conversa? De qualquer
jeito, se ela fosse mesmo uma vidente, ela j no deveria saber porque eu estava ali?
"Ah...est bem. Claro, que seja. Ento eu acho que estava me perguntando..."
"? Desembucha."
Eu reuni minha coragem. "Bem...eu estava me perguntando se uma certa pessoa especial ia me fazer uma pergunta especial." Propositalmente eu no olhei para Will,
mas eu escutei seu mpeto de surpresa. Ele no previa isso.
Madame Z pressionou dois dedos em sua testa e deixou seus olhos ficarem vagos.
"Ah," ela disse. "Hmm, hmm. O que eu estou conseguindo aqui  confuso. H paixo, sim"-
Yun Sun deu risinhos; Will engoliu audivelmente-"mas tem algo...como eu digo? Fatores complicantes."
Nossa, obrigada, Madame Z, eu pensei. Poderamos cavar um pouco mais fundo aqui? Me dar algo com que eu pudesse trabalhar?
"Mas ele-quero dizer, a pessoa-vai agir motivada por sua paixo?" Eu era insolente, apesar do n no estmago.
"Agir ou no agir...essa  a questo?" Madame Z disse.
"Sim, essa  a questo."
"Ahhh. Essa  sempre a questo. E o que algum deve sempre perguntar a si mesmo-" Ela parou. Seus olhos voaram para Will, e ela empalideceu.
"O qu?" eu exigi.
"Nada," ela disse.
"Algo," eu disse. A performance mensagem-dos-espritos dela no estava me enganando. Ela queria que a gente pensasse que ela tinha sido possuda de repente? Que
ela tinha tido uma completa e poderosa viso? timo! S chegue na maldita resposta.
Madame Z fez um show em que se recuperava, terminando com um longo e sacolejante trago no cigarro. Olhando com um olhar morto para mim, ela disse, "Se uma rvore
cair na floresta, e no tiver ningum l para ouvir, ainda assim ela faz barulho?"
"H?" eu disse.
" isso que eu tenho.  pegar ou largar." Ela parecia agitada, ento eu peguei. Apesar de ter feito uma cara de louca para Yun Sun quando Madame Z no estava olhando.
Will alegou que no tinha uma pergunta especfica, mas Madame Z estava estranhamente insistente em transmitir uma mensagem para ele de qualquer maneira. Ela agitou
as mos sobre a aura dele e o alertou com severidade sobre alturas, o que era curiosamente apropriada j que Will era um vido escalador de montanhas.O que foi mais
curioso foi a reao de Will. Primeiro as sobrancelhas dele subiram, e ento uma emoo diferente tomou conta, como algum prazer antecipado secreto. Ele olhou para
mim e corou.
"O que est acontecendo?" eu perguntei. "Voc est com uma cara sorrateira."
"Perdo?" ele disse.
"O que voc no est nos contando, Will Goodman?"
"Nada, eu juro!"
"No seja estpido, garoto!" Madame Z bateu na mesma tecla. "Escute o que eu estou dizendo."
"Oh, voc no precisa se preocupar com ele," eu disse. "Ele  o Sr. Segurana por completo." Eu me virei para o Will. "De verdade. Voc tem um novo ponto de escalada
fabuloso? Uma carabiner brilhante nova em folha?"
" a vez da Yun Sun," Will disse. "Vai, Yun Sun."
"Voc pode ler mos?" Yun Sun perguntou para Madame Z.
Madame Z exalou, e ela estava muito pouco empenhada enquanto traava seus dedos pela almofada rechonchuda debaixo do dedo de Yun Sun. "Voc ser to bonita o quanto
se permitir ser," ela disse  ela. Era isso. Essas eram as prolas de sabedoria dela.
Yun Sun parecia to desapontada quanto eu estava, e eu senti vontade de protestar em nosso favor. Quero dizer, srio! Uma rvore na floresta? Tome cuidado com alturas?
Voc ser to bonita o quanto se permitir ser? Mesmo com seus toques atmofricos horripilantes um tanto quanto convincentes, ns trs estvamos sendo enganados.
Eu particularmente.
Mas antes que eu pudesse dizer alguma coisa, um celular na mesa tocou. Madame Z o pegou e usou uma longa unha laranja para apertar o boto de falar.
"Madame Zanzibar,  seu dispor," ela disse. A expresso dela mudou enquanto ela escutava quem quer que estivesse do outro lado. Ela ficou veloz e irritada. "No,
Silas. Chama-se...sim, voc pode dizer isso, candidase. Candidase."
Yun Sun e eu trocamos um olhar de horror, apesar de-eu no podia evitar-eu tambm estar contente. No por Madame Z ter candidase. Quero dizer, eca. Mas por ela
estar discutindo isso com Silas, quem quer que ele fosse, enquanto todos ns escutvamos. Agora ns estvamos fazendo o nosso dinheiro valer a pena.
"Diga para o farmacutico que  a segunda vez no ms," Madame Z queixou-se. "Eu preciso de algo mais forte. O qu? Pra coceira, seu idiota! A no ser que ele queira
coar pra mim!" Ela girou em sua cadeira rotatria, colocando uma perna da Juicy Couture em cima da outra.
Will olhou para mim, seus olhos castanhos arregalados com temor. "Eu no irei coar isso pra ela," ele encenou um sussurro. "Eu me recuso!"
Eu ri, pensando que era um bom sinal que ele estivesse se exibindo pra mim. A experincia com Madame Z no tinha sido como fora planejada, mas quem sabia? Talvez
acabasse tendo o efeito esperado apesar de tudo.
Madame Z apontou para mim com o final da parte acesa de seu cigarro, e eu abaixei meu queixo com arrependimento, tipo Desculpa, desculpa. Para me distrair, eu me
foquei na estranha e variada massa nas prateleiras dela. Um livro chamado Magia do Comum e outro entitulado O Que Fazer Quando Os Mortos Falam-Mas Voc No Quer
Ouvir. Eu cutuquei Will com meu joelho e apontei. Ele fez uma mmica sufocando o pobre canalha falecido, e eu soltei um riso de deboche.
Acima dos livros eu vi: um frasco de veneno de rato, um monculo antiquado, um jarro com o que parecia ser cortadores de unhas, um copo manchado da Starbucks, um
p de coelho, com garras junto. E na prateleira acima dessa tinha...ah, que adorvel.
"Isso  um crnio?" eu perguntei  Will.
Will assobiou. "Minha nossa."
"Beleza," Yun Sun disse, desviando os olhos. "Se for realmente um crnio, eu no quer saber. Podemos ir agora?"
Eu peguei a cabea dela em minhas mos e a apontei na direo correta. "Olha. Ainda tem cabelo!"
Madame Z estalou seu celular ao fechar. "Tolos, cada um deles," ela disse. A palidez dela tinha sumido; aparentemente, falar com Silas tinha sumido com o medo dela.
"Ahh! Vejo que voc encontrou Fernando!"
" a quem o crnio pertence?" eu perguntei. "Fernando?"
"Oh Deus," Yun Sun lamentou.
"Arrastou-se para a superfcie depois de uma inundao repentina e violenta, no Cemitrio Chapel Hill," Madame Z nos contou. "O caixo dele, isso . Uma porcaria
feita de madeira, devia ser do comeo do sculo dezenove. No havia ningum para cuidar dele, ento eu fiquei com pena dele e o trouxe para c."
"Voc abriu o caixo?" eu disse.
"Sim." Ela parecia orgulhosa. Eu me perguntei se ela tinha usado sua roupa Juicy Couture durante o roubo da sepultura.
" nojento que isso ainda tenha cabelo," eu disse.
"Ele ainda tenha cabelo," Madame Z disse. "Mostre um pouco de respeito."
"Eu no sabia que cadveres tinham cabelo,  s isso."
"Pele, no," Madame Z disse. "A pele comea a apodrecer imediatamente, e acredite em mim, voc no quer sentir o cheiro quando ela se vai. Mas o cabelo? As vezes
ele continua crescendo por semanas depois do falecido ter ido para o outro lado."
"Uau," eu me abaixei e alcancei os cachos cor de mel de Will. "Ouviu isso, Will? As vezes o cabelo continua crescendo."
"Impressionante," ele disse.
"E quanto quilo?" Yun Sun perguntou, apontando para um recipiente transparente da Tuperware no qual algo avermelhado e semelhante  um orgo flutuava em um lquido
transparente. "Por favor me diga que aquilo no veio do Fernando tambm. Por favor."
Madame Z agitou suas mos, tipo No seja ridcula. "Esse  o meu tero. Fiz com que o mdico me desse depois da minha histerectomia."
"Seu tero?" Yun Sun parecia doente.
"Eu iria deixar eles jogarem ele no incinerador?" Madame Z disse. "Sem chance!"
"E isso?" eu apontei para uma moita de alguma coisa seca na prateleira mais alta. Esse mostrar-e-contar estava se provando muito mais divertido do que as leituras.
Madame Z seguiu meu olhar. Ela abriu a boca, ento a fechou. "Isso no  nada," ela disse firmemente, apesar de eu ter notado que ela estava tendo dificuldade em
tirar seus olhos daquilo. "Agora. Encerramos por aqui?"
"Vamos." eu juntei minhas mos como numa orao. "Diga-nos o que  aquilo."
"Voc no quer saber," ela disse.
"Eu quero," eu disse.
"Eu no quero," Yun Sun disse.
"Sim, ela quer," eu disse. "E Will tambm. Certo, Will?"
"No pode ser pior que o tero," ele disse.
Madame Z pressionou seus lbios juntos.
"Por favor?" eu implorei.
Ela resmungou num sussurro algo sobre adolescentes idiotas e como ela se recusava a assumir a culpa, qualquer que viesse com isso. Ento ela se levantou, tocando
na prateleira do topo. Os seios dela no sacudiram, mas sim ficaram firmes e rgidos debaixo da blusa dela. Ela retirou a moita e a colocou na nossa frente.
"Oh," eu ofeguei. "Um ramo de flores." Botes de rosa delicados, as pontas marrom e lembrando papel. Raminhos acizentados de gypsophilas, to ressecados que baforadas
de fibras empoeiravam a mesa. Uma fraca fita vermelha segurava tudo junto.
"Uma camponesa na Frana colocou um feitio nele," Madame Z disse em um tom que era difcil de decifrar. Era como se ela estivesse sendo forada a falar as palavras,
mesmo que ela no quisesse. Ou, no. Era mais como se ela quisesse mas estava lutando para resistir. "Ela queria mostrar que o amor verdadeiro  guiado pelo destino,
e que qualquer um que tentar interferir o faz correndo riscos."
Ela se moveu para devolver o ramo de flores.
"Espera!" eu gritei. "Como isso funciona? O que ele faz?"
"Eu no vou contar," ela disse teimosamente.
"'Eu no vou contar'?" eu repeti. "Quantos anos voc tem, quatro?"
"Frankie!" Yun Sun disse.
"Voc  como todos os outros, no ?" Madame Z disse para mim. "Disposta a fazer de tudo por um namorado? Desesperada por um romance de parar o corao, no importando
o preo?"
Eu senti meu rosto queimar. Mas aqui estava, jogado na mesa. Namorados. Romance. A esperana vacilou no meu peito.
"Conte logo a ela," Yun Sun disse, "ou ns nunca poderemos ir embora."
"No," Madame Z insistiu.
"Ela no pode, porque ela inventou tudo," eu disse.
Os olhos de Madame Z relampejaram. Eu tinha provocado ela, o que no era legal, mas algo me disse que o que quer que fosse, ela no o tinha inventado. E eu realmente
queria saber.
Ela colocou o ramo de flores no meio da mesa, aonde ele ficou fazendo absolutamente nada.
"Trs pessoas, trs pedidos cada," Madame Z declarou. "Isso  magia."
Yun Sun, Will, e eu olhamos um para o outro, e ento explodimos em risadas. Era ridculo e ao mesmo tempo perfeito: a tempestade, o pirado, e agora o pronunciamento
emitido de forma ameaadora.
E mesmo assim, o jeito com que Madame Z tinha nos encarado fez as nossas risadas dispararem. O jeito como ela encarava Will, especialmente.
Ele tentou ressuscitar a hilaridade.
"Ento por que voc no usa?" ele perguntou na maneira que um adolescente sendo prestativo e educado pergunta.
"Eu usei," ela disse. O batom laranja dela era como uma mancha.
"E...os seus trs pedidos foram concedidos?" eu perguntei.
"At o ltimo deles," ela disse categoricamente.
Nenhum de ns sabia o que dizer daquilo.
"Bem, mas algum usou ele?" Yun Sun perguntou.
"Uma outra mulher. Eu no sei quais foram os dois primeiros pedidos dela, mas o ltimo foi o de morrer. Foi assim que o ramo de flores chegou  mim."
Ns ficamos sentados l, toda a tolice silenciada. A situao parecia irreal, e ainda assim aqui estvamos ns, nesse momento.
"Cara, isso  estranho," Will disse.
"Ento...por que voc guarda ele?" eu perguntei. "Se voc j gastou os seus trs desejos?"
"Excelente pergunta," Madame Z disse depois de encarar o ramo de flores por alguns segundos intensos. Ela puxou um isqueiro turquesa de seu bolso e acendeu o fogo.
Ela pegou o ramo de flores com uma determinao feroz, como se estivesse se comprometendo na direo de uma ao longamente atrasada.
"No," eu uivei, apanhando ele do aperto dela. "Deixe-me ficar com ele, se voc no quer!"
"Nunca. Ele deve ser queimado."
Meus dedos se fecharam ao redor das ptalas de rosa. Elas eram da textura das bochechas murchas do meu av, as quais eu acariciava quando eu o visitava na casa de
repouso.
"Voc est cometendo um erro," Madame Z alertou. Ela se esticou para reinvindicar o embrulho, e ento deu um puxo em sua mo de forma convulsiva. Eu senti a mesma
guerra interna quando eu a havia incitado a falar sobre o ramo de flores, como se o ramo de flores tivesse um elemento de poder real sobre mim. O que era ridculo,
 claro.
"No  tarde demais para mudar o seu destino," ela gerenciou.
"Que destino seria esse?" eu disse. Minha voz quebrou. "O destino em que uma rvore cai na floresta, mas coitada de mim, eu estou usando tampes de ouvido?"
Madame Z me fitou com seus olhos de clios grossos. A pele ao redor deles era fina como musselina, e eu percebi que ela era mais velha do que eu havia originalmente
presumido.
"Voc  uma criana rude e desrespeitosa. Voc merece umas palmadas no traseiro." Ela se reclinou em sua cadeira rotatria, e eu podia dizer - instantaneamente,
desse jeito - que ela tinha se libertado da influncia prejudicial  sade do ramo de flores. Ou talvez o ramo de flores a tinha libertado? "Fique com ele, a deciso
 sua. Eu no me responsabilizo pelo que acontecer."
"Como se usa ele?" eu perguntei.
Ela bufou.
"Vamos l," eu implorei. Eu no queria parecer uma pirralha. Era s que isso era to importante. "Se voc no me contar, eu vou fazer tudo errado. Eu vou provavalmente...eu
no sei. Destruir o negcio todo."
"Frankie...deixa pra l," Will disso em um sussurro.
Eu balancei a cabea. Eu no podia.
Madame Z cacarejou para a turva e tola eu. Bem, deixe-a.
"Voc segura com a mo direita e fala o seu pedido em voz alta," ela disse. "Mas eu estou te dizendo, nada bom vir disso."
"Voc no precisa ser to negativa," eu disse. "Eu no sou to estpida quanto voc acha que eu sou."
"No, voc  bem mais estpida," ela concordou.
Will deu um salto para redirecionar, porque  isso o que ele faz. Ele odiava tudo que era desagradvel. "Ento...voc no usaria de novo, se voc pudesse?"
Madame Z levantou suas sobrancelhas. "Eu pareo que preciso de mais pedidos?"
Yun Sun suspirou audivelmente. "Bem, eu definitivamente podia usar um pedido ou dois. Deseje-me as coxas da Lindsay Lohan, sim?"
Eu amava meus amigos. Eles eram to maravilhosos. Eu levantei o ramo de flores, e Madame Z arfou e agarrou meu pulso.
"Pelo amor de Deus, garota," ela gritou. "Se voc for fazer um pedido, pelo menos faa um sensato!"
", Frankie," Will disse. "Pense na pobre Lindsay - voc iria querer que a garota ficasse sem coxas?"
"Ela ainda teria as panturrilhas," eu apontei.
"Mas elas estariam ligadas? E que produtor de filmes contrataria uma garota que  s um torso?"
Eu ri, e Will parecia satisfeito consigo mesmo.
Yun Sun disse, "Gente. Ui."
A respirao de Madame Zanzibar era irregular. Ela podia ter decidido no se envolver comigo, mas o medo dela, quando eu levantei os botes de rosa secos, no tinha
sido planejado.
Eu coloquei o ramo de flores na minha bolsa carteiro, cuidadosa para no amassa-lo. E quando eu puxei a minha carteira, eu paguei  Madame Z o dobro da quantia que
ela tinha especificado. Eu no elaborei, s entreguei as notas. Ela as contou, ento me avaliou com seus ossos-cansados e batom-laranja.
timo, ento, o comportamento dela comunicava. S...tenha cuidado.
Ns fomos para a minha casa para comer pizza, porque esse era o nosso ritual das noites de sexta. Sbados e domingos, tambm, mais sim do que no. Meus pais estavam
de sabtica em Botsuana pelo semestre, o que queria dizer que Chez Frankie era a central de festas. Exceto que ns no fazamos festas de verdade. Ns podamos ter
feito; minha casa ficava h milhas da cidade, em uma estrada suja sem manuteno, sem vizinhos prximos para reclamarem. Mas ns preferamos a nossa prpria companhia,
com as ocasionais aparies de Jeremy, o namorado da Yun Sun. Jeremy, porm, achava que eu e Will ramos estranhos. Ele no gostava de abacaxi na pizza dele, e ele
no tinha o nosso gosto em filmes.
A chuva golpeu o teto da picape do Will enquanto ele pilotava pelo circuito de curvas da Restoration Boulevard, depois do Krispy Kreme e do Piggly Wiggly e da torre
de gua do municpio, a qual se esticava em direo ao cu em uma solido gloriosa. A cabine do caminho estava lotada com ns trs amassados nela, mas eu no ligava.
Eu estava no assento do meio. A mo do Will roava no meu joelho quando ele trocava de marcha.
"Ah, o cemitrio," ele disse, balanando a cabea enquanto ns alcanavamos os portes de ferro forjado  esquerda dele. "Devemos fazer um momento de silncio pelo
Fernando?"
"Ns devemos," eu disse.
Um raio de luz iluminava as fileiras de lpides, e eu pensei comigo mesma que lugar assustador e perturbador os cemitrios eram. Ossos. Pele apodrecida. Caixes,
que algumas vezes eram descavados.
Eu estava feliz de chegar em casa. Eu fui de quarto em quarto acendendo todas as luzes enquanto Will pedia a pizza e Yun Sun zapeava pelos lanamentos semanais da
Netflix.
"Algo animado, t bem?" eu falei do corredor.
"Nada de Night Stalker?" ela disse.
Eu me juntei  ela no escritrio e peneirei a pilha. "Que tal High School Musical? No h nada meramente horripilante em High School Musical."
"Voc tem que estar brincando," Will disse, desligando seu telefone. "Sharpay e o irmo dela fazendo aquela dana sexy com o instrumento de percusso? Voc no chamaria
aquilo de horripilante?"
Eu ri.
"Mas vocs garotas vo em frente, divirtam-se," ele disse. "Eu na verdade tenho uma misso pra fazer."
"Voc est indo embora?" Yun Sun disse.
"E quanto  pizza?" eu disse.
Ele abriu sua carteira e deitou uma nota de vinte dolres na mesinha de centro. "Vai chegar aqui em trinta minutos.  por minha conta."
Yun Sun balanou a cabea. "E de novo eu digo: Voc est indo embora? Voc no vai ficar nem pra comer?"
"Tem uma coisa que eu preciso fazer," ele disse.
Meu corao apertou. Eu desejava mante-lo ali, nem que s por mais um pouco. Em um movimento rpido eu voltei para a cozinha e puxei o ramo de flores de Madame Z
- no, o meu ramo de flores - da minha bolsa.
"Pelo menos espere at eu ter feito o meu pedido," eu disse.
Ele parecia entretido. "Tudo bem, faa o pedido."
Eu hesitei. O escritrio era quente e aconchegante, a pizza estava a caminho, e eu tinha os dois melhores amigos do mundo. O que mais eu sinceramente queria?
Duh, a parte vida do meu crebro me disse. O baile,  claro. Eu queria que Will me convidasse pro baile. Talvez fosse egosmo ter tanto e ainda querer mais, mas
eu empurrei aquela linha de raciocnio pra longe.
Porque olhe para ele, eu pensei. Aqueles bondosos olhos castanhos, aquele sorriso torto. Aqueles cachos ridiculamente angelicais. Toda a doura e bondade que era
Will.
Ele cantarolou a cano tema de Jeopardy!. Eu levantei o ramo de flores.
"Eu desejo que o garoto que eu amo me leve ao baile," eu disse.
"E a est, pessoal!" Will gritou. Ele estava eufrico demais. "E que garoto no gostaria de levar nossa fabulosa Frankie ao baile? Agora ns s temos que esperar
e ver, no , se o desejo dela ir se realizar ou -"
Yun Sun cortou ele. "Frankie? Voc est bem?"
"Se moveu," eu disse, me encolhendo de medo do ramo de flores, o qual eu tinha arremessado no cho. Minha pele estava pegajosa. "Eu juro por Deus, se moveu quando
eu fiz o pedido. E esse cheiro! Voc est sentindo?"
"Noooo," ela disse. "Que cheiro?"
"Voc est sentindo isso, Will. No est?"
Ele deu risada, ainda ligado em qualquer barato que ele estava desde que ...bem, desde que Madame Z o havia alertado dos perigos das alturas. Um rudo de trovo
estrondou, e ele empurrou o meu ombro.
"Agora voc vai botar a culpa da tempestade nas fadas ms do desejo, no vai?" ele disse. "Ou, no! Voc vai ir dormir hoje, e amanh voc vai nos contar que encontrou
uma criatura corcunda  espreita na sua manta, sorrindo um sorriso deformado"
"Como flores podres," eu disse. "Voc honestamente no est sentindo? Voc no est brincando comigo?"
Will desenterrou as chaves do bolso. "Vejo vocs no outro lado, chapas. E, Frankie?"
"O qu?"
Outro barulho da tempestade sacudiu a casa.
"No perca a esperana," ele disse. "Boas coisas acontecem com aqueles que esperam."
Eu assisti pela janela enquanto ele corria at sua caminhonete. A chuva estava caindo pelo terreno. Ento eu me virei para Yun Sun, um sentimento de inchao empurrando
tudo para longe.
"Voc ouviu o que ele disse?" eu agarrei as mas dela. "Oh meu Deus, voc acha que isso significa o que eu acho que significa?"
"O que mais poderia significar?" Yun Sun disse. "Ele vai te convidar pro baile! Ele s est...eu no sei. Tentando fazer uma grande produo nisso tudo!"
"O que voc acha que ele vai fazer?"
"No tenho idia. Contratar algum pra escrever uma mensagem no cu? Mandar um telegrama cantado?"
Eu gritei. Ela gritou. Ns pulamos em um frnesi.
"Tenho que te dar os parabns, o negcio do pedido foi brilhante," ela disse. Ela deu um peteleco com o dedo para indicar ter dado o empurro que o Will precisava.
"E as flores apodrecidas? Beeeem dramtico."
"Eu honestamente senti o cheiro, de qualquer forma" eu disse.
"Ha-ha."
"Eu senti."
Ela olhou pra mim e balanou a cabea, divertida. Ento ela olhou pra mim de novo.
"Bem, deve ter sido a sua imaginao," ela disse.
"Acho que sim," eu disse.
Eu peguei o ramo de flores do cho, segurando-o cuidadosamente entre meu dedo e meu indicador. Eu levei ele para a estante e o joguei atrs de uma fileira de livros,
feliz de te-lo fora de vista.
Na manh seguinte eu trotei para o andar de baixo, esperando tolamente encontrar...eu no sei. Centenas de M&Ms soletrando o meu nome? Coraes rosas traados com
um barbante tolo na janela?
Ao invs disso, eu achei um pssaro morto. O seu pequeno corpo estava deitado no tapete de boas vindas, como se ele tivesse voado pra porta e batido sua cabea durante
a tempestade.
Eu o levantei com papel-toalha e tentei no sentir seu leve peso enquanto eu o entregava ao lixo do lado de fora.
"Eu sinto muito, passarinho, to lindo e doce," eu disse. "Voe para o cu." Eu joguei o cadver, e a tampa se fechou com um estrondo.
Eu retornei para dentro com o barulho do telefone tocando. Provavelmente Yun Sun, querendo uma atualizao. Ela tinha ido embora s onze horas na noite anterior,
depois de ter me feito prometer contar a ela no minuto que Will fizesse seu gesto ousado.
"Ei, querida," eu disse, depois de ter olhado identificador de chamadas e ver que, , eu estava certa. "Nenhuma notcia ainda - desculpa."
"Frankie..." Yun Sun disse.
"Eu estive pensando na Madame Z, de qualquer forma. Toda a bobagem dela de no-mexa-com-o-destino."
"Frankie -"
"Por que como o Will me convidar ao baile poderia levar  algo ruim?" eu caminhei at o congelador e peguei uma caixa de waffles congelados. "Cuspe vai voar da boca
dele e pousar na minha? Ele vai me trazer flores, e uma abelha vai disparar para fora e me picar?"
"Frankie, para. Voc no assistiu ao noticirio matutino?"
"Num sbado? Acho que no."
Yun Sun fez um som como que engolindo em seco.
"Yun Sun, voc est chorando?"
"Noite passada...Will escalou a torre de gua," ela disse.
"O qu?!" A torre de gua tinha facilmente mais que 90 metros, com uma placa na parte inferior que proibia qualquer um de subir. Will sempre falava em escala-la
at o topo, mas ele nunca tinha porque sempre seguia as regras.
"E a grade devia estar molhada...ou talvez tenha sido o relmpago, eles no sabem ainda..."
"Yun Sun. O que aconteceu?"
"Ele estava pichando alguma coisa na torre, o idiota estpido, e -"
"Pichando? Will?"
"Frankie, d pra voc calar a boca? Ele caiu! Ele caiu da torre de gua!"
Eu agarrei o telefone. "Jesus. Ele est bem?"
Yun Sun estava impossibilitada de falar por causa do choro. Que eu entendia, claro. Will era amigo dela, tambm. Mas eu precisava que ela se recomposse.
"Ele est no hospital? Eu posso visit-lo? Yun Sun!"
Houve lamentos, e ento um barulho de troca. A Sra. Yomiko tomou conta.
"Will morreu, Frankie," ela disse. "A queda, o jeito como ele caiu...ele no sobreviveu."
"Perdo...o qu?"
"Chen est a caminho de te pegar. Voc vai ficar conosco, sim? Por quanto tempo quiser."
"No," eu disse. "Quer dizer...eu no..." A caixa de waffles caiu da minha mo. "Will no morreu. Will no poderia ter morrido?"
"Frankie," ela disse, sua voz estava infinitamente triste.
"Por favor no diga isso," eu disse. "Por favor no soe to..." Eu no entendia como fazer a minha mente funcionar.
"Eu sei que voc o amava. Todos ns amvamos."
"Espera" eu disse. "Pichar? Will no picha. Isso  algo que algum maconheiro faria, no o Will."
"Vamos levar voc pra casa. Ns conversaremos ento."
"Mas o que ele estava pichando? Eu no entendo!"
A Sra. Yomiko no respondeu.
"Deixe-me falar com a Yun Sun," eu implorei. "Por favor! Coloque a Yun Sun no telefone!"
Houve um abafado som de troca. Yun Sun voltou ao telefone.
"Eu vou te dizer," ela disse. "Mas voc no quer saber."
Um pressentimento gelado se espalhou sobre mim, e de repente, eu no queria saber.
"Ele estava pichando uma mensagem. Era isso que ele estava fazendo l em cima." Ela hesitou. "Dizia, 'Frankie, voc quer ir ao baile comigo?'"
Eu afundei no cho, perto de uma caixa de waffles. Por que tinha uma caixa de waffles no cho da cozinha? "Frankie?" Yun Sun disse. Um som metlico, distante. "Frankie,
voc est a?"
Eu no gostava daquele som metlico. Eu apertei o boto de desligar para que ele fosse embora.
Will foi enterrado no Cemitrio Chapel Hill. Eu me sentei, entorpecida, durante todo o funeral, que tinha o caixo fechado porque o corpo do Will estava muito mutilado
para ser visto. Eu queria dizer adeus, mas como se diz adeus para uma caixa? No terreno do tmulo, eu assiste enquanto a me de Will jogou um punhado de terra no
buraco aonde Will jazia. Foi horrvel, mas o horror parecia distante e irreal. Yun Sun apertou a minha mo. Eu no apertei de volta.
Choveu naquela noite, um chuva gentil de primavera. Eu imaginei o terreno, mido e frio, em volta do caixo do Will. Eu pensei em Fernando, cujo crnio Madame Zanzibar
tinha libertado aps seu caixo ter se desviado na terra molhada. Eu lembrei a mim mesma que a parte leste do cemitrio, aonde Will estava enterrado, nunca estava
com a jardinagem arrumada. E  claro existem maneiras modernas de se roubar sepulturas atualmente, mais eficientes do que homens com ps.
O caixo de Will no iria ser desenterrado. Era impossvel.
Eu fiquei com Yun Sun por quase duas semanas. Meus pais foram chamados, e eles se ofereceram para voltar de Botsuana. Eu disse que no pra eles. Que bem isso faria?
A presena deles no traria Will de volta.
Na escola, nos primeiros dias, a garotada falava em tons abafados e me encarava quando eu passava. Alguns pensavam que era romntico, o que Will tinha feito. Outros
achavam que era estpido. "Uma tragdia" era a frase usada mais frequentemente, dita em tons de luto.
Quanto a mim, eu assombrava os corredores como uma viva morta. Eu teria cabulado, mas ento eu teria sido encurralado pelo orientador e forada a falar sobre os
meus sentimentos. O que no ia acontecer. Meu sofrimento era s meu, um esqueleto que iria cachoalhar pra sempre dentro de mim.
Uma semana depois da morte do Will, e exatamente uma semana antes do baile, a garotada comeou a falar menos sobre o Will e mais sobre vestidos e reservas de jantar
e limusines. Uma garota plida da aula de qumica do Will ficou chateada e disse que o baile deveria ser cancelado, mas outros argumentaram que no, o baile devia
continuar. Era o que Will iria querer.
Yun Sun e eu fomos consultadas, j que ns ramos as melhores amigas dele. (E j que eu, apesar de no terem dito isso, era a garota pela qual ele tinha morrido.)
Os olhos da Yun Sun se encheram com lgrimas, mas aps um momento instvel, ela disse que seria errado estragar os planos de todo mundo, que ficar sentado em casa
de luto no faria bem a ningum.
"A vida continua," ela disse. O namorado dela, Jeremy, concordou. Ele colocou seu brao ao redor dela e a puxou para perto.
Lucy, presidente do comit do baile, colocou a mo sobre seu corao.
" verdade," ela disse. Ela se virou para mim com uma expresso excessivamente solcita. "E quanto a voc, Frankie? Voc acha que pode endossar isso?"
Eu dei de ombros. "Que seja."
Ela me abraou, e eu fiquei assustada.
"Tudo bem, gente, est de p!" ela chamou, bloqueando a rea pblica. "Trixie, volte a trabalhar nas cerejeiras. Jocelyn, diga  mulher do Paper Affair que precisamos
de uma centena de fitas azuis e no aceite no como resposta!"
Na tarde da dana, duas horas antes da hora de Jeremy buscar Yun Sun, eu comprimi as minhas coisas na minha mochila militar e disse a ela que eu estava indo pra
casa.
"O qu?" ela disse. "No!" Ela abaixou um rolo quente para cabelos. A maquiagem dela descansava  sua frente na penteadeira, o glitter corporal da Babycakes e o
gloss Dewberry dela, e o vestido dela estava pendurado no gancho da porta aberta do banheiro. Era lils, com um decote corao. Era maravilhoso.
"Est na hora," eu disse. "Obrigada por ter me deixado ficar por tanto tempo...mas est na hora."
A boca dela se virou pra baixo. Ela queria discutir, mas ela sabia que era verdade. Eu no estava feliz aqui. Esse no era o ponto - eu no iria ser feliz em lugar
algum - mas ficar me movendo lentamente e sem propsito pela casa dos Komiko estava me fazendo sentir aprisionada e fazendo a Yun Sun se sentir impotente e culpada.
"Mas  o baile," Yun Sun disse. "No vai ser estranho, ficar sozinha na sua casa na noite do baile?" Ela veio at mim. "Fique at amanh. Eu vou ser silenciosa quando
eu chegar, eu juro. E eu prometo no ficar falando sem parar sobre...voc sabe. O ps-festa e quem ficou com quem e quem desmaiou no banheiro das meninas."
"Voc deveria falar sem parar sobre essas coisas, de qualquer forma," eu disse. "Voc deveria ficar fora at quando quiser e voltar fazendo o barulho que quiser
e ser eufrica e desajeitada." Inesperadamente, meus olhos se encheram de gua. "Voc deveria, Yun Sun."
Ela tocou o meu brao. Eu me afastei, mas em uma maneira que eu esperava que fosse no-bvia.
"Como voc deveria, Frankie," ela disse.
"...bem," eu arremessei a minha mochila nos meus ombros.
"Me ligue a qualquer hora," ela disse. "Eu vou deixar o meu celular ligado, at na dana."
"Est bem."
"E se voc mudar de idia, se voc decidir que quer ficar -"
"Obrigada."
"Ou at se voc decidir ir ao baile! Todos ns queremos voc l - voc sabe disso, certo? No importa se voc no tem um par."
Eu recuei. Ela no quis dizer aquilo como soou, mas certamente importava que eu no tinha um par, porque esse par seria o Will. E eu no o tinha no porque ele gostava
de outra garota ou porque estava sofrendo de um caso terrvel de gripe, mas porque ele estava morto. Por minha causa.
"Oh Deus," Yun Sun disse. "Frankie..."
Eu rejeitei ela. Eu no queria mais nenhum toque. "Est tudo bem."
Ns ficamos em uma bolha de falta de jeito.
"Eu sinto a falta dele, tambm, sabe," ela disse. Eu concordei. Ento eu fui embora.

Eu retornei para a minha casa vazia para descobrir que no tinha energia eltrica. Perfeito. Isso acontece mais frequentemente do que deveria: temporais a tarde
jogam trs galhos contra os transformadores, e vizinhanas inteiras ficam sem energia por muitas horas. Ou a energia acaba sem razo aparente. Talvez muitas pessoas
estivessem com o ar condicionado ligado e os circuitos ficaram sobrecarregados, essa era a minha teoria. A teoria do Will era fantasmas, ha ha ha. "Eles vieram para
estragar o seu leite," ele diria em uma voz fantasmagrica
Will.
Minha garganta apertou.
Eu tentei no pensar nele, mas era impossvel, ento eu o deixei existir comigo na minha mente. Eu fiz um sanduche de pasta de amendoim para mim mesma, que eu no
comi. Eu subi as escadas e deitei na minha cama sem abaixar as cobertas. As sombras se aprofundaram. Uma coruja piou. Eu encarei o meu teto at no mais poder distinguir
as fendas das teias de aranha.
No escuro, meus pensamentos foram  lugares que no deveriam. Fernando. Madame Zanzibar. Voc  como todos os outros, no ? Desesperada por um romance de parar
o corao?
Foi aquele mesmo desespero que deu luz ao meu plano estpido da Madame Zanzibar e meu mais estpido ainda pedido. Foi o que incitou o Will a agir. Se ao menos eu
nunca tivesse pego aquele maldito ramo de flores!
Eu engoli de imediato. Oh meu Deus - o maldito ramo de flores!
Eu peguei meu celular e apertei o "trs", o nmero de discagem rpida da Yun Sun. "Um" era pra mame e o papai; "dois" era pro Will. Eu ainda no tinha deletado
o nome dele, e agora eu no iria mais precisar.
"Yun Sun!" eu gritei quando ela atendeu.
"Frankie?" ela disse. "S.O.S." da Rihanna retumbava no fundo. "Voc est bem?"
"Eu estou tima," eu disse. "Mais do que tima! Quer dizer, a energia acabou, est escuro que nem piche, e eu estou totalmente sozinha, mas que seja. Eu no vou
ficar mais por muito tempo." Eu ri e tateei meu caminho at o hall.
"H?" Yun Sun disse. Mais barulho. Pessoas rindo. "Frankie, eu mal consigo te ouvir."
"O ramo de flores. Eu ainda tenho dois pedidos sobrando!" Eu corri escada abaixo, me movimentando com regozijo.
"Frankie, do que voc-"
"Eu posso traze-lo de volta, voc no entende? Tudo vai ser bom novamente. Ns podemos at mesmo ir para o baile!"
A voz da Yun Sun ficou mais aguda. "Frankie, no!"
"Eu sou to idiota - por que eu no pensei nisso antes?"
"Espere. No faa isso, no faa o -" Ela se desligou. Eu escutei um "opa," seguido de desculpas bebadas e algum dizendo, "Oh, amei o seu vestido!" Parecia que
todos estavam se divertindo. Eu logo estaria me divertindo com eles.
Eu cheguei ao escritrio e me aproximei da estante de livros aonde eu tinha deixado o ramo de flores. Eu dei tapinhas no alto dos livros e no espao atrs deles.
Meus dedos encontraram a suavidade, como ptalas de pele.
"Estou de volta," Yun Sun disse. Os sons de fundo haviam diminudo, sugerindo que ela tinha ido pra fora. "E, Frankie, eu sei que voc est magoada. Eu sei disso.
Mas o que aconteceu com o Will foi s uma coincidncia. Uma terrvel, terrvel coincidncia."
"Chame do que quiser," eu disse. "Vou fazer meu segundo pedido." Eu arranquei o ramo de flores de detrs dos livros.
A ansiedade de Yun Sun se intensificou. "Frankie, no, voc no pode!"
"Por que no?"
"Ele caiu de mais de 90 metros! O corpo dele estava...disseram que ele estava mutilado alm...era por isso que o caixo estava fechado, lembra-se?"
"E da?"
"Ele esteve apodrecendo em um caixo por treze dias!" ela gritou.
"Yun Sun, que coisa mais inapropriada de se dizer. Honestamente, se fosse o Jeremy que estivesse sendo trazido de volta  vida, ns estaramos mesmo tendo essa conversa?"
Eu atrai as flores para o meu rosto, tocando levemente as ptalas com os meus lbios. "Escuta, eu tenho que ir. Mas guarde um pouco de ponche pra mim! E pro Will!
Ooo, guarde um monte de ponche pro Will - eu aposto que ele vai estar louco de sede!"
Eu fechei meu celular. Eu segurei o ramo de flores para cima.
"Eu desejo que Will esteja vivo novamente!" eu gritei de forma exultante.
O fedor de desintegrao engrossou o ar. O ramo de flores se enrolou, como se as ptalas estivessem se encolhendo nelas mesmas. Eu o arremessei pra longe no piloto
automtico, do modo como eu me livraria de uma lacrainha que se arriscaria a pousar na minha mo. Mas que seja. O ramo de flores no era importante. O que era importante
era o Will. Aonde ele estava?
Eu olhei ao redor, esperando ridiculamente que ele estivesse sentado no sof, olhando pra mim tipo Voc est com medo de um bando de flores mortas? Pattico!
O sof estava vazio, uma deprimente e avultante figura na parede.
Eu me lanei  janela e espreitei. Nada. Somente o vento, sacudindo as folhas nas rvores.
"Will?" eu disse.
De novo nada. Um poo enorme de decepo se abriu dentro de mim, e eu me afundei na poltrona de couro do meu pai.
Frankie estpida. Estpida, tola, pattica eu.
O tempo passou. As cigarras gorjeavam.
Cigarras estpidas.
E ento, to fraco, um baque. E ento outro. Eu endireitei a minha espinha dorsal.
Cascalhos estalaram na estrada...ou talvez fosse na garagem. Os baques ficaram mais prximos. Eles eram forados e com a estranha excentricidade de um manco, ou
de algo sendo arrastado.
Eu me estiquei para escutar.
L - um baque, a 3 metros da varanda. Um baque que era nitidamente inumano.
Minha garganta fechou assim que as palavras de Yun Sun se arrastaram de volta para mim. Mutilado, ela tinha dito. Apodrecendo. Eu no estava prestando ateno antes.
Agora era tarde demais. O que eu havia feito?
Eu pulei da poltrona e escapei para a entrada do hall, salva dos olhos de qualquer um - ou qualquer coisa - que escolhesse espreitar pelas amplas janelas do escritrio.
O que, exatamente, eu tinha trazido de volta  vida?
Uma batida ecoou pela casa. Eu choraminguei, e ento rapidamente lancei minha mo sobre a minha boca.
"Frankie?" uma voz chamou. "Eu estou, uh...ai. Eu estou uma baguna." Ele riu usando sua risada autodepreciativa. "Mas eu estou aqui. Isso que importa. Eu estou
aqui pra te levar ao baile!"
"Ns no temos que ir ao baile," eu disse. Essa era eu soando to estridente? "Quem precisa de baile? Quer dizer, falando srio!"
", claro, isso da garota que mataria pela noite romntica perfeita." A maaneta se agitou. "Voc no vai me deixar entrar?"
Eu hiperventilei.
Houve uma seqncia de algo caindo, como morangos maduros demais sendo jogados no lixo, e ento, "Ah, cara. Isso no foi bom."
"Will?" eu sussurrei.
"Isso no  nada legal...mas voc tem algum removedor de manchas?"
Puta merda. Puta, puta, puta merda.
"Voc no est nervosa, est?" Will perguntou. Ele parecia preocupado. "Eu vim o mais rpido que pude. Mas foi to estranho, Frankie. Porque, tipo..."
Minha mente foi parar em caixes sem ar, enterrados no cho. Por favor, no, eu pensei.
"Esquee. Foi estranho - vamos colocar dessa maneira." Ele tentou deixar as coisas mais animadas. "Agora, voc vai me deixar entrar ou o qu? Eu estou caindo aos
pedaos aqui fora!"
Eu pressionei o meu corpo contra a parede do hall. Meus joelhos entortaram, eu no estava me saindo muito bem no controle de msculos, mas eu me lembrei de que estava
a salvo atrs da slida porta da frente. O que quer que ele fosse, Will ainda era de carne e osso. Bem, parcialmente. Mas ainda no um fantasma que pudesse se mover
atravs de paredes.
"Will, voc tem que ir," eu disse. "Eu cometi um erro, est bem?"
"Um erro? O que voc quer dizer?" A confuso dele partiu o meu corao.
" s que...oh Deus." Eu comecei a chorar. "Ns no somos mais certos um para o outro. Voc entende, no ?"
"No, eu no entendo. Voc queria que eu te convidasse pro baile, ento eu te convidei pro baile. E agora sem razo nenhuma...ohhh! Entendi!"
"Entendeu?"
"Voc no quer que eu te veja!  isso, no ? Voc est nervosa sobre a sua aparncia!"
"Hm..." Eu deveria continuar com isso? Eu deveria dizer sim para que ele fosse embora?
"Frankie. Cara. Voc no tem nada do que se preocupar." Ele riu. "Um, voc  linda; e dois, comparada a mim, no tem jeito de voc no se parecer com...eu no sei,
um anjo do cu."
Ele soava aliviado, como se ele tivesse um sentimento trivial de que algo estava errado, mas no conseguisse dizer o que. Mas agora ele sabia: era a Frankie tendo
problemas de auto-estima, s isso! Frankie boba!
Eu escutei um arrastamento de ps, e ento o bum de uma pequena tampa feita de madeira. Meu corpo ficou tenso, porque eu conhecia aquele bum.
A caixa de leite - droga. Ele se lembrou da chave na caixa de leite.
"Eu estou entrando," ele chamou, com uma imensa queda na porta da frente. "Est bem, Franks? Porque de repente eu estou, tipo, morrendo de vontade de te ver!"
Ele riu, jubilante. "Quer dizer, espera, isso saiu errado...mas, diacho, acho que esse  o tema da noite. Tudo est saindo errado - e eu quero mesmo dizer tudo!"
Eu escapei para o escritrio, aonde eu fiquei de quatro e freneticamente dei tapas no cho. Se ao menos no estivesse to escuro!
A fechadura ficou presa, e Will balanou a chave. A respirao dele estava coagulada. "Estou chegando, Frankie!" ele chamou. Balano, balano. "Eu estou chegando
o mais rpido que posso!"
Meu medo aumentou tanto que eu fui jogada em um alterado estado de realidade. Eu estava arfando e chorando, eu podia me ouvir, e minhas mos eram antenas cegas,
tocando e batendo enquanto eu engatinhava.
Com um estrondo, a fechadura se abriu.
"Sim," Will vociferou.
A porta assobiou em cima do gasto tapete no exato instante em que meus dedos se fecharam no ramo de flores em desintegrao.
"Frankie? Por que est to escuro? E por que voc no est -"
Eu fechei meus olhos e pronunciei meu pedido final.
Todos os sons pararam, salvo pelo farfalhar do vento nas folhas. A porta, continuando sua lenta trajetria, bateu com fora contra a ombreira da porta. Eu permaneci
aonde eu estava no cho. Eu chorei, porque meu corao estava partindo. No, meu corao estava partido.
Aps vrios instantes, as cigarras novamente retomaram seu coro nostgilco. Eu me levantei, tropecei pela sala, e fiquei, tremendo, na entrada aberta. L fora, um
raio plido da luz do luar brilhou na estrada vazia.



FIM

























Kim Harrison - Madison Avery e o Turvo Anjo da Morte
(Madison Avery and the Dim Reaper)



Captulo Um


Se um general britnico, uma donzela em um vestido, e um pirata entram no ginsio, eu pensei enquanto olhava os corpos se mexendo em um montono caos de reprimida,
inexperiente, luxria adolescente. Deixe com a Covington High para tranformar o baile em uma piada. Para no mencionar o meu aniversrio de dezessete anos. O que
eu estava fazendo aqui?
O baile deveria ser vestidos de verdade com uma banda ao vivo, no fantasias alugadas com msica enlatada e fitas. E meu aniversrio deveria ser...qualquer coisa
menos isso.
"Voc tem certeza de que no quer danar?" Josh berrou no meu ouvido, mandando seu hlito aucarado para mim. Eu tentei no fazer careta, mantendo meu olhar no relgio
ao lado do placar do ginsio e me perguntando se uma hora era longa o suficiente para ficar e no ter que enfrentar a difcil investigao do meu pai. A msica era
maante - o mesmo ritmo de pancada de novo, e de novo, e de novo. Nada de novidade nos ltimos quarenta minutos. E o baixo estava alto demais.
"Aham," eu disse, me esquivando a tempo com a msica quando a mo dele tentou deslizar para a minha cintura. "Ainda no quero danar."
"Algo para beber?" ele tentou novamente, e eu inclinei meu quadril, cruzando meus braos para esconder meu colo. Eu ainda estava esperando pela fada dos seios aparecer,
mas o espartilho do vestido empurrava tudo para cima e junto para fazer parecer que eu tinha mais do que eu tinha, me deixando constrangida.
"No, obrigada," eu disse com um suspiro. Ele provavelmente no me ouviu, mas ele entendeu a idia central, pelo modo como ele desviou o olhar, assistindo todo mundo
se mover. Longos vestidos de salo de baile e fantasias reduzidas de garonetes se misturavam com piratas fanfarres e marinheiros. Esse era o tema do baile. Piratas.
Deus! Eu tinha trabalhado por dois meses no comit do baile na minha antiga escola. Teria sido tremendamente fantstico, com uma barca iluminada pela lua e uma banda
de verdade, mas no-o-o-o. Mame tinha dito que o papai precisava passar algum tempo comigo. Que ele estava passando por uma crise de meia-idade e tinha que se reconectar
com algo do seu passado que no envolvesse discusso. Eu acho que ela s ficou assustada quando me pegou escapulindo para um cappuccino tardio e me enviou para o
papai e Dullsville EUA sabendo que eu escutaria mais ele do que ela. Tudo bem, ento tinha sido depois da meia-noite. E eu talvez estivesse atrs de algo mais do
que cafena. E , eu j estava de castigo por ter ficado fora at muito tarde no fim de semana anterior, mas era por isso que eu tive que escapulir.
Correndo a rgida renda do meu vestido colonial pelos meus dedos, eu me perguntei se alguma dessas pessoas tinha idia de como uma festa de verdade se parecia. Talvez
eles no ligassem.
Josh estava parado um pouco a minha frente, sacudindo sua cabea no ritmo da msica e claramente querendo danar. Na mesa ao lado estava o cara que tinha se esgueirado
depois de ns. Ele estava olhando na minha direo, e eu encarei ele, me perguntando se ele estava atrs de mim ou do Josh. Vendo que eu prestava ateno nele, o
cara virou o rosto para o outro lado.
Meu olhar recaiu no Josh, que tinha comeado a quase danar na metade do caminho entre eu e as pessoas que se moviam. Na verdade, meditei enquanto ele mexia e sacudia
sua cabea com a msica, a fantasia dele deixava sua magra, estranha altura trabalhar em seu favor - uma roupa tradicional vermelha e branca de general britnico,
completa com uma espada falsa e medalhas militares. Idia do pai dele, provavelmente, j que ele era o VIP dos VIPs na instalao de pesquisa que tinha mantido todos
empregados quando a base militar se mudou do Arizona, mas combinava com o negcio da renda-e-espartilho exagerados que eu vestia.
"Vamos. Todos os outros esto danando," ele persuadiu quando me viu olhando para ele, e eu balancei a cabea, quase sentindo pena dele. Ele me lembrava dos caras
no clube de fotografia que fingiam que a porta da cmara escura tinha trancado para tentar conseguir um pouco de ao. S que no era justo. Eu tinha passado trs
anos aprendendo como me encaixar com as garotas legais, e agora eu estava de volta com os caras bonzinhos mas impopulares, massacrando bolinhos no ginsio. E no
meu aniversrio, tambm.
"No," eu disse sem rodeios. Traduo: Desculpa, eu no estou interessada. Voc pode igualmente desistir.
At o cabea-dura, estranho, culos quebrado do Josh entendeu essa, e ele parou sua quase-dana para fixar seus olhos azuis em mim. "Jesus, voc  uma vaca, sabia
disso? Eu s te chamei porque o meu pai me obrigou. Se voc quiser danar, eu vou estar ali."
Minha respirao se complicou, e eu olhei boquiaberta para ele como se ele tivesse me socado no intestino. Ele desdenhosamente levantou suas sobrancelhas e foi embora
com as mos nos bolsos e o queixo levantado. Duas garotas se separaram para que ele pudesse andar no meio delas, e elas se curvaram na direo uma da outra no despertar
dele, fofocando enquanto olhavam para mim.
Oh meu Deus. Eu sou o par dele por pena. Pestanejando rpido, eu segurei minha respirao enquanto lutava para impedir a sala de ficar desfocada. Bosta, no somente
eu era a garota nova, mas eu era um par por pena! Meu pai tinha falado bem para o chefe dele, e ele fez o seu filho me chamar.
"Filho de uma cachorra" eu sussurrei, me perguntando se todo mundo estava olhando para mim ou se era s a minha imaginao. Eu enfiei meu curto cabelo loiro atrs
da orelha e fui para trs em direo a parede. Me inclinando contra ela com meus braos cruzados, eu tentei fingir que Josh tinha ido pegar uma gasosa. Por dentro,
eu estava morrendo. Eu tinha sido rejeitada. No, eu tinha sido rejeitada por um nerd.
"Parabns, Madison," eu disse azedamente, s imaginando as fofocas na segunda. Eu localizei Josh na mesa da comida, fingindo me ignorar sem ser bvio sobre isso.
O cara no uniforme de marinheiro que tinha nas seguido estava falando com ele. Eu ainda no achava que ele era um dos amigos do Josh, mesmo ele se acotovelando e
apontando para as garotas que danavam em vestidos curtos demais para os giros que faziam. Que eu no reconhecesse ele no era de se surpreender j que eu estava
evitando todo mundo pela simples razo de eu no estar feliz aqui e de eu no me importar que todos soubessem disso.
Eu no era uma atleta ou uma nerd - embora eu tenha pertencido ao clube de fotografia na minha terra. Apesar dos esforos, eu aparentemente no me encaixava com
as bonecas Barbie. E eu no era gtica, um crnio, viciada em drogas, ou uma das crianas que queria brincar de cientista que nem sua mame ou papai na instalao
de pesquisa. Eu no me encaixava em lugar nenhum.
Correo, eu pensei enquanto Josh e o marinheiro riam. Eu me encaixava com as vacas.
O cara seguiu o outro grupo de garotas, que estavam agora dando risadas por causa de algo que Josh tinha dito, que tinha a ateno do Josh. Seu cabelo castanho era
cacheado debaixo do seu chapu de marinheiro, e seu claro uniforme branco o fazia parecer com todos os outros caras que tinham escolhido marinheiro ao invs de pirata.
Ele era alto, e tinha uma silenciosa graa em seus movimentos que dizia que ele tinha parado de crescer. Ele parecia mais velho do que eu, mas ele no podia ser
muito mais velho. Era o baile.
E eu no tenho de estar aqui, eu pensei de repente, me empurrando da parede com meus cotovelos. Josh era a minha carona para casa, mas meu pai iria me buscar se
eu ligasse.
Meu impulso de me contorcer pela multido para as portas duplas diminui em preocupao. Ele iria perguntar por que Josh no tinha me levado pra casa. Tudo iria se
revelar. Eu conseguia lidar com o sermo para ser boa e me enturmar, mas o embaraamento...
Josh estava me observando quando eu olhei pra cima. O cara com ele estava tentando conseguir sua ateno, mas os olhos de Josh estavam em mim. Zombando de mim.
Isso bastou. De jeito nenhum que eu iria ligar pro meu pai. E eu no ia entrar em um cara com o Josh, tampouco. Eu iria andar. Todos os oito quilmetros. De salto.
E com um vestido longo de algodo. Numa noite mida de abril. Com os meus seios amassados juntos. Qual era a pior coisa que poderia acontecer? Um incidente com uma
vaca fugitiva? Bosta, eu sentia mesmo falta do meu carro.
"Parabns, garota," eu resmunguei, reunindo minha deciso junto com o meu vestido, de cabea baixa enquanto os meus ombros trombavam com danarinos no caminho para
a porta. Eu estava totalmente fora daqui. As pessoas estavam falando, mas eu no ligava. Eu no precisava de amigos. Amigos eram superestimados.
A msica derreteu em algo rpido, e eu levei a minha ateno para cima quando a multido pareceu se mexer, desastradamente mudando de ritmo. Eu dei um solavanco
para parar quando percebi que estava a um passo de atropelar algum. "Desculpa!" eu berrei por cima da msica, ento congelei, encarando. Minha nossa, Sr. Capito
Pirata Sexy. Aonde ele esteve nas ltimas trs semanas, e tinham mais de onde ele veio?
Eu nunca o havia visto antes. No em todo o tempo que eu fiquei presa na cidade. Eu teria me lembrado. Talvez me manifestado um pouco mais. Ruborizando, eu deixei
a minha saia cair para mover a minha mo para o meu colo. Deus, eu me sentia como uma prostituta britnica com tudo impulsionado daquele jeito. O cara estava vestido
em uma fantasia preta pegajosa de pirata, um pingente de pedra cinza descansando em seu peito. Eu podia ver aonde o colar se partia. Uma mscara do estilo Zorro
escondia a metade superior do seu rosto. A longa cauda de seda arrastava-se pelas suas costas para se misturar com seu estimulante e ondulante cabelo preto. Ele
era mais alto do que eu por volta de doze centmetros, e enquanto eu subia meu olhar por sua magra figura, eu me perguntei aonde ele esteve se escondendo.
Certamente no na sala da banda ou na aula de Governo Americano da Sra. Fairel, eu pensei enquanto as luzes que giravam paravam em mim.
"Minhas desculpas," ele disse, tomando a minha mo, e minha respirao complicou-se, no porque ele estava tocando em mim, mas porque seu sotaque no era do meio-oeste.
Era meio que uma exalao devagar e suave entrelaada com uma ligeira preciso que transparecia bom gosto e sofisticao. Eu quase podia ouvir o tinir de cristal
e de uma risada suave nele, os sons confortantes que mais vezes do que no tinham me ninado enquanto as ondas pressionavam na praia.
"Voc no  daqui," eu falei impulsivamente enquanto me inclinava para ouvi-lo melhor.
Um sorriso cresceu, sua pele escura e seu cabelo moreno eram quase um blsamo, to familiar no meio de tantos rostos plidos e cabelos claros da priso do meio-oeste
em que eu estava. "Eu estou aqui temporariamente," ele disse. "Um estudante estrangeiro, numa maneira de falar. Bem como voc." Ele olhou desdenhosamente para as
pessoas que se moviam ao nosso redor com pouco ritmo e menos ainda originalidade. "H muitas vacas aqui, no acha?"
Eu ri, rezando para no soar como uma estranha descerebrada. "Sim!" eu quase berrei, puxando-o para baixo para falar no ouvido dele por causa do barulho. "Mas eu
no sou uma estudante estrangeira. Eu me mudei pra c da Flrida. Minha me mora l no litoral interno, mas agora eu estou presa aqui com o meu pai. Eu concordo.
Voc est certo,  horrvel! Pelo menos voc pode ir pra casa."
E aonde  casa, Sr. Pirata Sexy?
Um palpite de mar baixa e gua canalizada foi levado pela correnteza at mim, erguendo-se dele como uma memria. E apesar de que alguns possam achar isso desagradvel,
lgrimas perfuraram meus olhos. Eu sentia falta da minha antiga escola. Eu sentia falta do meu carro. Eu sentia falta dos meus amigos. Por que a mame tinha ficado
balstica?
"Casa, sim," ele disse, e um intoxicante sorriso mostrou uma pitada de lngua quando ele lambeu os lbios e se indireitou. "Ns devamos sair da pista. Ns estamos
no caminho da dana...deles."
Meu corao golpeou mais forte. Eu no queria me mover. Ele poderia ir embora, ou pior, algum poderia escorregar seu brao no dele, reinvindicando-o. "Voc quer
danar?" eu disse, nervosa. "No  com o que estou acostumada, mas tem uma boa batida."
O sorriso dele se ampliou, e o alvio fez a minha pulsao ficar mais rpida. Oh Deus. Eu acho que ele gosta de mim. Largando da minha mo, ele concordou, e ento
deu um passo para trs e comeou a se mover.
Por um momento, eu esqueci de segui-lo e s fiquei assistindo-o. Ele no era exibicionista. No, ele foi na direo contrria - seus movimentos lentos deixando uma
impresso muito maior do que se ele tivesse limpado a pista me girando por ela.
A msica era a moldura que ele movia por dentro, e eu me perdi tentando comparar ao padro dela. Quase oscilando, ns trocavamos a cada nova batida. Eu me deixei
relaxar e s danar, achando mais fcil se eu no pensasse sobre isso. Eu podia sentir cada mudana dos meus quadris e o levantar dos meus ombros - e um tremor de
algo comeou a crescer dentro de mim.
Enquanto todos ao nosso redor continuavam com movimentos afiados e rpidos, ns danavamos devagar, o espao entre ns estreitando, nossos olhares se fixando cada
vez mais no outro enquanto eu me tornava progressivamente segura de mim mesma. Eu o deixei me guiar enquanto a msica pulsava e meu corao golpeava com ela.
"A maioria das pessoas aqui me chama de Seth," ele disse, quase estragando o momento, mas ento a mo dele se encurvou ligeiramente na minha cintura, e eu me inclinei
para ele. Oh sim. Isso era melhor.
"Madison," eu disse, gostando de como me sentia, danando mais devagar que todos os outros. Mas a msica era rpida, com pancadas para fazer meu corao correr.
Os dois extremos s fizeram isso parecer mais ousado. "Eu no te vi por aqui. Voc  do ltimo ano?"
Os dedos do Seth apertaram o fino algodo do vestido, ou talvez ele s estivesse me atraindo para mais perto. "Eu sou o melhor da minha turma," ele disse, se inclinando
para que no tivesse que gritar.
As luzes coloridas brincaram em cima de mim, e eu me senti area. Josh podia ir embora que eu nem me importaria. Isso era o que o meu baile deveria ser. "Isso explica,"
eu disse, inclinando a minha cabea para ver os olhos dele e tentar posiciona-lo. "Eu sou do penltimo ano."
Ele sorriu com seus lbios fechados, e eu me senti pequena e protegida. Meu prprio sorriso cresceu. Eu podia sentir as pessoas comeando a nos assistir, a dana
deles ficando mais lenta quando eles se viravam. Eu esperava que Josh estivesse dando uma boa olhada. Chamar-me de vaca, ele iria?
Eu levantei meu queixo, ousando estender a mo e puxar Seth para perto, nossos corpos se tocando, em seguida se separando. Meu corao martelava pelo o que eu estava
fazendo, mas eu queria machucar o Josh. Eu queria que a fofoca de amanh fosse o quanto idiota ele tinha sido de ter se afastado de mim. Eu queria...algo.
As mos do Seth escorregaram suavemente para a minha cintura, nem prendendo ou exigindo, me libertando para danar como eu queria, e eu me deixei ir, os movimentos
se tornando mais sufocantes do que aqueles caipiras da roa jamais tinham visto na tv. Meus lbios estremeceram quando eu vi Josh e aquele menino marinheiro com
quem ele esteve falando todo esse tempo. O rosto de Josh estava branco de raiva, e eu sorri com afetao de volta.
"Voc quer que ele saiba que voc no est com ele?" Seth disse tristemente, e meu olhar foi empurrado para o olhar dele. "Ele te machucou," Seth disse, e sua mo
escura deixou um formigamento aonde tocou no meu queixo. "Voc deveria mostrar a ele o que ele perdeu." O momento oscilou, e apesar de eu saber que era vingativo,
eu me encontrei concordando.
Seth me libertou da hesitao, me puxando para ele com um gesto macio e ininterrupto. Ele iria me beijar. Eu sabia disso. Estava em cada movimento que ele fazia.
Meu pulso martelou, e eu inclinei minha cabea para cima para encontrar os lbios dele com os meus prprios, sentindo meus joelhos travarem. Ao nosso redor, as pessoas
diminuram para assistir, algumas rindo, algumas com inveja. Meus olhos se fecharam, e eu transferi meu peso para que ainda estivessemos danando enquanto nos beijvamos.
Era tudo o que eu queria. O calor me banhou aonde ele havia me tocado, entornando em mim como camadas, cada uma chamejando a medida que o toque dele se tornava mais
perto. Nunca eu tinha sido beijada assim, e eu no podia respirar, com medo de que iria estragar isso. Minhas mos estavam na cintura dele, e elas o seguraram mais
apertado enquanto ele segurava o meu maxilar com as mos, me segurando como se eu pudesse quebrar. Ele tinha gosto de fumaa de madeira. Eu queria mais - mas menino,
eu sabia que no devia.
Um som baixo elevou-se dele, mais suave do que um trovo distante. As mos dele apertaram, e adrenalina encravou atravs de mim. O beijo havia sido deslocado.
Alarmada, eu dei um solavanco para trs, sem flego mas me sentindo muito entusiasmada e alegre. Os olhos sombrios de Seth estavam fixados nos meus com um leve divertimento
que eu tinha arrancado.
" s um jogo," ele disse. "Ele est mais esperto agora. Bem como voc. Ele no vale a dor."
Eu pestanejei a medida que as luzes giravam furiosamente e a msica continuava, alta e intocada pelo nosso beijo. Tudo estava diferente, mas somente eu havia mudado.
Eu arranquei o meu olhar de Seth, minhas mos ainda na cintura dele por equilbrio. Havia manchas de cor nas bochechas do Josh, e ele parecia nervoso.
Eu levantei minhas sobrancelhas para ele. "Vamos," eu disse, unindo meu brao com o do Seth. Eu no achava que algum apareceria para desafiar a minha posio. No
depois daquele beijo.
Confiante, eu dei um passo para frente com Seth ao meu lado. Um caminho abriu, e eu me senti como uma rainha. Apesar da msica que golpeava e retumbava, todos nos
assistiram abrir caminho desimpedidos para as portas duplas decoradas com papis de embrulho marrons para parecer com as portas de carvalho de um castelo.
Plebeus, eu pensei quando Seth empurrou a porta para ela se abrir e o ar gelado da entrada me atingiu. A porta se fechou atrs de ns, e a msica entorpeceu. Eu
diminu at parar, saltos baixos se arrastando no azulejo. Tinha uma mesa coberta-com-tecido-de-papel contra a parede com uma mulher de olhar cansado checando os
ingressos. Para baixo mais adiante da entrada, trs crianas vadiavam na porta principal. A memria do nosso beijo voltou para mim, me fazendo ficar repentinamente
nervosa. Esse cara era maravilhoso. Por que ele estava comigo?
"Obrigada," eu murmurei, olhando para cima e para longe, ento ruboreci a medida que me perguntei se ele pudesse pensar que eu estava falando do beijo. "Quero dizer,
por me tirar dali com o meu orgulho intacto,' eu adicionei, corando mais intensamente.
"Eu vi o que ele fez." Seth nos balanou para nos movermos pela entrada para longe de todos e em direo ao estacionamento. "Era isso ou voc esvaziando o ponche
nas roupas dele. E voc..." Ele hesitou at que eu olhei para ele. "Voc quer que a sua vingana seja mais sutil que isso."
Um sorriso desleixado tomou conta de mim, mas eu no pude evitar. "Voc acha?"
Ele inclinou sua cabea, agindo muito mais velho do que ele deveria. "Voc tem uma carona pra casa?"
Eu dei um solavanco at parar, e ele deu mais um passo antes de se virar, seus olhos azuis-acinzentados amplos em alarme. Estava frio aqui fora, e eu disse a mim
mesma que era por isso que eu tive um arrepio repentino.
"Eu..sinto muito," ele disse, pestanejando e ficando parado. "Eu no quis dizer...eu fico com voc at voc arranjar algum pra vir. Voc no sabe nada sobre mim."
"No, no  isso," eu me apressei, embaraada pela minha repentina desconfiana. Eu olhei para trs para a mulher perto da porta do ginsio que estava nos assistindo
com um ocioso interesse. "Eu deveria ligar para o meu pai,  s. Informa-lo do que est acontecendo."
Seth sorriu, seus dentes brancos mostrando com veemncia. " claro."
Eu tateei pela bolsa que tinha vindo junto com esse vestido. Ele foi alguns centmetros para longe a medida que eu desenterrava o meu celular e o manuseava nervosamente,
tentando lembrar do nmero de casa. No houve resposta, e ambos viramos em direo ao barulho da porta do ginsio abrindo. Josh saiu de l, e minha mandbula se
enrijeceu.
A secretria eletrnica atendeu, e com urgncia, eu falei impulsivamente, "Oi, pai.  a Madison." D. "Eu vou pegar uma carona com o Seth..." Eu olhei para ele questionando
sobre seu sobrenome.
"Adamson," ele disse suavemente, seus olhos atrs da mscara fixados no Josh. Droga, ele tinha olhos lindos. E longos, sedutores clios.
"Seth Adamson," eu disse. "Josh acabou se revelando um babaca. Eu estarei em casa em poucos minutos, est bem?" Mas j que ningum estava realmente l, no havia
muito que meu pai pudesse dizer. Eu esperei como se tivesse escutando por um momento, ento acrescentei, "Eu estou be-e-e-em. Ele era um babaca,  s. Te vejo em
um minuto."
Satisfeita, eu fechei o telefone e o guardei, unindo meu brao com o brao do Seth e nos levando para a porta traseira quando Josh nos alcanou, seu sapato social
fazendo rudo no azulejo.
"Madison..." Ele estava irritado, e minha satisfao cresceu.
"Oi, Josh!" eu disse vivamente, minha tenso aumentando enquanto ele apressava o passo do meu outro lado. Eu no olhei para ele, e eu me senti ficando quente. "Eu
tenho uma carona para casa. Obrigada." Por nada, eu acrescentei nos meus pensamentos, ainda nervosa com ele. Ou com o meu pai, talvez, por ter armado isso.
"Madison, espera."
Ele pegou o meu cotovelo, e eu girei at parar. Josh congelou, se afastando e me soltando. "Voc  um babaca," eu disse, olhando a fantasia dele e pensando que ela
parecia podre agora. "E eu no sou o par de piedade de ningum. Voc pode...cair fora," eu improvisei, no querendo que Seth pensasse que eu xingava como um marinheiro.
Esticando-se, Josh agarrou o meu pulso e me puxou para longe com fora. "Me escuta," ele disse, e o medo nos olhos dele parou o meu protesto. "Eu nunca vi esse cara
antes. No seja estpida. Deixe-me lev-la para casa. Voc pode dizer o que que quiser aos seus amigos. Eu entro nessa junto."
Eu tentei tomar um insultado flego, mas o espartilho no me deixava, ento ao invs disso eu levantei o meu queixo. Ele sabia que eu no tinha amigos. "Eu liguei
pro meu pai. Eu vou ficar bem," eu disse, olhando sobre os ombros dele pro garoto alto naquela fantasia de marinheiro que tinha seguido o Josh para fora.
Ainda assim o Josh no desistia. Irritada, eu girei o meu brao, e quando eu me estiquei para agarrar o pulso dele numa posio de defesa pessoal, ele me soltou
como se soubesse disso. De olhos arregalados, ele deu um passo para trs. "Eu vou te seguir at em casa ento," ele disse, os olhos dando leves chicoteadas para
o Seth.
"Que seja," eu disse enquanto atirava o cabelo para trs, secretamente feliz e me perguntando se talvez Josh no fosse to ruim afinal de contas. "Seth, voc estacionou
no terreno baldio?"
Seth veio para frente, uma suave figura de graa e refinamento perto do plebeu que era Josh. "Por aqui, Madison." eu pensei ter visto uma insinuao de vitria nos
olhos dele enquanto os braos dele deslizavam atravs dos meus. No  de se estranhar. Ele obviamente tinha vindo ao baile sozinho, e agora seria Josh aquele que
estaria indo embora sozinho.
Eu me certifiquei que meus saltos estalavam rapidamente numa demonstrao de confiana feminina a medida que desciamos pela entrada para o remoto conjunto de portas.
O vestido me fazia sentir elegante, e Seth parecia fantstico. Josh e seu camarada silencioso deixavam rastros atrs de ns como figurantes em um filme de Hollywood.
Seth segurou a porta aberta para mim, deixando que os dois caras lidassem com a porta de vaivm sozinhos. O ar estava frio, e eu desejei ter implorado para o meu
pai por mais cinqenta dolres para conseguir um xale que combinava com essa roupa. Eu me peguntei se Seth me oferecia seu casaco se eu reclamasse.
A lua era uma mancha brumosa atrs das nuvens, e a medida que Seth me escoltava escada abaixo, eu podia ouvir Josh atrs de mim, falando suavemente com seu amigo
em um baixo, irrisrio tom. Meu maxilar trincou, e eu segui Seth at um luzidio carro preto estacionado ilegalmente no meio-fio. Era um conversvel, o seu teto aberto
para o cu nublado, e eu no pude evitar sorrir mais largamente. Talvez ns pudessemos dar uma volta antes dele me levar para casa. Frio ou no, eu queria ser vista
nesse carro, sentada perto do Seth, o vento no meu cabelo e a msica com potncia. Eu aposto que ele tem um timo gosto em msica.
"Madison..." Seth disse em convite, abrindo a porta para mim.
Sentindo-me estranha e especial ao mesmo tempo, eu relaxei no baixo assento da frente, meu vestido deslizando em couro suave. Seth esperou enquanto eu colocava o
resto da minha saia para dentro antes de gentilmente fechar a porta. Eu coloquei o cinto enquanto ele atravessava por trs do carro. A pintura preta cintilava na
baixa incandescncia das luzes de segurana, e eu passei os meus dedos pela suavidade, presunosa quando vi Josh correndo at seu carro.
Seth me assustou quando ele deslizou para trs do volante; eu no tinha nem mesmo escutado a porta abrir. Ele ligou o motor, e eu gostei do slido rudo dele. O
aparelho de som apareceu com algo agressivo. Os vocais no eram em ingls, mas isso s adicionava ao conjunto. As luzes do carro do Josh piscaram, e ns nos arrastamos
mais para frente, Seth dirigindo com uma mo.
Minha pulsao acelerou a medida em que eu olhava para ele atravs da luz fosca. O ar frio parecia pesado contra a minha pele, e a medida que ns acelervamos, o
vento achou seu caminho atravs do meu cabelo.
"Eu vivo em direo ao sul," eu disse quando ns chegamos na estrada principal, e ele virou para o caminho apropriado. Os faris de Josh balanavam atrs de ns,
e eu me arrumei no assento, desejando que Seth tivesse me oferecido seu casaco. Mas ele no tinha dito uma palavra ou olhado para mim desde que eu tinha entrado
no carro. Mais cedo, ele tinha sido confiantemente astuto. Agora era... expectativa? E apesar de eu no saber porque, um vagaroso sentimento de alarme se enraizou.
Como se estivesse sentindo isso, Seth se virou, dirigindo pela negra estrada sem olhar. "Tarde demais," ele disse suavemente, e eu senti meu rosto empalidecer. "Fcil.
Eu disse a eles que seria fcil quando voc fosse jovem e estpida. Quase no valeu o esforo. Certamente no foi nenhum divertimento."
Minha boca secou. "Perdo?"
Seth olhou para a estrada e de volta para mim. O carro comeou a ir mais rpido, e eu agarrei a maaneta da porta, pressionando para longe dele. "Nada pessoal, Madison.
Voc  um nome na lista. Ou devo dizer, uma alma para ser coletada. Um nome importante, mas um nome no obstante. Eles disseram que no poderia ser feito, e agora,
voc ser a minha admisso para uma corte mais alta, voc e sua pequena vida que agora no ira mais acontecer."
O que diabos? "Josh," eu disse, virando-me para as luzes que ficavam distantes a medida que Seth acelerava. "Ele est seguindo. Meu pai sabe aonde eu estou."
Seth sorriu, e eu tremi na viso do luar cintilando nos dentes dele. Todo o resto estava perdido em uma brumosa sombra da lua e no som agudo do vento. "Como se isso
fosse fazer diferena?"
Oh meu Deus. Eu estava sem sada. Minha intuio se apertou. "Pare o carro," eu disse rigorosamente, uma mo na porta, a outra segurando meu chicoteante cabelo para
longe dos meus olhos. "Pare o carro e me deixe sair. Voc no pode fazer isso. As pessoas sabem aonde eu estou! Pare o carro!"
"Parar o carro?" ele disse, sorrindo falsamente. "Eu vou parar o carro."
Seth mexeu sua perna, pisando no freio e virando o volante. Eu gritei, agarrando qualquer coisa. O mundo girou. Meu flego me deixou em um guincho a medida que o
estranho sentimento de barulho demais se misturava a cessao de solavanco. Ns tnhamos deixado a estrada. A gravidade puxava pelo lado errado. Pnico golpeou quando
eu percebi que o carro estava virando de ponta cabea.
Merda. Eu estava em um conversvel.
Eu abaixei a cabea, mos apertando a parte de trs do meu pescoo, rezando. Uma dura pancada me balanou e tudo ficou preto. Minha respirao foi comprenssada de
mim pela fora do golpe. Eu acho que eu estava de cabea pra baixo. Ento eu fui puxada com fora para o outro lado. O cu brilhou em cinza, e eu suguei o ar enquanto
o carro virava mais uma vez a medida que rolava aterro abaixo. De novo, o cu ficou preto e o teto do carro atingiu o cho. "No!" eu gritei, indefesa, ento gemi
quando o carro bateu at parar, na vertical. Eu fui arremessada contra o cinto de segurana, agonia me apunhalando pelas minhas costas a medida que eu era jogada
para frente.
Estava quieto. Respirar doa. Oh Deus, doa por toda parte, e eu encarei o pra-brisa estilhaado enquanto ofegava. As novas bordas da janela cintilavam estupidamente
no luar, e eu segui a linha rompida at o pra-lama para descobrir que Seth tinha sumido. Minhas estranhas doam. Eu no via sangue, mas eu acho que quebrei algo
por dentro. Eu estava viva?
"Madison!" veio distante sobre a minha spera respirao. "Madison!"
Era Josh, e eu forcei meus olhos para cima para as bolas de luz gmeas no topo do aterro. Uma figura indistinta estava deslizando para baixo. Josh.
Eu tomei flego para chama-lo, gemendo quando algum pegou a minha cabea e me virou para o outro lado.
"Seth?" eu sussurrei. Ele parecia intocado, parado fora do carro arruinado do lado da minha porta em sua fantasia de pirata de seda preta. A lua capturou seus olhos
e pingente, dando a ambos um resplendor cinza.
"Ainda viva," ele disse categoricamente, e lgrimas comearam a escorregar de mim. Eu no podia me mover, mas tudo era uma dor macia ento eu no achei que estivesse
paralizada. Maldio, esse era uma porcaria de aniversrio. Papai iria me matar.
"Eu me machuquei," eu disse, minha voz pequena, ento pensei, Que coisa estpida de se dizer.
"Eu no tenho tempo para isso," Seth disse, claramente incomodado.
Meus olhos se ampliaram, mas eu no me mexi quando ele puxou das dobras de sua fantasia uma pequena lmina. Eu tentei gritar, mas minha respirao me deixou quando
ele recuou seu brao como se para me atacar. O luar cintilou na lmina, vermelha com o sangue de outro. Fantabuloso. Ele  um psicopata. Eu sa do baile com um psicopata
que utilizava facas com destreza. Eu escolho-os bem, ou o qu?
"No!" eu gritei, conseguindo colocar meus braos pra cima, mas a lmina era um sussurro de gelo passando atravs de mim, no me machucando. Eu encarei a minha cintura,
no acreditando que eu estava inteira. Meu vestido no estava rasgado e sangue no estava fluindo, mas eu sabia que a lmina tinha passado atravs mim. Tinha passado
atravs de mim e do carro juntos.
No entendendo, eu olhei boquiaberta para o Seth, agora parado com a lmina descansando e me assistindo. "O que..." eu tentei dizer quando eu percebi que nada mais
doa. Mas minha voz estava absolutamente ausente. Ele arqueou suas sobrancelhas em uma demonstrao de desdenho. Minha expresso me deixou quando eu senti o primeiro
toque leve de um absoluto nada, tanto novo como familiar, como uma memria perdida h muito tempo.
A terrvel ausncia de tudo rastejou-se atravs de mim, calando cada pensamento que aparecia. Suave e vago, um cobertor de nada comeou nas margens do meu mundo
e se moveu para o interior, tomando primeiramente a lua, depois a noite, depois meu corpo, e finalmente o carro. Os gritos de Josh foram engolidos em um baixo silncio
de tamborilao, deixando somente os olhos prateados de Seth.
E ento Seth se virou e foi embora.
"Madison!" eu escutei fracamente, seguido pelo mais breve toque na minha bochecha. Ento at aquilo derreteu e no tinha mais nada.

Captulo Dois

A nvoa de nada escorregou lentamente de mim em uma dolorosa seqncia de picadas e o som de duas pessoas discutindo. Eu me senti mal, no das minhas costas inteiras
estarem formigando to dolorosamente que eu mal podia agentar respirar, mas do sentimento de impotente temor que as vozes abafadas de ida-e-volta arrastavam do
meu passado. Eu quase podia sentir o cheiro da penugem mofada do meu coelho de pelcia a medida que eu me enrolava como uma bola e escutava as duas pessoas que eram
o meu mundo me amedrontarem inacreditavelmente. Que ambos houvessem me dito que no tinha sido minha culpa no diminuiu meu pesar de modo algum. Pesar que eu tinha
que guardar por dentro at que ele se tornasse uma parte de mim. Dor que tinha se aderido aos meus ossos. Chorar nos braos da minha me diria que eu a amava mais.
Chorar nos ombros do meu pai diria que eu o amava mais. Era uma porcaria de jeito de se crescer.
Mas isso... isso no era os meus pais discutindo. Soava como duas crianas.
Eu tomei flego para descobrir que ele vinha mais facilmente. O ltimo nevoeiro comeou a desaparecer com os formigamentos, e meus pulmes se moveram, doendo como
se algum estivesse sentando neles. Percebendo que meus olhos estavam fechados, eu os abri para encontrar um preto desfocado perante meu nariz. Havia um pesado cheiro
de plstico.
"Ela tinha dezesseis quando ela entrou naquele carro. A culpa  sua," uma jovem porm masculina voz disse irritadamente, estranhamente abafada. Eu estava tendo a
ntida impresso que a discusso estava acontecendo h algum tempo, mas eu s me lembrava de pedaos dela no meio de desconfortveis pensamentos de nada.
"Voc no vai me culpar por isso," uma garota disse, sua voz to abafada e determinada quanto. "Ela tinha dezessete quando ele mudou a sorte dela. Esse  o seu fracasso,
no o meu. Deus o abenoe, ela estava bem na sua frente! Como voc no percebeu?"
"Eu no percebi porque ela no tinha dezessete!" ele respondeu rapidamente. "Ela tinha dezesseis quando ele a pegou. Como eu deveria saber que ele estava atrs dela?
Como  que voc no estava l? Voc se enganou feio."
A garota arfou em afronta. Eu estava com frio. Tomando um flego maior, eu senti um surto de fora. Menos formigamentos, mais dores. Era asfixiante, minha respirao
voltando quente pra mim. No estava escuro; eu estava em algo.
"Seu inutilzinho!" a garota repreendeu. "No me diga que eu me enganei. Ela morreu com dezessete. Era por isso que eu no estava l. Eu nunca fui notificada."
"Mas eu no trabalho com os de dezesseis," ele disse, sua voz ficando indecente. "Eu achei que ele estava mudando a sorte do garoto."
Eu percebi de repente que o preto desfocado jogando minha respirao de volta era um lenol de plstico. Minhas mos apareceram, e minhas unhas o romperam numa sensao
de medo. Quase entrando em pnico, eu me sentei.
Eu estava em uma mesa? Com certeza pareceu dura o bastante para uma. Eu empurrei o plstico para longe de mim. Dois garotos estavam parados prximos a um par de
sujas portas giratrias brancas, e eles giraram em surpresa. O rosto plido da garota ficou vermelho, e o garoto recuou como se estivesse embaraado de ter sido
pego discutindo com ela.
"Oh!" a garota disse, jogando sua longa trana escura para trs. "Voc est acordada. Uh, oi. Eu sou Lucy, e esse  o Barnabas."
O garoto abaixou seus olhos e acenou envergonhadamente. "Ei," ele disse. "Como voc est?"
"Voc estava com Josh," eu disse, meu dedo tremendo enquanto eu apontava, e ele concordava, ainda no olhando pra mim. A fantasia dele parecia estranha perto dos
shorts e da camisa sem mangas dela. Ambos usavam um pingente de pedra preta em volta de seus pescoos. Eles eram tolos e insignificantes, mas meus olhos foram para
eles porque eram a nica coisa que os dois tinham em comum. Tirando a raiva que sentiam um do outro e a surpresa a mim.
"Aonde eu estou?" eu disse, e Barnabas recuou, uma forma alta arrastando seus ps pelo azulejo. "Aonde o Josh est?" eu hesitei, percebendo que estava em um hospital,
mas... Espera um minuto. Eu estava em uma porcaria de um saco para corpos? "Eu estou no necrotrio?" eu falei impulsivamente. "O que eu estou fazendo no necrotrio?"
Me movendo desenfreadamente, eu tirei minhas pernas do saco plstico e escorreguei para o cho, os saltos batendo em um estranho contraponto a medida que eu recuperava
meu balano. Havia uma etiqueta no elstico ao redor do meu pulso, e eu o arranquei, tirando um pouco de pelo com ele. Eu tinha um longo rasgo na minha saia, e pesada
graxa sinalizava isso. Sujeira e grama estavam emplastrados em mim, e eu fedia a campo e antisptico. L se foi conseguir o meu depsito de volta.
"Algum cometeu um erro," eu disse a medida que eu enfiava a etiqueta em um bolso, e Lucy bufou.
"Barnabas," ela disse, e ele endureceu.
"Isso no  culpa minha!" ele exclamou, contornando-a. "Ela tinha dezesseis quando ela entrou naquele carro. Eu no trabalho com os de dezesseis! Como eu deveria
saber que era o aniversrio dela?"
"? Bem, ela tinha dezessete quando ela morreu, ento o problema  seu!"
Morta? Eles estavam cegos? "Quer saber?" eu disse, me sentindo ficar mais firme o quanto mais eu ficava parada ali. "Vocs dois podem discutir at que o Sol vire
uma nova[1], mas eu tenho de encontrar algum e dizer a eles que estou bem." Saltos batendo, eu me dirigi para as sujas portas gmeas brancas.
"Madison, espera," o garoto disse. "Voc no pode."
"Observe-me," eu disse. "Meu pai vai ficar to-o-o-o irritado."
[1] Novas so estrelas cujo brilho aumenta milhares ou mesmo dezenas de milhares de vezes num perodo extremamente curto - de um dia ou ainda menos.
Eu caminhei para alm deles, indo seis metros antes que um sentimento de desconexo me atingisse. Zonza, eu coloquei a mo em uma mesa vazia a medida que o estranho
sentimento rugia de lugar nenhum. Minha mo teve cibras aonde ela descansava, e eu a afastei como se estivesse queimando quando pareceu que a frieza do metal tinha
tocado meu osso. Eu me senti... esponjosa. Fina. O zunir suave da ventilao ficou abafado. At mesmo o golpear do meu corao tornou-se distante. Eu me virei, mo
no meu peito para tentar e fazer com que ficasse normal de novo. "O que..."
Do outro lado da sala, Barnabas encolheu seus magros ombros. "Voc est morta, Madison. Desculpa. Se voc ficar longe demais dos nossos amuletos, comear a perder
substncia."
Ele gesticulou para a maca, e eu olhei.
Minha respirao golpeou-se para fora de mim. Joelhos entortando, eu meio que ca contra a mesa vazia. Eu ainda estava l. Quer dizer, eu ainda estava na maca. Eu
estava deitada no carrinho em um saco para corpos rasgado, parecendo pequena e plida demais, meu elaborado vestido agrupado ao meu redor em uma elegante exibio
de graa esquecida fora do tempo.
Eu estava morta? Mas eu podia sentir o meu corao bater.
Membros ficando fracos, eu comecei a me dobrar.
"Excelente. Ela  uma dessas que desmaiam," a garota disse secamente.
Barnabas deu uma guinada para frente para me pegar. Seus braos escorregaram ao meu redor e minha cabea relaxou. Ao toque dele, tudo voltou correndo: sons, cheiros,
e at meu pulso. Minhas plpebras agitaram-se. H centmetros de mim, os lbios de Barnabas espremeram-se com fora. Ele estava to perto, e eu pensei que podia
sentir o cheiro de girassis.
"Por que voc no cala a boca?" ele disse  Lucy a medida que me liberava no cho. "Mostrar um pouco de compaixo? Esse  o seu trabalho, sabe."
O frio do azulejo me ensopou, parecendo clarear o cinza da minha vista. Como eu podia estar morta? Os mortos desmaiavam? "Eu no estou morta," eu disse instavelmente,
e Barnabas me ajudou a sentar e colocar minhas costas contra um p de mesa.
"Sim, voc est." Ele encolheu-se ao meu lado, seus olhos castanhos amplos e preocupados. Sinceros. "Eu sinto muito mesmo. Eu achei que ele fosse mudar a sorte do
Josh. Eles geralmente no deixam evidncia como um carro para trs desse jeito. Voc deve ser realmente uma pena quebrada na asa deles."
Meus pensamentos relampejaram para a batida, e eu coloquei uma mo no estmago. Josh tinha estado l. Eu lembrava disso. "Ele acha que eu estou morta. Josh, quero
dizer."
Do outro lado da sala veio o "Voc est morta" custico da Lucy.
Eu mandei meu olhar para a maca, e Barnabas se deslocou para bloquear a minha viso. "Quem so vocs?" eu perguntei a medida que a vertigem ia embora.
Barnabas ficou de p. "Ns, ah, ns somos o Reconhecimento de Erros, Aquisies Pessoais, Exames e Recuperaes."
Eu pensei sobre isso. Reconhecimento de Erros, Aquisies... R.E.A.P.E.R.*? Puta merda! Uma exploso de adrenalina permeou-se por mim. Eu me dispersei, olhos fixos
em mim na maca. Eu estava aqui. Eu estava viva! Aquela podia ser eu, mas eu estava de p aqui, tambm. "Vocs so anjos da morte!" eu exclamei, sentindo o meu caminho
ao redor da mesa e colocando-a entre ns. Meus dedos do p comearam a ficar dormentes, e eu parei, meu olhar movendo-se rapidamente para o amuleto ao redor do pescoo
de Barnabas. "Oh, meu Deus, eu estou morta," eu sussurrei. "Eu no posso estar morta. Eu no estou pronta para estar morta. Eu no acabei ainda! Eu s tenho dezessete!"
"Ns no somos anjos da morte." Lucy tinha seus braos cruzados de maneira defensiva como se eles fossem uma mancha dolorida. "Ns somos ceifadores brancos. Ceifadores
negros matam as pessoas antes que a sorte delas devesse ser mudada, ceifadores brancos tentam salv-las, e anjos da morte so traidores traioeiros que se gabam
demais e no sobrevivero para ver o Sol voltar a ser poeira."
Barnabas parecia embaraado enquanto mudava seu p de posio. "Anjos da morte so ceifadores brancos que foram enganados para trabalhar para... o outro lado. Eles
no fazem muitas coletas j que os ceifadores negros no os deixam, mas se de repente h um sbito e massivo nmero de mortos, voc sabe que eles iro aparecer para
puxar algumas almas mais cedo, do jeito mais dramtico possvel. Eles so uns retalhadores. Sem classe nenhuma."
Essa ltima foi dita com uma voz amarga, e eu desejei saber sobre a rivalidade, dando r at que eu comecei a me sentir esponjosa de novo. Olhando o amuleto deles,
eu avancei lentamente at que a sensao fosse embora. "Vocs matam pessoas. Foi isso que o Seth disse. Ele disse algo sobre coletar a minha alma! Vocs matam as
pessoas sim!"
Barnabas passou a mo atravs da parte de trs de seu pescoo. "Ah, ns no matamos. Na maior parte do tempo." Ele olhou para Lucy. "Seth  um ceifador negro, um
ceifador das trevas. Ns s aparecemos quando eles miram em algo fora do seu tempo, ou quando h um erro."
"Erro?" Minha cabea balanou com esperana. Isso significava que eles podiam me colocar de volta?
Lucy veio para frente. "No era para voc morrer, entenda. Um ceifador das trevas pegou voc antes que a sua sorte devesse ser mudada.  o nosso trabalho impedi-los,
mas no podemos s vezes. Ns estamos aqui para pedir desculpas formalmente e te levar onde voc est indo." Franzindo a testa, ela olhou para Barnabas. "E assim
que ele admitir que foi culpa dele, eu posso dar o fora daqui."

* Anjo da morte, ceifador.

Eu endureci, recusando-me a olhar para mim mesma na maca. "Eu no estou indo  lugar nenhum. Se vocs cometeram um erro, timo. S me coloquem de volta! Eu estou
bem ali." Eu dei um passo para frente, morrendo de medo. "Vocs podem, certo?"
Barnabas recuou. " meio que tarde demais. Todo mundo sabe que voc est morta."
"Eu no ligo!" eu gritei. Ento meu rosto congelou com um pensamento repentino. Papai. Ele pensou que eu estava... "Papai..." eu sussurrei, entrando em pnico. Tomando
flego, eu me virei para as portas giratrias e eu comecei a correr.
"Espera! Madison!" Barnabas gritou, mas eu atingi duramente as portas, tropeando nelas mesmo que elas s tivessem balanado 7 centmetros. Mas eu estava na sala
seguinte. Eu tinha meio que passado atravs delas. Como se eu nem ao menos estivesse l.
Havia um cara gordo no balco, e ele olhou para o minsculo guincho que as portas fizeram quando se moveram. Os pequenos olhos de porco dele se ampliaram, e ele
tomou um longo flego. De boca aberta, ele apontou.
"Houve um erro," eu falei impulsivamente, dirigindo-me  arcada aberta[2] e ao corredor turvamente iluminado. "Eu no estou morta."
[2] http://tinyurl.com/2ekxte
Mas eu estava me sentimento realmente estranha de novo. Nebulosa e fina. Esticada. Nada soava direito, tampouco, e o cinza estava avanando lentamente sobre a minha
viso para transform-la em algo parecido com um tnel.
Atrs de mim, Barnabas irrompeu pelas portas. Imediatamente o mundo voltou ao normal. Era o amuleto que ele usava que me mantinha slida. Eu tinha que conseguir
um desses para mim.
"Sim, ela est," ele disse, nunca diminuindo o passo at ele ter agarrado o meu pulso. "Voc est tendo alucinaes. Ela no est aqui de verdade. Eu tambm no."
Lucy impulsionou-se, as portas giratrias batendo contra a parede para fazer eu e o Cara do Balco pularmos. "Madison, pare de ser uma morta-viva. Voc tem que ir."
Isso era demais para o tcnico, e ele estendeu a mo para o telefone.
Eu torci o meu pulso, mas Barnabas no me soltava. "Eu tenho que falar com o meu pai!" eu exclamei, e ele me tirou o equilbrio.
"Ns estamos indo embora," ele disse, uma nova ameaa em seus olhos. "Agora."
Frentica, eu pisei no p dele. Barnabas uivou, sua forma desengonada dobrando-se a medida que ele soltava. Lucy riu dele, e eu lancei-me pelo corredor. Tentem
me impedir, eu pensei, ento corri em direo a algo grande, quente, e cheirando a seda. Eu recuei, ficando assustada quando eu vi que era Seth. Ele tinha me matado
com uma espada que no havia deixado nenhuma cicatriz quando me jogar de um penhasco falhou. Ele era um ceifador das trevas. Ele era a minha morte.
"Por que h dois de vocs?" ele perguntou  medida que olhava Barnabas e Lucy. A cadncia da voz dele era familiar, mas o som dela atingiu os meus ouvidos de forma
errada. E a fragrncia de mar agora cheirava  podrido. " mesmo," ele acrescentou, puxando seu olhar de volta  mim, e eu tremi. "Voc morreu no aniversrio do
seu nascimento. Dois ceifadores. Ai, ai, ai. A rainha do drama, Madison. Estou feliz que esteja de p.  hora de ir."
Encurvada e com medo, eu recuei. "No toque em mim."
"Madison!" Barnabas gritou. "Corra!"
Mas s havia o necrotrio para aonde correr. Lucy ficou na minha frente, as mos estendidas amplamente como se ela pudesse parar Seth com somente sua fora de vontade.
"O que voc est fazendo aqui?" ela disse, sua voz tremendo. "Ela j est morta. Voc no pode mudar a sorte dela duas vezes."
Seth friccionou seus sapatos confiantemente. "Como voc disse, eu mudei a sorte dela. Ela  minha se eu a quiser."
Barnabas empalideceu. "Voc nunca volta para eles. Voc no..." Os olhos deles lanaram-se para a pedra no pescoo de Seth. "Voc no  um ceifador negro, ?"
Seth deu risada como se fosse uma grande piada. "No. Eu no sou. Eu sou um pouco mais. Mais do que voc pode lidar. V embora, Barnabas. S ande para longe. No
ir doer se voc for."
Eu encarei Barnabas, indefesa. Os olhos castanhos dele encontraram os meus, viram o meu medo. Eu o observei visivelmente reunir sua coragem.
"Barnabas!" Lucy gritou, apavorada. "No!"
Mas Barnabas lanou-se na figura escura de seda preta. Em um movimento to casual que foi assustador, Seth virou-se para bater nele com as costas da mo. Braos
e pernas descontrolados, Barnabas voou para trs, atingindo a parede e desmoronando no cho, inconsciente.
"Corra!" Lucy gritou, me empurrando em direo ao necrotrio. "Fique no Sol. No deixe as asas negras te tocarem. Ns buscaremos ajuda. Algum ir te encontrar.
Caia fora daqui!"
"Como?" eu exclamei. "Ele est na frente da nica porta."
Seth se moveu novamente, dessa vez golpeando Lucy com as costas da mo. Ela se dobrou aonde estava de p, deixando apenas eu, j que o tcnico tinha ou desmaiado
ou se escondido debaixo da mesa. Com a mandbula tremendo, eu fiquei de p revelando toda a minha altura - humilhante - e puxei meu vestido para que ficasse reto.
Mais profundamente ainda, aparentemente.
"Ela quis dizer," Seth disse, sua voz tanto familiar como estranha, "correr atravs das paredes. Voc tinha uma chance maior contra as asas negras no Sol do que
comigo debaixo da terra."
"Mas eu no posso..." eu comecei, ento olhei para as portas giratrias. Eu atravessei-as, tendo aberto elas apenas alguns centmetros. Que diabos eu era? Um fantasma?
Seth sorriu, me causando arrepios. "Bom te ver, Madison, agora que eu realmente posso... te ver." Ele tirou a sua mscara e a deixou cair. O rosto dele era lindo,
como pedra esculpida transformada em algo suave.
Eu lambi meus lbios e fiquei gelada at os ossos quando lembrei dele me beijando. Segurando um brao, eu recuei, tentando me livrar da influncia de Barnabas e
Lucy para que eu pudesse correr atravs das paredes. Ei, se o Sr. Horripilante pensava que eu podia, ento talvez eu pudesse.
Seth seguiu, passo a passo. "Ns iremos embora juntos. Ningum ir acreditar que eu coletei voc a no ser que eu jogue voc nos ps deles."
Saltos estalando, eu continuei me movendo. Meu olhar lanou-se para Barnabas e Lucy, ambos ainda esparramados no azulejo. "Eu prefiro ficar, obrigada." Meu corao
golpeou, e minhas costas atingiram a parede. Um pequeno uivo escorregou de mim. Eu estava distante o bastante deles para que me sentisse nebulosa, mas eu no me
sentia. Eu encarei Seth, ento a pedra preta ao redor do pescoo dele. Era a mesma. Droga!
"Voc no tem escolha," ele disse. "Fui eu que matei voc. Voc  minha."
Ele estendeu a mo, agarrando meu pulso. Adrenalina agitou-se, e eu me girei.
"O diabo que eu sou," eu disse, ento chutei ele nas pernas. Ele claramente sentiu, gemendo  medida que se curvava de dor, mas no soltava. Ele tinha posto seu
rosto ao meu alcano, de qualquer forma, e agarrando o cabelo dele, eu bati o nariz dele contra o meu joelho erguido. Eu senti cartilagem quebrar, e meu estmago
deu voltas.
Xingando em uma lngua que machucava minha cabea, ele soltou e caiu.
Eu tinha que cair fora daqui. Eu tinha que estar slida ou eu nunca conseguiria. Corao golpeando, eu agarrei a pedra ao redor do pescoo dele, puxando o colar
por cima das orelhas dele e para fora. Ele formigou como fogo na minha mo, e eu apertei meus dedos ao redor dele, disposta a sofrer se isso significasse que eu
ficaria inteira.
Seth atingiu o cho, olhando boquiaberto para mim com sangue vermelho cobrindo seu rosto. Ele parecia to surpreso quanto se tivesse corrido atravs de uma parede
de vidro.
"Madison..." Barnabas raspou do cho.
Eu me virei, vendo ele me encarar com olhos apertados de dor e fora de foco.
"Corra," ele arfou.
Com o amuleto de Seth na minha mo, eu me virei para o corredor aberto... e eu corri.

Captulo Trs

"Pai!" eu parei na frente da porta aberta, o corao golpeando enquanto eu escutava o silncio vazar do estado limpo e bem arrumado no qual o meu pai mantinha a
casa. Atrs de mim, um cortador de gramas zumbia no Sol da manh. A bruma dourada entornou para cintilar no piso de madeira e no corrimo que levava escada acima.
Eu tinha corrido o caminho inteiro naqueles saltos e aquele vestido detestvel. As pessoas tinham encarado, e eu no estar nem um pouco cansada me assustou. Minha
pulsao estava rpida de medo, no do esforo.
"Pai?"
Eu entrei, meus olhos comichando de emoo quando do andar superior veio a incrdula e instvel voz do meu pai chamando, "Madison?"
Eu subi os degraus dois por vez, tropeando na minha saia e usando as unhas para chegar no ltimo degrau. Com a garganta apertada, eu parei na entrada do meu quarto.
Meu pai estava sentado no cho entre as minhas caixas, abertas mas nunca desempacotadas. Ele parecia velho, seu rosto fino abatido de desgosto, e eu no podia me
mover. Eu no sabia o que fazer.
De olhos arregalados, ele encarou como se eu no estivesse ali. "Voc nunca desempacotou," ele sussurrou.
Uma lgrima quente desceu pelo meu queixo, vinda de lugar nenhum. Vendo ele desse jeito, eu percebi que ele realmente precisava de mim pra lembr-lo das coisas boas.
Ningum havia precisado de mim antes. "Eu... eu sinto muito, pai..." Eu consegui dizer enquanto eu ficava de p ali, indefesa.
Ele tomou flego e saiu do transe. Emoo iluminou seu rosto. Em uma exploso de movimento, ele ficou de p. "Voc est viva?" ele sussurrou, e eu arfei quando ele
percorreu os trs passos entre ns e me trouxe junto  ele em um aperto esmagador. "Eles disseram que voc estava morta. Voc est viva?"
"Eu estou bem," eu chorei no peito dele, a libertao me lavando por dentro to duramente que era doloroso. Ele cheirava como o laboratrio no qual trabalhava, como
leo e tinta, e nada jamais cheirou to bem. Eu no podia parar as minhas lgrimas. Eu estava morta - eu acho. Eu tinha um amuleto, mas eu no sabia se eu seria
capaz de ficar, e o medo disso alimentou o meu desamparo. "Eu estou bem," eu disse perto de um gemido soluante. "Mas houve um engano."
Meio rindo, ele empurrou para trs o suficiente para poder ver meu rosto. Lgrimas iluminavam seus olhos, e ele sorria como se nunca tivesse parado. "Eu estava no
hospital," ele disse. "Eu vi voc."
A memria daquela dor passou por detrs de seus olhos, e ele tocou o meu cabelo com uma mo sacolejante como se para assegurar-se de que eu era real. "Mas voc est
bem. Eu tentei ligar para sua me. Ela vai pensar que eu estou maluco. Mais maluco do que o normal. Eu no pude deixar uma mensagem dizendo a ela que voc tinha
sofrido um acidente. Ento eu desliguei. Mas voc est bem mesmo?"
Minha garganta estava apertada, e eu funguei ruidosamente. Eu no iria abrir mo do meu amuleto. Nunca. "Eu sinto muito, pai," eu disse, ainda chorando. "Eu no
devia ter sado com aquele cara. Eu nunca devia ter sado. Eu sinto muito. Eu sinto muito mesmo!"
"Shhhh." Ele me puxou de volta para um abrao, me balanando, mas eu s chorava mais ainda. "Est tudo bem. Voc est bem," ele tranqilizou, sua mo escovando o
meu cabelo.
Mas ele no sabia que eu realmente estava morta.
Sua respirao complicando-se, meu pai parou com um pensamento repentino. Ele me colocou na altura do brao, e o frio que entornou sobre mim quando ele me examinou
acabou com as minhas lgrimas com uma suave aspirao. "Voc realmente est bem," ele disse em espanto. "Nenhum arranho em voc."
Eu sorri nervosamente, e um de seus braos escorregou de mim. "Pai, tem algo que eu preciso te contar. Eu-"
Houve um suave arrastar de ps na porta. Os olhos do meu pai dispararam por sobre os meus ombros, e eu me virei para encontrar Barnabas de p sem jeito perto de
um homem baixo em um tipo de uniforme de artes marciais frouxo. Era encapelado. No era nada funcional. Ele era ereto e magro, com afiados traos no rosto e de pele
muito escura. Seus olhos eram de um marrom profundo, pesadamente sinalizados nos cantos. Seu cabelo, tambm, dizia que ele era velho, os cachos estreitos acinzentados
nas tmporas.
"Perdo," meu pai diz, me puxando para ficar de p ao lado dele. "Vocs trouxeram a minha filha para casa? Obrigado."
Eu no gostava do sorriso do Barnabas, e eu tive que me esforar para no me esconder atrs do meu pai. Seu brao ainda estava ao meu redor, e eu no queria me mover.
Porcaria. Eu acho que Barnabas trouxe o chefe dele. Eu queria ficar. Droga, eu no quero estar morta. Isso no  justo!
O homem negro fez uma cara deplorvel. "No," ele disse, a palavra tendo uma agradvel vivacidade. "Ela conseguiu isso sozinha. Deus sabe como."
Eu sequei meus olhos, amedrontada. "Eles no me trouxeram para casa," eu disse, me deslocando nervosamente. "Eu no conheo eles. Eu j vi esse cara," eu acrescentei,
"mas no o velho."
Ainda, o meu pai sorria de maneira neutra, tentando juntar as peas. "Vocs so do hospital?" ele perguntou, e ento seu rosto endureceu. "Quem  o responsvel por
ter me dito que a minha filha estava morta? A cabea de algum ir rolar por causa disso."
Barnabas encolheu-se de medo, e seu chefe torceu o nariz para o acordo. "Palavras mais verdadeiras nunca foram ditas, senhor." Seus olhos viajaram pelo meu quarto,
absorvendo as paredes rosas, os mveis brancos, e as caixas abertas nunca completamente desempacotadas. Eles pousaram em mim por ltimo, e eu me perguntei quais
as concluses que ele teve. Com a minha vida acabando to abruptamente, eu era meio como o meu quarto - tudo estava aqui, mas nada fora das caixas. E agora tudo
iria ser fechado com fita isolante e enfiado em um armrio, todas as coisas boas nunca vistas ou realizadas. Eu no acabei ainda.
Eu endureci quando o homem deu um passo para dentro do meu quarto, uma magra mo levantada apaziguadoramente. "Ns precisamos conversar, criana," ele disse, me
atingindo friamente.
Oh Deus. Ele queria que eu fosse com ele.
Eu agarrei com fora o amuleto contra mim, e o aperto do meu pai em mim se estreitou. Ele viu meus olhos amedrontados e finalmente entendeu que algo estava errado.
Deslocando-se, ele se colocou entre mim e as duas pessoas na entrada. "Madison, chame a polcia," ele disse, e eu alcancei o telefone na mesinha de cabeceira. Que
eu tinha desempacotado.
"Ah, ns precisamos de um momento," o velho disse.
Eu voltei minha ateno para cima a medida que ele balanava sua mo como um pssimo ator em um filme de fico cientfica. O zumbido da linha aberta foi cortado,
e l fora, o cortador de grama parou. Chocada, eu encarei o telefone, ento o meu pai de p entre eu e os dois homens. Ele no estava se movendo.
Meu joelhos pareceram aquosos. Colocando o telefone de volta na bateria, eu encarei meu pai. Ele parecia bem. Tirando o negcio de no se mover.
O velho suspirou, e minha ateno foi parar nele. Filho de uma cachorra, eu pensei, com frio e com medo. Eu no iria embora sem lutar.
"Deixe ele ir," eu disse, minha voz tremendo. "Ou eu irei... eu irei..."
Os lbios de Barnabas se reviraram bruscamente, e o homem arqueou suas sobrancelhas. Seus olhos eram de um azul acinzentado. Eu podia jurar que eles eram castanhos.
"Voc ir o qu?" ele disse, tomando uma posio mais firme no carpete com seus braos por sobre seu peito.
Eu olhei para o meu pai, congelado. "Eu vou gritar, ou algo do tipo," eu ameacei.
"V em frente. Ningum ir te escutar. Vai ser um estalo de nada, rpido demais para ser ouvido."
Eu tomei flego para testar, e ele balanou a cabea. Meu flego explodiu fora de mim e eu recuei quando ele moveu para dentro do quarto. Mas ele no estava vindo
em mim. Puxando com fora a minha cadeira branca da penteadeira, ele sentou com seu corpo pequeno em ngulo. Ele deixou cair seu cotovelo no topo e ento deitou
sua testa nas suas mos como se estivesse cansado. Ele fazia um estranho contraste com a caixa de msica e as coisas de garota.
"Por que nada pode ser fcil?" ele murmurou, manuseando as minhas zebras de cermica. "Isso  uma piada?" ele disse mais alto para o teto. "Voc est rindo? Dando
boas risadas disso, no est?"
Eu olhei para a porta, e Barnabas balanou sua cabea em aviso. Que bom. Ainda tinha a janela - apesar que com esse vestido, eu podia morrer se eu casse. Oh, espera.
Eu j estou morta. "O meu pai est bem?" eu perguntei, ousando tocar o cotovelo dele.
Barnabas assentiu, e o velho trouxe seu olhar de volta  mim. Fazendo caretas como se estivesse tomando uma deciso, ele estendeu sua mo. Eu a encarei, sem tentar
alcana-la. "Prazer em conhece-la," ele disse firmemente. "Madison,  isso? Todos me chamam de Ron."
Eu encarei ele, e ele lentamente baixou seu brao. Seus olhos estavam castanhos novamente. "Barnabas me contou o que voc fez," ele disse. "Posso ver?"
Surpresa, eu me inquietei, meus dedos deslizando do brao do meu pai. Cara...isso era horripilante. Era como se o mundo todo tivesse parado, mas eu era uma morta
ambulante, ento eu acho que meu pai ter sido congelado era uma coisa pequena. "Ver o qu?"
"A pedra," Ron disse, e a insinuao de ansiedade na voz dele me golpeou como fogo.
Ele a queria. Ele a queria, e era a nica coisa que me mantinha viva. Ou no muito morta. "Eu acho que no," eu disse, certa do valor dela quando a expresso de
Ron se tornou alarmada a medida que a minha mo deslizou para sentir a fria superfcie da pedra.
"Madison," ele amenizou, ficando de p. "Eu simplesmente quero olhar ela."
"Voc quer ela!' eu exclamei, corao golpeando. " a nica coisa me mantendo slida. Eu no quero morrer. Vocs bagunaram tudo. Eu no deveria estar morta! A culpa
 sua!"
"Sim, mas voc est morta," Ron disse, e minha respirao sibilou quando ele estendeu sua mo. "S me deixe dar uma olhada nela."
"Eu no vou abrir mo dela!" eu gritei, e os olhos de Ron se iluminaram com medo.
"Madison, no! No diga isso!" ele gritou, alcanando.
Eu cambaleei para longe da questionvel proteo do meu pai, agarrando com fora a pedra. " minha!" eu gritei, minhas costas atingindo a parede.
Ron hesitou bruscamente, desalento claro em seus velhos traos a medida que seu brao caia. O mundo pareceu balanar. "Oh, Madison,' ele sussurrou. "Voc realmente
no devia."
No sabendo por que ele havia parado, eu o encarei, ento endureci quando um calafrio passou por mim. Uma sensao de cibras geladas subiu da minha palma e do amuleto,
e correu pelo meu corpo todo, me fazendo endurecer. Foi como um choque eltrico. Eu escutei a minha pulsao ecoar em mim, a pancada voltando de dentro da minha
pele antes de preencher o espao e me fazendo sentir quase... completa. Um instante mais tarde, ela retrocedeu com uma sensao de calor para equilibrar com o frio,
e ento... estava acabado.
Minha respirao golpeou para fora de mim, e eu fiquei de p, congelada com as minhas costas para a parede. Com o corao golpeando, eu encarei Ron. Ele tinha um
olhar miservel, quieto e depremido em seu robe. Eu estava com medo de me mover. Mas o amuleto na minha mo parecia diferente. Pequenas fascas de sensaes ainda
disparavam dele, e incapaz de conseguir me deter, eu abri meus dedos para olhar. Meu queixo caiu, e eu encarei. No era o mesmo. "Olha!" eu disse estupidamente.
"Mudou."
Suas costas arqueadas, Ron desmoronou por sobre a cadeira, resmungando a meia voz. Chocada, eu derrubei o pingente para segura-lo pelo cordo. Quando eu a tinha
arrancado do ceifador negro, ela era um simples, cinza, pedra banhada pelo rio. Agora era completamente preta, como uma mancha de nada suspenso do cordo. O fio
preto tinha um esplendor prata, pegando a luz e jogando-a pelo quarto. Porcaria. Talvez eu tivesse quebrado-a. Mas era linda. Como poderia estar quebrada?
"No  assim que ela estava quando eu a peguei," eu disse, ento fiquei gelada com o olhar de pena que o Ron usava agora. Atrs dele, Barnabas parecia quase apavorado,
seu rosto branco e seus olhos arregalados.
"Voc entendeu direitinho," Ron disse amargamente. "Ns tnhamos esperana de acabar com isso devidamente at que voc a reivindicou. Mas no-o-o, agora  sua."
Seus olhos encontraram os meus em repulsa irnica. "Parabns."
Lentamente a minha mo caiu, e eu me movi nervosamente. Era minha. Ele tinha dito que era minha.
"Mas era a pedra de um ceifador negro," Barnabas disse, e eu me assustei com o medo na voz dele. "Aquela coisa no era um ceifador, mas tinha a pedra de um ceifador.
Ela  uma ceifadora negra!"
Meu lbios se separaram. "Opa, espera a."
"Ela  uma ceifadora negra!" Barnabas gritou, e meu queixo caiu quando ele chacoalhou sua camisa e revelou uma pequena mo de gancho, idntica  do Seth. Pulando,
ele ficou entre mim e Ron.
"Barnabas!" Ron aumentou seu tom de voz, esmurrando ele e fazendo com que ele tombasse de volta para a parede. "Ela no  uma ceifadora negra, seu idiota! Ela no
 nem mesmo uma branca. Ela no pode ser. Ela  humana, mesmo que ela esteja morta. Guarde isso antes que eu envelhea isso at que enferruje!"
"Mas  uma pedra de ceifador negro," ele gaguejou, seus ombros estreitos encurvados. "Eu a vi pega-la!"
"E de quem  a culpa de que ela sabia o que era, Barney?" ele zombou, e o jovem recuou, abaixando sua cabea, claramente embaraado.
Meu corao golpeou a medida que eu ficava de p no canto, segurando o pingente to firmemente que meus dedos doam. Ron olhou com desprezo entre ns. "Essa no
 uma pedra de um ceifador negro mais do que um ceifador negro poderia ser forte o bastante para deixar provas corporais para trs de sua existncia, ou..." ele
continuou, levantando uma mo para impedir Barnabas de interromper, "ter uma razo para voltar para pegar a alma que coletaram. Ela tem algo mais poderoso que uma
pedra de um ceifador, e eles voltaro por isso. Voc pode contar com isso."
Oh timo. Simplesmente excelente.
Barnabas pareceu conseguir se recompor, aparentando estar preocupado e assustado. "Ele disse que no era um ceifador, mas eu achei que ele estava tentando nos intimidar.
O que ele  se ele no  um ceifador?"
"Eu no sei ainda. Mas eu tenho algumas idias."
A admisso de ignorncia do Ron foi pior do que qualquer coisa que ele pudesse ter dito, e uma fita de medo passou por mim. Eu estremeci, e Ron suspirou quando ele
viu isso. "Eu devia estar esperando por isso," ele murmurou. Ento olhando para o cu, ele aumentou o tom de voz. "Um memorando teria sido bom!"
Sua voz ecoou, acentuando o nada abafado que agarrava o mundo. Lembrando que essas pessoas no eram pessoas de verdade, eu olhei pro meu pai, to congelado e imvel
quanto um manequim. Eles no iriam machuc-lo, iriam? Para acobertar o erro deles comigo?
"Do p s estrelas," Ron disse suavemente. "Ns simplesmente ns adaptaremos o melhor que pudermos."
O velho ficou de p com pesado suspiro. Vendo ele se mover, eu sa do canto para ficar entre ele e o meu pai. Ron olhou para a minha mo levantada como se eu fosse
um gatinho repelindo um cachorro que s parou porque no estava interessado.
"Eu no vou embora," eu disse, ficando na frente do meu pai como se eu pudesse realmente fazer algo. "E voc no vai tocar no meu pai. Eu tenho uma pedra. Eu estou
slida. Eu estou viva!"
Ron olhou-me nos olhos. "Voc tem uma pedra, mas voc no sabe como us-la. E voc no est viva. A iluso de fingir estar  uma pssima idia. No entanto, vendo
que voc tem uma pedra, e eles tm o seu corpo-"
Meu olhar lanou-se para Barnabas, vendo pela expresso desconfortvel dele que era verdade. "Seth? Ele tem o meu corpo?" eu disse, de repente com medo. "Por qu?"
Ron estendeu a mo, e eu pulei quando ela pousou no meu ombro. Era quente, e eu podia sentir seu apoio - no que eu pensasse que ele realmente pudesse fazer algo
pra me ajudar. "Para impedir voc de fazer o cruzamento e com isso capaz de nos dar a pedra permanentemente?" ele chutou, seus olhos negros cheios de pena. "Enquanto
eles tiverem o seu corpo, voc est presa aqui. Aquela pedra que voc pegou  claramente importante. Ela mudou para se adaptar s suas habilidades mortais. Muitas
poucas pedras conseguem fazer isso. Geralmente quando um humano reivindica uma pedra, ela simplesmente pulveriza ele em uma exploso de sobrecarga."
Eu fiquei boquiaberta, e Ron acenou com a cabea sabiamente. "Reivindicar o divino quando no se   um modo certeiro de explodir a sua alma at virar p."
Eu fechei minha boca, sufocando um tremor.
"Se ns a tivermos," Ron continuou, "eles esto potencialmente em desvantagem. Est no limbo no momento, como voc - uma moeda girando na beirada."
A mo dele escorregou. Eu me senti ainda mais sozinha e pequena, ainda que eu fosse mais alta do que ele.
"Enquanto voc ficar no lado corporal das coisas, eles tm esperana de ach-la," ele disse, se movendo para olhar pela minha janela um mundo que tinha ficado devagar
at quase no ter movimento.
"Mas Seth sabe aonde eu estou," eu disse, confusa, e Ron girou lentamente ao redor.
"Fisicamente, sim, mas ele foi embora daqui um tanto que abruptamente com seu corpo. Ele cruzou sem uma pedra para fazer uma memria de aonde exatamente voc est
no tempo. Ser difcil encontrar voc novamente. Especialmente se voc no fizer nada para atrair ateno para si mesma."
Senhorita Annima. , eu posso fazer isso. Ce-e-e-e-erto. Minha cabea doa, e eu segurei um brao perto de mim com o outro e tentei achar sentido no que ele estava
me dizendo.
"Ele ir ach-la, de qualquer forma. Achar voc e levar voc e a pedra de volta com ele. O que acontecer ento?" Balanando sua cabea, ele se virou para a janela
novamente, a luz entornando para contorn-lo em dourado. "Eles fazem coisas terrveis, sem pensar, para se promoverem."
Seth tinha meu corpo. Eu me senti empalidecer. Barnabas viu isso, ento limpou sua garganta para conseguir a ateno de Ron. Os olhos do velho pousaram em mim, e
ele piscou como se tivesse percebido o que acabara de dizer. "Ah, eu posso estar errado," ele disse, no ajudando. "Eu estou, s vezes."

Minha pulsao acelerou, e eu senti um choque de pnico. Antes do acidente Seth tinha dito que eu era seu tquete para uma corte superior. Ele no me queria s morta.
Ele me queria. No a pedra que eu tinha roubado dele. Eu. Eu abri minha boca para dizer a Ron, ento, amedrontada, mudei de idia. Barnabas viu em meu medo repentino
que eu estava retendo algo, mas Ron estava se movendo, cruzando o quarto com passos afiados e enxotando a si mesmo. Barnabas silenciosamente recuou para o corredor,
sua boca fechada e sua cabea baixa pensando, provavelmente com medo de o que quer que fosse que eu no estava dizendo iria coloc-lo em mais problemas, e no menos.
Alarme gotejou atravs de mim. Eles no estavam indo embora, estavam?
"A nica coisa que podemos fazer agora," Ron disse, " manter voc intacta at descobrirmos como quebrar a influncia que a pedra tem em voc sem quebrar sua alma."
"Mas voc acabou de dizer que eu no posso morrer," eu disse. Aonde ele achava que estava indo? Seth iria voltar!
Ron parou no solado da porta. Barnabas ficou de p atrs dele, uma preocupao profunda demais para meros dezessete anos mostrando-se pesadamente nele. "Voc no
pode morrer porque voc j est morta," o velho disse. "Mas h coisas piores."
timo, eu pensei, me esquentando quando eu recordei da dana com o Seth, o beijo que ele roubou, a sensao do nariz dele quebrando contra o meu joelho, e o olhar
de dio que ele me deu. Parabns, Madison. No somente eu estraguei a minha reputao em uma escola nova, mas eu consegui insultar o anjo da morte, tambm. Coloquei
a mim mesma no topo da sua lista de desejos.
"Barnabas?" Ron disse, me fazendo pular. Barnabas, tambm, pareceu surpreso.
"Senhor?"
"Parabns, voc foi promovido  anjo da guarda."
Barnabas congelou, ento olhou horrorizado para mim. "Isso no  uma promoo.  uma punio!"
"Um pouco disso  sua culpa," Ron disse, sua voz spera em comparao com o astuto sorriso que ele me deu, mas Barnabas no podia ver. "A maior parte, provavelmente."
Seu rosto ficou srio. "Lide com isso. E no desconte isso nela."
"Mas Lucy. Era responsabilidade dela!" ele protestou, parecendo jovem a medida que choramingava.
"Madison tem dezessete," Ron disse, seu tom no tolerando discusses. "Voc lida com os de dezessete. Deveria ser instantneo." Ele se virou, as mos nos quadris.
"Alm do detalhe da sua habitual preveno de ceifador branco, voc ser o anjo da guarda da Madison. Eu acho que ns podemos resolver isso em um ano." Seu olhar
ficou distante. "De um jeito ou de outro."
"Mas senhor!" ele exclamou, tombando na parede do corredor quando Ron passou por ele indo em direo s escadas. Eu segui, no acreditando nisso. Eu tenho um anjo
da guarda?
"Senhor, eu no posso!" Barnabas disse, fazendo-me sentir como um fardo no desejado. "Eu no posso fazer o meu trabalho e vigi-la! Se eu for longe demais, eles
a levaro!"
"Ento mantenha-a com voc enquanto trabalha." Ron desceu diversos degraus. "Ela precisa aprender como usar essa coisa. Ensine algo  ela nas suas abundantes horas
vagas.  Alm do mais, no  como se voc tivesse que mant-la viva. S deixe a sorte dela girando. Tente fazer um trabalho melhor dessa vez," ele quase rosnou.
Barnabas bravejou, e Ron se virou para sorrir preocupadamente pra mim. "Madison," ele disse em despedida. "Mantenha o pingente com voc. Ir proteg-la de algum
modo. Se voc tir-lo, asas negras podem te encontrar, e os ceifadores das trevas nunca esto longe delas."
Asas negras. Aqui estava essa frase novamente. S o nome j convocava uma imagem asquerosa nos meus pensamentos. "Asas negras?" eu perguntei, as duas palavras soando
completamente tolas nos meu lbios.
Ron pausou no primeiro degrau. "Abutres imundos deixados pela criao. Eles cheiram mortes erradas antes que elas aconteam e tentam furtar um pouco de alma esquecida.
No deixe-os toc-la. Porque voc est morta, eles podem sent-la, mas com essa pedra eles iro achar que voc  uma ceifadora e a deixaro em paz."
Minha cabea balanou para cima e para baixo. Ficar longe das asas negras. Checado.
"Cronus!" Barnabas implorou, a medida que Ron comeava a descer novamente. "Por favor. No faa isso comigo!
"Ache um rumo e faa o seu melhor com ele," Ron resmungou quando ele aterrissou no andar de baixo e caminhou em direo  porta. " s por um ano."
Ele cruzou o solado da porta em direo ao Sol. A luz o atingiu, e ele desapareceu, no todo de uma vez, mas do p pra cima a medida que ele se movia para dentro
da luz. O Sol jorrando pela casa pareceu brilhar, e ento o cortador de grama distante rugiu de volta  vida.
Eu tomei flego a medida que o mundo comeou a girar novamente com o som dos pssaros, do vento, e do rdio de algum. Estupefata, eu fiquei de p junto ao Barnabas.
"O que ele quer dizer, por um ano?" Eu suspirei. "Isso  tudo que eu recebo?"
Barnabas me olhou de cima a baixo, clarmente irritado. "Como  que eu vou saber?"
De dentro do meu quarto veio um atemorizado "Madison?  voc?"
"Pai!" eu disse, colidindo com ele quando ele saiu. Ele transformou isso em um abrao feliz, seus braos ao meu redor e sorrindo enquanto olhava para Barnabas. "Voc
deve ser o garoto que trouxe Madison pra casa na noite passada. Seth,  isso?"
Hn? eu pensei, chocada. Ele j tinha conhecido Barnabas. E como o meu pai passou de raiva protetora para um pai amigvel to rapidamente? E quanto ao acidente?
Ou o hospital? O carro batido? Eu estar morta?
Barnabas deslocou-se de um p para o outro no que pareceu constrangimento, lanando  minha expresso boquiaberta um olhar para calar a boca. "No, senhor. Eu sou
Barnabas. Um dos amigos da Madison. Eu estava com ela na noite passada, tambm, depois do Josh ter ido embora.  bom conhec-lo, senhor. Eu s vim aqui para ver
se Madison, ah, queria fazer alguma coisa hoje."
Meu pai pareceu orgulhoso por eu ter conseguido fazer um amigo sem a ajuda dele, mas eu estava extremamente confusa. Limpando sua garganta como se estivesse tentando
decidir como tratar o meu primeiro amigo homem que ele teve a chance de conhecer, ele tomou a mo estendida do Barnabas. Eu fiquei parada e assiste maravilhada enquanto
eles apertavam as mos. Barnabas me deu um ligeiro encolher de ombros, e eu comecei a relaxar. Parecia que tudo havia sido apagado dos pensamentos do meu pai e uma
falsa memria de uma noite sem ocorrncias especiais fora colocada no seu lugar - um sonho de adolescente de um TCHAU ao mximo. Agora tudo que eu tinha que fazer
era descobrir como Ron havia feito isso. S para uma referncia futura.
"Ei, voc tem alguma coisa para se comer por aqui?" Barnabas disse, esfregando uma mo atravs da parte detrs de seu pescoo. "Eu me sinto como se no tivesse comido
h anos."
Como mgica, meu pai entrou em um modo parental-jovial, falando sobre waffles a medida que pisava no andar de baixo. Barnabas saiu atrs dele, hesitando quando eu
peguei seu cotovelo e o fiz parar.
"Ento a histria  que o Seth me deixou em casa e eu assisti TV pelo resto da noite?" eu perguntei, querendo saber quanto controle de danos eu teria que fazer por
conta prpria. "Eu nunca ca naquele aterro?" Eu acrescentei quando ele concordou. "Quem vai lembrar da noite passada? Algum?"
"Ningum vivo," ele disse. "Ron reserva tempo para ser meticuloso. Ele deve gostar de voc muito." Seu olhar caiu para a pedra ao redor do meu pescoo. "Ou talvez
ele simplesmente goste da sua bonita nova pedra."
Sentindo-me novamente nervosa, eu larguei a camisa dele e Barnabas arrastou-se atrs do meu pai - que estava agora gritando conosco da cozinha para saber se Barnabas
poderia ficar para o caf da manh. Eu endireitei meu vestido, passei uma mo pelo meu confuso cabelo, e dei vagarosos, cuidadosos passos para baixo atrs dele.
Eu me sentia realmente esquisita. Um ano. Eu tinha pelo menos um ano. Eu podia no estar viva, mas por Deus eu no ia morrer de um todo. Eu iria descobrir como usar
a pedra que eu peguei e ficar bem aonde eu estava. Aonde eu pertencia. Aqui com o meu pai.

Observem-me.

Captulo Quatro

Inquieta, eu sentei no telhado na escurido, jogando pedras pela noite enquanto tentava reordenar meu pensamento. Eu no estava viva, mas eu no estava de toda morta,
tampouco. Como eu havia suspeitado, um cuidadoso questionamento do meu pai transpondo-se pelo dia inteiro confirmou no apenas que ele no tinha idia de que eu
estivera morta no hospital, mas que ele nem ao menos se lembrava do acidente. Ele pensou que eu tinha dispensado o Josh quando descobri que eu era o par dele por
pena, pego uma carona para casa com o Seth e o Barnabas, e assistido TV a noite toda, fazendo bico com a minha fantasia.
Ele no estava satisfeito por eu ter estragado o aluguel, tampouco. Eu no apreciei ele tirar o custo disso da minha mesada, mas eu no quis me queixar. Eu estava
aqui, meio que viva, e isso era tudo que importava. Meu pai pareceu surpreso com a minha submissa aceitao do meu castigo, me dizendo que eu estava crescendo. Oh,
se ele apenas soubesse.
Eu observei meu pai de perto o dia toda enquanto eu desempacotava e colocava as minhas coisas nas gavetas e prateleiras. Estava claro que ele sabia que alguma coisa
no estava certa, apesar dele no saber direito o que. Ele dificilmente me tirava da sua vista, indo ao andar de cima para me trazer guloseimas e refrigerante at
que eu pudesse gritar. Mais de uma vez eu o peguei olhando pra mim com uma expresso assustada, escondendo-a quando ele me via retornar seu olhar. O jantar foi uma
conversa forada sobre pedaos de carne de porco, e depois de mexer na minha comida por uns bons vinte minutos, eu pedi licena, alegando que estava cansada depois
do baile da noite passada.
. Eu deveria estar cansada, mas no estava. No, eram duas da manh, e eu estava aqui fora no telhado, arremessando pedras, fingindo estar dormindo enquanto o mundo
girava numa escurido fria. Talvez eu no precisasse mais dormir.
Com os ombros caindo, eu tirei mais um pouco de alcatro das telhas e joguei na chamin. Ele batei na tampa metlica com um "ting", ricocheteando no escuro. Eu escavei
a parte superficial da inclinao do teto, ento puxei meu jeans de volta para onde ele deveria ficar.
Uma fraca sensao de desconforto deslizou atravs de mim, comeando do topo das minhas mos com alfinetadas suaves, deslizando para dentro com uma ponta cada vez
mais pontiaguda. A sensao de estar sendo observada explodiu em sua existncia, e eu girei, arfando, quando Barnabas caiu da rvore arqueando-se para cima.
"Ei!" eu gritei, o corao aos pulos enquanto ele aterrissava agachado como um gato. "Que tal um aviso?"
Ele se levantou para ficar na escurido da luz da lua com suas mos nos quadris. Havia um visvel brilho leve nele junto com sua repulsa.  "Se eu fosse um ceifador
negro, voc estaria morta."
", bem, eu j estou morta, no estou?" eu disse, jogando uma pedra nele. Ele no se moveu quando ela arqueou-se em seu ombro. "O que voc quer?" eu perguntei com
tristeza.
Ao invs de responder, ele encolheu seus estreitos ombros e olhou para o leste. "Eu quero saber o que voc no contou ao Ron."
"Perdo?"
Ele ficou parado como uma pedra, os braos cruzados no peito e encarando. "Seth disse alguma coisa para voc naquele carro. Foi a nica vez que voc esteve fora
da minha vista. Eu quero saber o que foi. Pode ser a diferena entre voc poder continuar com essa mentira de estar viva, ou de voc ser transportada para uma corte
negra." Agora ele se moveu, seu movimento spero e zangado. "Eu no vou falhar de novo, e no por sua causa. Voc era importante para o Seth antes de voc roubar
essa pedra. Foi por isso que ele foi te buscar no necrotrio. Eu quero saber por que."
Eu olhei para baixo para a pedra, brilhando na luz da lua, ento mudei meu olhar para os meus ps. O ngulo estranho do telhado fazia meus tornozelos doerem. "Ele
disse que o meu nome tinha surgido por vezes demais nos assuntos dos homens, e ele iria colher a minha alma."
Barnabas se moveu, vindo se sentar do meu lado com um grande espao entre ns. "Ele fez isso. Voc no  uma ameaa agora que est morta. Por que ele voltou para
voc?"
Tranqilizada pela postura relaxada dele, eu olhei para ele, pensando que seus olhos pareciam prateados na luz do luar. "Voc no vai contar?" eu pergunteu, querendo
confiar nele. Eu precisava conversar com algum, e no era como se eu pudesse ligar para os meus velhos amigos e desabafar sobre estar morta - por mais divertido
que pudessse ser.
Barnabas hesitou. "No, mas eu posso tentar persuadir voc para contar a ele voc mesma."
Com isso eu podia lidar, e eu tomei um vagaroso flego. "Ele disse que acabar com a minha pattica vida era o seu tquete para uma corte superior. Ele voltou para
provar que ele havia... me colhido."
Eu esperei por uma reao, mas no houve nenhuma. Finalmente eu no pude aguentar mais e levantei minha cabea para encontrar seus olhos. Barnabas estava olhando
para mim como se estivesse tentando descobrir o que isso signifcava. Claramente no tendo uma resposta, ele lentamente disse, "Eu acho que voc deveria guardar isso
para si mesma por um tempo." Ele provavelmente no quis dizer nada com isso. Esquea. Gaste seu tempo aprendendo como se encaixar."
"," eu disse com um sarcstico latido de risada. "Uma escola nova  muito divertida."
"Eu quis dizer se encaixar com a vida."
"Oh." Tudo bem. Eu teria que aprender a me encaixar, no em uma nova escola, mas com a vida. Excelente. Relembrando do desastroso jantar com o meu pai, eu mordi
o meu lbio. "Ah, Barnabas, eu deveria comer?"
"Claro. Se voc quiser. Eu no como. No muito, de qualquer forma," ele disse, soando quase desejoso. "Mas se voc for como eu, voc nunca ter fome."
Eu enfiei meu cabelo curto atrs da orelha. "E quanto a dormir?"
Com isso, ele sorriu. "Voc pode tentar. Eu no consigo fazer isso a no ser que eu esteja entediado alm da conta."
Eu tirei um pouco de alcatro das telhas e joguei na chamin de novo. "Por que eu no tenho que comer?" eu perguntei.
Barnabas se virou para me encarar. "Aquela sua pedra est dando energia, e voc a est pegando. Deleitando-se. Cuidado com os mdiuns. Eles vo pensar que voc est
possuda."
"Mmmm," eu murmurei, me perguntando se eu conseguiria alguma informao til sobre o que estava realmente acontecendo em uma Igreja, mas eles estavam errados sobre
os anjos da morte, ento talvez eles no soubessem tanta coisa quando achavam que sabiam.
Eu suspirei, sentando no escuro no meu telhado com um ceifador branco - meu anjo da guarda. Muito bem, Madison, eu pensei, me perguntando se a minha vida - ou morte,
de preferncia - poderia ficar ainda mais confusa. Eu lentamente manuseei a pedra que de algum jeito me deixava viva, me perguntando o que eu deveria fazer agora.
Ir para a escola. Fazer minha lio de casa. Ficar com o meu pai. Tentar achar sentido em quem eu era e o que eu deveria fazer. Nada demais tinha mudado, na verdade,
tirando aquela coisa de no-comer-no-dormir. Ento eu tinha algo pior do que um ceifador negro tentando acabar comigo. Eu tambm tinha um anjo da guarda. E a vida,
aparentemente, seguia em frente, mesmo se voc no  mais uma parte participante dela.
Barnabas me surpreendeu quando ficou de p de repente, e eu me inclinei para olhar para a altura dele contra as estrelas. "Vamos," ele disse, estendendo sua mo.
"Eu no tenho nada para fazer hoje  noite, e eu estou entediado. Voc no  dessas que gritam, ?"
Meu primeiro pensamento foi gritadora? E ento, ir aonde? Mas o que saiu da minha boca foi um podre, "Eu no posso. Eu estou de castigo. Eu no posso colocar um
p para fora de casa sem ser para ir  escola at que eu pague por aquela fantasia." Mas eu sorri, pegando a mo dele e deixando-o me ajudar a levantar. Se Ron podia
fazer meu pai esquecer que eu tinha morrido, eu estava disposta a apostar que Barnabas podia me encobrir para que eu pudesse escapulir por algumas horas.
", bem, eu no posso fazer nada sobre voc estar de castigo," ele disse, "mas para aonde ns vamos, voc no vai precisar colocar um p em lugar algum."
"Hn?" eu gaguejei, ento enrijeci quando ele se moveu atrs de mim, mais alto por causa da inclinao do telhado. "Ei!" eu gritei quando seus braos ficaram ao
meu redor. Mas meu protesto desapareceu em choque com a sombra cinza se curvando ao nosso redor repentinamente. Era real, cheirando ao travesseiro de penas da minha
me, e eu arfei quando seu agarro ficou mais apertado e meus ps deixaram o telhado em um declinante abandono da gravidade.
"Puta merda!" eu exclamei assim que o mundo se estendeu abaixo de ns, prata e preto ao luar. "Voc tem asas?"
Barnabas riu, e com o meu estmago comeando a fazer ondas de formigamento, ele foi para cima.
Talvez... talvez isso no fosse ser to ruim afinal.



FIM

Michele Jaffe - Beijar e Contar
(Kiss and Tell)



Captulo Um


"Me desculpe por isso no ser como o final de um livro de histrias," o homem com as mos ao redor da garganta dela disse, sorrindo, contendo os olhos dela com os
seus prprios enquanto a estrangulava.
"Se voc vai me matar, no pode simplesmente fazer isso de uma vez? Isso  meio desconfortvel."
"O que, minhas mos? Ou o sentimento de que voc  um fracasso -"
"Eu no sou um fracasso."
"- novamente."
Ela cuspiu no rosto dele.
"Ainda tem algum fogo. Eu realmente admiro isso em voc. Eu acho que voc e eu poderamos ter nos dado bem. Infelizmente, no h tempo."
Ela lutou uma ltima vez, arranhando as mos dele ao redor da sua garganta, seus antebraos, qualquer coisa, mas ele nem ao menos hesitou. Os punhos dela caram
sem esperana ao seu lado.
Ele se inclinou to perto do rosto dela que ela podia senti-lo exalar. "Algumas palavras finais?"
"Seis: Tirinhas para o hlito da Listerine[1]. Voc realmente precisa delas."
[1] http://tinyurl.com/5d4k2m
Ele riu e apertou as mos ao redor do meu pescoo at que elas se sobreporam. "Adeus."
Por um segundo, os olhos dele queimaram nos dela. Ento ela ouviu um estalo agudo e se sentiu caindo no cho a medida que tudo ficava negro.

Captulo Dois


OITO HORAS ANTES...

"Garotas astutas sabem que o silncio vale ouro - mas apenas por quatro segundos. Mais do que isso e voc estar se dirigindo para a Avenida Embarao," Miranda leu,
ento fez uma carranca para o livro. "Se voc sentir a contagem regressiva se insinuando, faa uma oferta  ele! Um simples 'Voc gostaria de um pouco de nozes?'
dito com um sorriso pode quebrar a estagnao do silncio em um estalo. Lembre-se, ser astuta  fazer coisas astutas."
Miranda estava comeando a desacreditar profundamente de Como Conseguir - E Beijar! - Seu Homem.
Encostando-se do lado do Town Car[2] preto estacionado na zona de cargo no Aeroporto Municipal de Santa Barbara naquela noite de junho, ela pensou em como ficou
totalmente entusiasmada quando o encontrou na livraria. Ele parecia um e-eles-viveram-felizes-para-sempre sonho que se realiza em forma de livro - quem no gostaria
de aprender "As Cinco Expresses Faciais Que Vo Mudar A Sua Vida" ou "Os Segredos Do Tantra Da Lngua Que Somente Os Profissionais Conhecem"? - mas tendo feito
todos os exerccios, ela no estava convencida dos poderes transformadores de um Sorriso Simptico ou de gastar meia hora por dia chupando uma uva. No foi a primeira
vez que um livro de auto-ajuda a havia decepcionado - Nada Mais De Procrastinar e Faa Amigos com VOC tinham sido dois completos desastres - mas foi deprimente
porque ela tinha tido grandes esperanas dessa vez. E porque, como sua melhor amiga, Kenzi, recentemente frisou, qualquer veterano do ensino mdio que agia como
Mirandia agia perto de suas paixonites realmente, realmente precisava de ajuda.
[2] http://tinyurl.com/55aq4g
Ela tentou outra passagem. "Reelabore uma das perguntas dele de volta para ele, acrescentando aquela insinuao de sugesto com uma sobrancelha levantada. Ou acelere
a conversa com uma cantada! Voc: Ns estamos na sesso de louas? Ele: No, por qu? Voc: Porque voc  requintado. Se loua no  o seu negcio, esse nunca falha
- Voc: Voc est usando calas espaciais? Ele: No, por qu? Voc: Porque a sua bunda  -"
Ol, senhorita Kiss."
Miranda olhou para cima e encontrou-se encarando a covinha no queixo e a cara bronzeada do Sargento Adjunto Caleb Reynolds.
Ela devia estar realmente muito distrada para nem ao menos ter escutado as batidas do corao dele quando ele se aproximou. Era caracterstico, com um pequeno eco
no final, meio como uma batida um-dois-trs de cha-cha (ela tinha aprendido sobre a batida de cha-cha com Voc Pode Danar!, outra massivamente infeliz experincia
com auto-ajuda). Ele provavelmente teria problema com isso quando ele ficasse velho, mas aos vinte e dois isso no parecia imped-lo de ir  academia, pelo menos
vendo seus msculos peitorais, bceps, ombros, antebraos, pulsos -
Para de encarar.
J que ela tinha um ataque de Boca Demente toda vez que tentava falar com um cara bonitinho - sem falar no mais jovem sargento adjunto de Santa Barbara, que era
apenas quatro anos mais velho do que ela e que surfava toda manh antes do trabalho e que era descolado o bastante para escapar impune por usar culos de Sol apesar
de serem 20h - ela disse, "Oi, adjunto. Vem sempre aqui?"
Fazendo com que ele fechasse a cara. "No."
"No, voc no vem, por que viria? Eu tambm no. Bem, no to freqentemente. Talvez uma vez por semana. No to freqentemente para saber aonde ficam os banheiros.
Ha-ha!" Pensando, no pela primeira vez, que a vida deveria vir com um alapo. Simplesmente uma pequena escotilha de sada na qual voc poderia desaparecer quando
voc tivesse absoluto e completamente se envergonhado. Ou quando voc tivesse erupes de espinha espontneas.
"Livro bom?" ele perguntou, tomando-o dela e lendo a legenda, "Um Guia para Boas Garotas Que (As Vezes) Querem Ser Ms" em voz alta.
Mas a vida no vem com um alapo.
" para um trabalho de escola. Lio de casa. De, hm, rituais de acasalamento."
"Achei que crime fosse mais o seu negcio." Ele a acertou com um de seus meio sorrisos, descolado demais para dar um sorriso grande. "Voc est planejando evitar
mais roubos de armazm em breve?"
Isso tinha sido um erro. No de ter parado os caras que tinham assaltado o Mercado 24-Horas #3 do Ron, mas ter ficado tempo o bastante para deixar a polcia ve-la.
Por alguma razo eles tinham achado difcil de acreditar que ela s estivesse encostada no poste da rua quando ele caiu na frente do carro dos ladres enquanto ele
apressava-se pelo cruzamento. Era triste ver como as pessoas eram desconfiadas, especialmente os oficiais da lei. E administradores de escolas. Mas ela tinha aprendido
muito desde ento.
"Eu estou tentando fazer isso s uma vez por ms," ela disse, esperando por um leve tom ha-ha-eu-estou-s-brincando-ser-astuta--fazer-coisas-astutas. "Hoje  s
o meu trabalho normal, coleta VIP no aeroporto." Miranda ouviu as batidas cha-cha do corao dele se acelerarem levemente. Talvez ele achasse que VIPs eram descolados.
"Aquele internato que voc freqenta, Academia Chatsworth? Ele deixam voc sair do campus a hora que voc quiser ou somente em certos dias?"
"Quartas e sbados de tarde, se voc  veterano. Ns no temos aulas portanto," ela disse e ouviu a batida do corao dele acelerar mais.
"Quartas e sbados de tarde livres. O que voc faz para se divertir?"
Ele estava chamando ela para sair? No. Brinca. NOBRINCANOBRINCANOBRINCA! Flerte! ela se ordenou. Sorriso Simptico! Diga alguma coisa! Qualquer coisa! Seja astuta!
Agora!
"O que voc faz para se divertir?" ela repetiu a pergunta dele de volta para ele, levantando uma sobrancelha para aquela insinuao de sugesto.
Ele pareceu pego de surpresa por um segundo, ento disse muito formalmente, "Eu trabalho, senhorita Kiss."
Por favor dem calorosas boas-vindas  Miranda Kiss, nossa nova Miss Garota Idiota do ano, ela pensou. Disse: " claro. Eu tambm. Quero dizer, eu ou estou conduzindo
clientes ou praticando com o time. Eu sou uma das Garotas Abelhas de Tony Bosun? O time de Roller Derby[3]?  por isso que eu fao isso," pretendendo apontar para
o Town Car mas dando uma pancada em sua mo ao invs disso. "Voc tem que ser uma motorista para a companhia do Tony, Transporte de Luxo 5Bs, para estar no time.
Ns geralmente s temos jogos nos finais de semana, mas ns praticamos nas quartas, algumas vezes ns outros dias..." Boca Demente minguou.
[3]  um esporte. Para mais informaes: http://esporte.hsw.uol.com.br/roller-derby.htm
"Eu j vi as Abelhas jogando.  um time profissional, no ? Eles deixam uma estudante de ensino mdio jogar?"
Miranda engoliu em seco. "Oh, claro.  claro."
Ele olhou para ela pela parte de cima de seu culos de sol.
"Est bem, eu tive que mentir para entrar no time. Tony acha que eu tenho vinte. Voc no vai contar para ele, vai?"
"Ele acreditou que voc tinha vinte?"
"Ele precisava de uma nova atacante."
Adjunto Reynolds deu risada. "Ento voc  a atacante? Voc  boa. Eu vejo porque ele pode ter aberto uma exceo." Olhando-a um pouco mais. "Eu nunca teria reconhecido
voc."
"Bem, voc sabe, ns usamos essas perucas e mscaras douradas ao redor dos olhos para que todas pareamos iguais." Era uma das coisas que ela gostava no Roller Derby,
o anonimato, o fato de que ningum sabia quem voc era, quais eram suas habilidades. Fazia-a se sentir invulnervel, segura. Ningum podia distingui-la por... coisa
alguma.
Adjunto Reynolds tirou seu culos de sol por completo para olhar para ela. "Ento voc cooloca um daqueles uniformes de cetim vermelho, branco e azul? Aqueles com
a saia curta e aquela capa de l bonitinha? Eu gostaria de ver isso um dia desses."
Ele sorriu para ela, diretamente nos olhos dela, e os joelhos dela ficaram fracos e a mente dela comeou a montar situaes envolvendo ele sem sua camisa mas com
um jarro de xarope de bordo e uma grande -
"Bem, l est a minha senhora," ele disse. "Te vejo por a." E ento foi embora.
- pilha de panquecas.
 Miranda o observou ir at uma mulher no comeo de seus vinte - espesso cabelo loiro, magra mas musculosa - colocar seu brao ao redor dela, e beijar seu pescoo.
O tipo de mulher cujos sutis tinham etiquetas que diziam, TAMANHO 36c, no MADE BY SANRIO nelas. Ouviu ele dizer excitadamente, "Espere at ns chegarmos em casa.
Eu tenho brinquedos novos maravilhosos, algo especial s para voc," sua voz rouca, o corao acelerando.
A medida que ele passava por Miranda, levantava seu queixo na direo dela e disse, "Voc fique longe de encrencas."
", voc tambm," Boca Demente disse  ele. Miranda queria bater sua cabea contra o topo do carro pelo quanto ela era idiota. Ele tentou dar um Leve Sorriso (expresso
nmero quatro do livro) mas acabou se engasgando ao invs.
Quando eles estavam atravessando a garagem, ela ouviu a mulher perguntar quem ela era e escutou o Adjunto Reynolds dizer, "A motorista local do Town Car."
"Ela  a motorista?" a mulher disse. "Parece com uma daquelas garotas da Companhia de Aviao Havaiana que voc costumava namorar, mas mais jovem. E mais bonitinha.
Voc sabe como o seu juzo fica ao redor de garotas jovens e bonitinhas. Voc tem certeza de que eu no preciso ficar preocupada?"
Miranda o ouviu rir, o divertimento genuno em sua voz quando disse, "Ela? Querida, ela  s uma estudante de ensino mdio que tem uma queda por mim. Confie em mim,
voc no tem nada do que se preocupar."
E pensou: Ala. Po. Agora. Por favor.
As vezes ter uma superaudio era superpodre.

Captulo Trs


Miranda amava o aeroporto de Santa Barbara, o jeito como ele se parecia mais com um bar Acapulco Joe do que com um edifcio oficial com suas paredes estilo-tijolo-cru,
cho frio de terracota, azulejo insanamente azul e dourado, e buganvlia adernando as paredes. Era pequeno, ento os avios s estacionavam aonde eles desembarcavam
e as escadas eram viradas para eles, com apenas uma cerca de alambrado separando as pessoas que esperavam das pessoas que saiam do avio.
Puxando o cartaz de boas vindas pra fora do Town Car, ela verificou o nome nele - CUMEAN - e o segurou na direo dos passangeiros do desembarque. A medida que ela
esperava, ela escutou uma mulher na Lexus SUV dourada quatro carros atrs dela falar em seu telefone, dizendo, "Se ela sair do avio, eu saberei.  melhor que ele
esteja com seu talo de cheques pronto," ento inclinou sua cabea para se focar no lento som de srloop srloop srloop de um caracol deslizando pela ainda-quente
calada em direo a um monte de hera.
Ela ainda se lembrava do momento exato em que ela percebeu que nem todo mundo ouvia as coisas que ela ouvia, que ela no era normal. Ela j tinha passado a primeira
metade de sua stima srie na Escola Saint Bartolomeo - a parte depois da exibio do vdeo Seu Corpo Est Mudando: Feminilidade - intrigada por todas as mudanas
que eles no ouviam, como as incontrolveis exploses de velocidade e o esmagamento por acaso de objetos que voc s estava tentando pegar e bater a sua cabea no
teto do ginsio quando voc estava apenas fazendo polichinelos e de repente ser capaz de ver partculas de p nas roupas das pessoas. Mas desde que a Irm Anna respondeu
todas as suas perguntas com "Para de fazer piada, criana," Miranda achou que elas deviam ser to bvias que o filme no precisou mencion-las. Foi somente quando
ela tentou ganhar a afeio eterna de Johnnie Voight ao alert-lo a no colar de Cynthia Riley novamente porque, baseada no som do lpis dela a cinco assentos de
distncia, ela sempre marcava as respostas erradas, que Miranda aprendeu exatamente o quo "distintamente habilidosa" ela era.  Ao invs de cair de joelhos e declarar
que ela era sua deusa de top e saia xadrez, Johnnie a chamou de esquisita, depois de vaca intrometida, e tentou bater nela.
Foi assim que ela aprendeu quo perigosos os poderes so, do jeito com que eles podiam transform-la em uma pria.
E tambm que ela era mais forte que os garotos da idade dela, e que eles no achavam que isso era legal ou mesmo bom. Assim como os administradores de escolas.
Desde ento ela tinha se tornado uma expert em agir normalmente, em ser cuidadosa. Tinha dominado seus poderes. Ou ela achava que tinha, at sete meses atrs quando-
Miranda empurrou a memria de lado e voltou sua ateno para as pessoas no aeroporto. Para seu trabalho. Ela viu uma garotinha com cachos loiros sentada nos ombros
do seu pai parada perto do caminho e acenando enquanto uma mulher andava do avio em direo a eles, agora gritando, "Mame, mame, eu senti sua falta!"
Ela assistiu a famlia feliz se abraar e sentiu como se algum a tivesse socado no estmago. Uma das vantagens de ir para o internato, Miranda pensou, era que voc
no era convidada para a casa das pessoas, nunca tinha que ve-los agir como famlias normais, tomando caf-da-manh juntos. Por alguma razo, toda vez que ela imaginava
famlias verdadeiramente felizes, elas estavam sempre tomando caf-da-manh.
Alm disso pessoas que tinham famlias normais no iam para a Academia Chatsworth, "A Principal Experincia de Internato no Sul da Califrnia." Ou, como Miranda
gostava de pensar, Depsito de Crianas, o lugar aonde pais (ou no seu caso, guardies) armazenavam suas crianas at que eles precisassem delas para alguma coisa.
Com a possvel exceo de sua colega de quarto, Kenzi.
Ela e Kenzi Chin viviam juntas h quatro anos, desde o primeiro ano delas[4], mais tempo do que Miranda j havia vivido com quase qualquer pessoa. Kenzi vinha de
uma famlia tomar-caf-da-manh-juntos-perfeita, tinha pele perfeita, notas perfeitas, tudo perfeito, e Miranda teria sido forada a odi-la se Kenzi no fosse tambm
to completamente leal e bondosa. E um tantinhozinho insana.
[4] o "ensino mdio" dos Estados Unidos  dividido em quatro sries, e no trs, como  aqui. Miranda e Kenzi se conheceram no freshman year (14/15 anos); depois
vem sophomore year (15/16), junior year (16/17) e finalmente senior year (17/18).
Como mais cedo naquela tarde, quando Miranda entrou no quarto delas e a achou apoiada em sua cabea, vestindo apenas roupa de baixo, com seu corpo inteiro coberto
com uma quantidade generosa de lama seca cor-de-hortel.
"Eu vou ter que ir  terapia pelo resto da minha vida para tirar essa imagem da minha mente," Miranda disse  ela.
"Voc vai precisar ir  terapia por tanto tempo de qualquer jeito para lidar com sua famlia problemtica. Eu s estou te dando material TNS para falar sobre." Kenzi
sabia mais sobre a histria familiar de Miranda do que qualquer um na Chatsworth, e quase tudo era fabricado. A parte sobre ela ser problemtica, contanto, era verdadeira.
Kenzi tambm gostava mesmo de acrnimos e inventava novos o tempo todo. Enquanto ela derrubava sua bolsa e desmoronava em sua cama, Miranda perguntou, "TNS?"
"Totalmente Nvel Superior." Ento Kenzi disse, "Eu no acredito que voc no vai ao baile. Eu sempre imaginei ns indo juntas."
"Eu no acho que a Beth gostaria muito disso. Voc sabe, de ser vela."
Beth era a namorada de Kenzi. "Nem fale comigo sobre essa criatura," ela disse agora, dando um falso estremecer. "O Show da Beth e da Kenzi est oficialmente cancelado."
"Desde quando?"
"Que horas so?"
"Trs e trinta e cinco."
"Duas horas e seis minutos atrs."
"Oh, ento vai estar de volta at o baile."
" claro."
As "cancelaes" da Kenzi aconteciam por volta de uma vez por semana e nunca duravam mais que quatro horas. Ela achava que o drama de trminos e a excitao da reconciliao
mantinham o relacionamento estimulante. E de algum jeito esquisito isso parecia funcionar, porque ela e Beth eram o casal mais feliz que Miranda conhecia. Mais perfeio.
"De qualquer jeito, pare de tentar mudar de assunto. Eu acho que voc est cometendo um grave erro ao perder o baile."
", estou certa de que nunca irei me perdoar."
"Estou falando srio."
"Por qu? Qual a importncia?  uma grande dana com um tema bobo. Voc sabe que eu sou danalxica e no deveria ser deixada em uma pista de dana perto de outras
pessoas."
"Uma Doce Saudao ao Vermelho, Branco, e Azul no  bobo,  patriota. E voc se d bem danando Hustle."
"Eu acho que Libby Geer iria discordar de voc. Se o maxilar dela ainda no estivesse quebrado."
"Que seja, o baile no  s uma grande dana.  um rito de passagem, um momento em que ns deixamos de ser quem ns ramos para irmos at a  vastido de adultos
que iremos nos tornar, jogando fora o peso de nossas inseguranas juvenis para -"
"- ficarmos bbados e talvez nos darmos bem. Dependendo da sua definio de se dar bem."
"Voc vai se arrepender se no for. Voc realmente quer crescer miservel e cheia de arrependimento?"
"Sim, por favor! Alm do mais, eu tenho que trabalhar."
"GAD[5] at parece. Voc est se escondendo atrs do seu trabalho de novo. Voc poderia muito bem conseguir folga no sbado. Pelo menos seja honesta sobre o por
que de voc no ir."
[5] GAD = Graas a Deus; no original TGI = thank God it.
Miranda lanou a Kenzi os Olhos Inocentes, expresso nmero dois do livro do beijo. "Eu no sei o que voc quis dizer."
"No olhe para mim como se fosse o My Little Pony. Eu tenho quatro letras para voc: W-I-L-L."
"E eu tenho trs letras para voc: N-E-M. Ah e mais quatro: C-D-S-[6]"
Mas Kenzi s continuou, ignorando-a, algo que ela fazia profissionalmente. " verdade que Will pode precisar ser vacinado ou passar por uma triagem para checar doenas
depois de ter sado com Ariel, mas eu no acredito que voc est desistindo to facilmente."
[6] CDS(V) = Cuide da sua (vida)
Will Javelin preenchia por volta de 98 porcento dos sonhos de Miranda. Ela estava tentando ignorar isso desde que ela soube que ele estava indo ao baile com Ariel
- "eu nomeei meus seios com os nomes das casas de campo da minha famlia, a sua famlia tem alguma casa de campo, Miranda? Ah certo, eu esqueci, voc  filha adotiva"
- West, da fortuna Acar-West--O-Melhor, mas era um desafio. Para evitar carma ruim Miranda disse, "No h nada de errado com a Ariel."
", nada que no possa ser curado com um exorcismo." Kenzi saiu de sua parada de cabea, plantando seus ps no cho. Ela estendeu a mo para pegar sua toalha. "Pelo
menos prometa que voc vai vir para o ps-festa. Na casa dos pais do Sean na praia? Voc vai, certo? Ns vamos todos ficar e assistir o Sol nascer. Isso lhe dar
uma chance para falar com o Will fora da escola. E quando voc vai me contar o que aconteceu entre vocs dois naquela outra noite, de qualquer jeito? Por que voc
est to MLES sobre isso?"
Miranda conhecia essa. "Eu no estou Meus Lbios Esto Selados," ela disse, pegando uma pilha de papis da estante de livros entre a cama dela e a de Kenzi e ajeitando-a.
"Voc est fazendo aquele negcio de novo. O negcio em que voc finge que  a Santa Dona de Casa para evitar uma discusso."
"Talvez." Miranda estava olhando para os papis agora, fotocpias de artigos de jornais da metade do ano passado. "Roubador de bolsa capturado por um misterioso
Bom Samaritano, achado amarrado  uma cerca por um i-i," o primeiro e mais recente dizia. Depois, de alguns meses antes, "Saca s: Assalto a mo armada frustrado
quando ladro perde o controle da arma. Testemunha diz que o ministrador de Pez[7] 'saiu de lugar algum' para golpear a arma da mo do assaltante." Finalmente, de
sete meses atrs, "Fuga do roubo de loja do armazm interrompida por poste de luz cado; dois presos." Ela comeou a sentir uma sensao de afundamento em seu estmago.
[7] um tipo de "guardador" de balas; http://tinyurl.com/6g4use
Pelo menos eram apenas trs de, o que, uma dzia de incidentes diferentes, ela disse a si mesma. Mas isso no a fazia realmente se sentir melhor. Ningum deveria
ligar nenhum desses eventos. Nunca.
A loja do armazm foi a primeira. Era anoitecer, o nevoeiro saia do oceano, os postes de luz faziam aurolas nebulosas no ar. Ela estava dirigindo por uma rua lateral
em Santa Barbara a caminho de seu treino de roller derby quando ouviu as ameaas de dentro do Mercado 24-Horas #3 do Ron e s... agiu. Ela no tinha controle sobre
o que fez, era como se ela estivesse em um sonho, seu corpo sabendo exatamente o que fazer, aonde os ladres iriam, como par-los. Retornando  ela do jeito que
as palavras de uma cano favorita retornam mesmo que voc no a tenha escutado em anos. S que ela no tinha idia da onde estavam retornando.
Ela tinha passado os trs dias seguintes seguindo o incidente da loja do armazm na cama, curvada como uma bola, tremendo. Ela disse  Kenzi que estava com gripe,
mas o que ela realmente estava era aterrorizada. Ela estava aterrorizada com os poderes que repentinamente no podia conter.
Aterrorizada porque us-los era uma sensao boa. To certa. Como se ela estivesse viva pela primeira vez.
Aterrorizada porque ela sabia o que poderia acontecer se as pessoas descobrissem. Com ela. E com-
Ela balanou as cpias na direo de Kenzi, exigindo, "O que voc est fazendo com eles?"
"Opa, Sargenta em treinamento Kiss chegou." Kenzi disse, batendo continncia. "Com todo o respeito, madame, mas como eles dizem nas foras armadas, QTQP. Voc no
vai escapar s por mudar de assunto usando sua voz assustadora."
QTQP correspondia a Que Triste Que Peninha. Miranda no conseguia no rir. "Se eu estivesse tentando mudar de assunto, exrcito de uma s pessoa, eu ressaltaria
que o negcio no seu corpo est descascando sobre todo o tapete que o decorador da sua me rastreou por trs continentes porque ele supostamente pertenceu a Lucy
Lawless. Eu quero mesmo saber, por que voc est interessada no crime de rua em Santa Barbara?"
Kenzi saiu do tapete e foi para o cho de madeira. "No no crime de rua em Santa Barbara, crime de rua frustrado.  para o meu projeto final de jornalismo. Algumas
pessoas esto dizendo que tem um fora mstica trabalhando. Talvez at a prpria Santa Barbara tenha voltado."
"Isso no pode ser s coincidncia? Criminosos estragam tudo o tempo todo, certo?"
"As pessoas no gostam de coincidncias. Como o jeito que no  coincidncia voc tentar me fazer falar sobre isso ao invs de responder as minhas perguntas sobre
o que aconteceu com voc e o Will.  Num minuto parece que vocs dois esto totalmente - e deixa eu acrescentar, finalmente - ficando e no prximo voc est de volta
ao nosso quarto. Arruinando, eu tambm devo acrescentar, uma totalmente espetacular noite romntica para mim.
"Eu te contei," Miranda suspirou. "No foi nada. Nada aconteceu."
Preguiosamente descansando contra o Town Car enquanto a ltima luz do dia esvaia-se, Miranda pensou que nada era um atenuante. Tinha sido pior do que nada. A expresso
no rosto de Will, aquela que pairava entre voc-tem-um-negcio-verde-preso-no-seu-dente e ah-ol-Professor-Louco.
Foi quando ela se tocou. Os artigos na mesa de Kenzi tinham sado todos em quintas, relatando coisas que haviam acontecido - coisas que ela havia feito - em quartas.
"Quartas e sbados de tarde livres," ela ouviu Caleb dizer, repetindo as palavras dela.
Isso era ruim. Isso era realmente ruim. Ela teria que procurar no chamar ateno.
A Lexus SUV dourada atrs dela se afastou do meio-fio e Miranda pode ouvir o casal l dentro brigar por cima do som do ar-condicionado deles. A mulher no volante
virando sua cabea para gritar com seu marido - No minta para mim! Eu sei que voc estava com ela! - pisando no acelerador pesadamente enquanto a famlia com a
menininha loira andava na faixa de pedestres na frente dela...
Mais tarde ningum tinha muita certeza sobre o que tinha acontecido.
Num segundo o carro estava descontrolado em direo a famlia na faixa de pedestres, no prximo houve um borro e eles estavam no meio-fio, estupefatos mas salvos.
A medida que ela observava a SUV dourada acelerar at ficar distante, Miranda sentiu o mesmo tremor de adrenalina que ela sempre tinha depois de ter agido sem pensar,
ter salvado algum. Era viciante, como uma droga.
E perigoso, como uma droga, ela lembrou a si mesma.
Eu acho que voc deveria arranjar um dicionrio. No  isso que "no chamar ateno" significa.
Cala a boca. Foi somente um salto e um pequeno empurro. Dificilmente alguma grande manobra ttica.
Voc no deveria ter feito isso. Foi muito arriscado. Voc no  invisvel, sabia.
Mas eu no fui vista. Deu tudo certo.
Dessa vez.
Miranda se perguntou se todo mundo tinha uma voz na cabea permanentemente ligada no canal VC--PODRE.
O que voc est tentando fazer, de qualquer jeito? Voc acha que pode salvar todo mundo? Quando voc no pode nem ao menos-
Cala a boca.
"O qu?" uma voz de garota perguntou e Miranda ficou surpresa ao perceber que ela tinha falado em voz alta, e algum estava parado ali.
A garota era mais ou menos da altura de Miranda mas mais nova, talvez quatorze, e se vestia como se tivesse estudado os clipes antigos da Madonna e quisesse ter
certeza de que se blusas arrasto usadas sobre sutis, luvas sem dedos, cabelos bagunados, lpis de olho preto grosso, braceletes de borracha, saias com anguas
e meia-arrasto, e ankle boots voltassem  moda, ela estaria pronta.
"Me desculpe," Miranda disse, "Eu estava falando comigo mesma." No exatamente como a Motorista Madura que supunha-se que ela fosse deveria agir.
"Ah." A garota segurou o cartaz com a palavra CUMEAN nela para Miranda. "Voc vai querer isso. E isso," ela disse, dando a ela uma pequena caixa quadrada.
Miranda tomou o cartaz mas balanou sua cabea para a caixa. "Isso no  meu."
"Deve ser. E eu, tambm. Quero dizer, eu sou Sibby Cumean." Ela apontou para o cartaz.
Miranda colocou a caixa no bolso para abrir a porta traseira para a garota, se perguntando que tipo de pais deixam sua filha de quatorze anos ser pega por uma estranha
as oito da noite.
"Posso ir na frente?"
"Os clientes preferem ir atrs," Miranda disse em sua voz mais professional.
"O que voc realmente quer dizer  que voc prefere quando eles vo atrs. Mas e se eu quiser ir na frente? Os clientes no podem fazer o que eles quiserem?
Transporte de Luxo 5Bs foi batizada assim por causa de uma srie de princpios que o dono, Tony Bosun, tinha inventado - chegue na hora, seja educado, seja acomodador,
seja discreto, tenha certeza de que receba o pagamento[8]. Apesar de Miranda suspeitar que ele os tinha inventado quando estava bbado tarde da noite, ela tentava
seguir as regras e ela tinha certeza de que isso contava como seja acomodadora. Ela se moveu para abrir a porta da frente.
[8] no original, os cinco Bs - B on time, B polite, B accommodating, B discreet, B sure to get paid.
A garota balanou a cabea. "No importa. Eu sento atrs."
Miranda emplastrou um sorriso. Que dia super que ela estava tendo! Sua cliente VIP era um pequenino demnio, o garoto dos sonhos dela estava indo ao baile com outra,
e o xerife adjunto por quem ela tinha uma quedinha no somente sabia disso como fez piada disso com sua namorada! Incrvel.
Pelo menos, ela disse a si mesma, as coisas no poderiam ficar piores.
Oh, agora voc fez isso.
Cala a boca.

Captulo Quatro


Sibby Cumean comeou a falar assim que elas saram do aeroporto.
"H quanto tempo voc dirige para as pessoas?" ela perguntou  Miranda.
"Um ano."
"Voc cresceu aqui?"
"No."
"Voc tem irmos?"
"No."
"Irms?"
"N-no."
"Voc gosta de dirigir?"
"Sim."
"Voc tem que usar esse conjunto preto enfadonho?"
"Sim."
"Quantos anos voc tem?"
"Vinte."
"Hm, no."
"Est bem. Dezoito."
"Voc j fez sexo?"
Miranda limpou sua garganta. "Eu no acho que essa pergunta  apropriada." Ela ouviu a si mesma soar como Dr. Trope, o assistente principal da escola, com a voz
que ele costumava dizer a ela que no iria escutar a outra desculpa sobre o por que dela estar atrasada ao voltar ao campus, regras eram feitas por uma razo e essa
razo no era para ela poder desprez-las para seu divertimento; e falando em atrasada, ela fez planos de em algum momento decidir o que iria fazer ano que vem ou
simplesmente de maneira irresponsvel perderia seu lugar nas diversas faculdades de primeira linha em que ela fora aceita, fazenda a escola parecer ruim e ela mesma
pior; e ele realmente no sabia o que tinha dado nela recentemente, aonde estava a Miranda Kiss que ia ser mdica e salvar o mundo, que era motivo de orguho da escola
e dela mesma, ao invs daquela que estava  caminho de ser expulsa -  isso que voc realmente quer, mocinha? Uma voz que ela conhecia bem j que parecia ouv-la
pelo menos uma vez por semana desde o comeo de novembro.
"Voc  uma virgem," Sibby anunciou, como se ela estivesse confirmando um fato que suspeitava h tempos.
"Isso no -"
"Voc pelo menos tem um namorado?"
"No nesse-"
"Uma namorada?"
"No."
"Voc tem amigos?" Voc no realmente no  muito boa em conversas."
Miranda estava comeando a entender porque os parentes da garota no tinham ido ao aeroporto por ela.
"Eu tenho um monte de amigos."
"Claro. Eu acredito em voc. O que voc faz para se divertir?"
"Respondo perguntas."
"Por favor nunca tente ser divertida novamente." Sibby se inclinou para frente. "Voc j pensou em usar um pouco de lpis de olho preto? Seria uma melhora."
Seja educada! "Obrigada."
"Voc pode parar?"
"Hm, ns estamos no semforo."
"S v para frente um tantinho - perfeito."
Olhando no retrovisor lateral, Miranda viu que Sibby tinha abaixado o vidro e estava se debruando, agora dizendo para os garotos no jipe ao lado delas, "Aonde vocs
meninos esto indo?"
Os garotos responderam, "Um pouco de surfe  luz do luar. Quer vir, deusa?"
"Eu no sou uma deusa. Voc acha que eu me pareo com uma?"
"Eu no sei dizer. Talvez se voc tirar a sua blusa."
"Talvez se voc me der um beijo."
Miranda apertou o boto para subir o vidro.
"O que voc est fazendo?" Sibby exigiu. "Voc poderia ter quebrado a minha mo."
"Coloque o seu cinto de segurana, por favor."
"Coloque o seu cinto de segurana, por favor," Sibby imitou, Desmoronando em seu assento. "Ai meu Deus, eu s estava tentando ser socivel."
"At que ns cheguemos ao nosso destino, nada mais de socializao."
"Voc escutou a si mesma recentemente? Voc parece que tem oitenta, no dezoito." Ela olhou de cara feia pelo espelho para Miranda. "Eu achei que voc fosse uma
motorista, no uma carceireira."
" o meu trabalho ter certeza de que voc chegue aonde est indo de uma maneira protegida e em tempo. Isso est impresso no carto que voc achar no compartimento
do seu assento, a propsito."
"Como beijar alguns meninos vai me deixar desprotegida?"
"De um milho de jeitos diferentes. E se eles tiverem fungos invisveis na boca? Ou LbiosDaMorte."
"No existe LbiosDaMorte."
"Voc tem certeza?"
"Voc s est com inveja porque eu sei como me divertir e voc no. Virgem."
Miranda girou seus olhos mas ficou quieta, escutando as conversas de celular dos carros atrs delas, uma mulher dizendo a algum que o jardineiro estava a caminho,
um cara dizendo em uma voz mstica, "Eu vejo um misterioso estranho indo at voc, no posso dizer com certeza se  um homem ou uma mulher." Outro homem falando
com algum sobre como ele queria tirar aquela cadela do testamento e no importava se ela era o co favorito de sua me -
Ela foi interrompida repentinamente por Sibby gritando, "Inn-Out Burger! Ns temos que parar."
Seja acomodadora!
Miranda concordou em deixar Sibby pedir seu prprio pedido no drive-thru, ento se arrependeu quando ela ouviu a garota dizer ao cara anotando o pedido, "Eu ganho
um desconto se eu deixar voc me beijar?"
"Est bem, srio mesmo, voc foi criada na Loucolndia?" Por que voc quer beijar todos esse caras que voc nem conhece?" Miranda perguntou.
"No tem tantos meninos daonde eu venho. E o que conhecer eles tem a ver com isso? Beijar  timo. Eu beijei quatro garotos no avio. Eu estou torcendo para tranformar
isso em vinte e cinco antes do fim do dia."
Ela acrescentou os dois que trabalhavam na pista do drive-thru quando ganhou seu hambrguer.
"Todos os hambrgueres so to deliciosos assim?" ela perguntou quando elas estavam na estrada novamente.
Miranda deu uma espiada nela no espelho retrovisor. "Voc nunca comeu um hambrguer antes? Aonde voc mora?"
"Nas montanhas," Sibby respondeu rapidamente, e Miranda detectou um ligeiro aumento na velocidade do corao dela, sugerindo que ela estava mentindo e no estava
acostumada a faz-lo. O que pareceu enormemente improvvel - a parte de no estar acostumada - para algum que tinha um caso grave de Loucura por Garotos como essa
garota. Os pais dela no podiam deix-la solta por a -
AH NO  MESMO PROBLEMA SEU, Miranda lembrou a si mesma. Seja discreta.
Sibby tentou solicitar beijos de outros quatro garotos enquanto elas se moviam. Elas estavam h um quilmetro e meio do local da entrega e Miranda estava pensando
que o percurso no podia acabar cedo o bastante quando Sibby gritou, "Ai meu Deus, uma loja de donuts! Eu sempre quis experimentat donuts, tambm. Podemos parar?
Porfavorporfavorporfavorporfavorporfavor?"
Elas j estavam quase uma hora atrasadas mas Miranda no podia negar donuts a ningum. At mesmo a algum que dizia, "Ai meu Deus." Mas parando o carro, ela viu
um grupo de garotos sentados em uma mesa de dentro e decidiu que seria muito perigoso deixar Sibby perto deles se ela queria sair de l em menos de quarenta minutos.
"Eu vou entrar e peg-los, voc fica aqui."
Sibby tinha visto os garotos, tambm. "De jeito nenhum, eu vou entrar."
"Ou a sua bunda fica no carro, Bandida Beijoqueira, ou os donuts ficam na loja."
"Eu no acho que essa seja uma maneira legal de falar com os clientes."
"Sinta-se a vontade para usar meu telefone para prestar uma queixa enquanto eu estiver l dentro. Ns temos um acordo?"
"Est bem. Mas voc vai ao menos abaixar o vidro?" Miranda hesitou. Sibby disse, "Olha, vov, eu prometo que vou manter a minha bunda no carro, eu s no quero sufocar."
Deus."
Quando Miranda voltou, Sibby tinha ficado presa na janela com seu corpo e pernas para fora do carro e suas ndegas para dentro, e estava profundamente envolvida
beijando um garoto loiro.
"Com licena," Miranda disse, dando um tapinha no ombro do garoto.
Ele se virou meio confuso, olhou-a de cima a baixo. "Ol, garota dos sonhos. Voc quer um beijo, tambm? Eu poderia fazer algo realmente especial com lbios como
os seus. Voc nem teria que me pagar um dlar."
"Obrigada, mas no." Olhando para Sibby agora. "Eu achei que tnhamos concordado que-"
"- minha bunda iria ficar no carro. Aonde, se voc se der ao trabalho de olhar, voc veria que ela est.
Miranda afastou-se para que Sibby no a visse rindo.
Ela passou os donuts para Sibby e deslizou para o assento do motorista. Logo que Sibby se serpenteou de volta da janela, Miranda notou seus olhos no espelho retrovisor.
"Voc estava pagando aos garotos para te beijar?"
"E da?" Sibby olhou furiosamente. "Nem todas ns podemos ser beijadas de graa." Mais olhares furiosos, ento, "Voc mal tem seios. Meus seios so maiores que os
seus. No faz sentido."
Sibby ficou quieta, nem ao menos comendo seu donut. De vez em quando ela suspirava dramaticamente.
Miranda comeou a se sentir um pouco mal. Talvez ela estivesse agindo como uma vov. Ela olhou para Como Conseguir - E Beijar - Seu Homem no assento ao lado dela.
Talvez voc esteja com cimes por ela ser quatro anos mais nova do que voc mas j ter beijado mais caras em um dia do que voc provavelmente namorar em sua vida
toda mesmo que voc faa um implante de silicone e viva at dois trilhes de anos.
Cala a boca, canal VC--PODRE.
Ela devia ser gentil, bater papo. "Quantos beijos deu no total agora?"
Sibby manteve seus olhos no colo. "Dez." Olhando para cima para acrescentar, "Mas eu s paguei seis deles. E para um deles eu s dei uma moeda de 25 centavos."
"Bom trabalho."
Miranda viu Sibby olhar para cima com suspeita, como se ela pensasse que estava sendo ridicularizada, decidiu que no estava, e comeou a beliscar seu donut. Depois
de um tempo ela disse, "Posso te fazer uma pergunta?"
"Est pedindo permisso agora?"
"De verdade, por favor simplesmente pare de tentar ser engraada.  doloroso."
"Obrigada pela dica. Voc tinha uma pergunta ou -"
"Por que voc no queria beijar aquele garoto l? Aquele que queria beijar voc?"
"Eu acho que ele no  o meu tipo."
"Qual  o seu tipo?"
Miranda pensou no Adjunto Reynolds - olhos azuis e covinha no queixo e cabelos loiros despenteados, levantando-se toda manh para surfar. O tipo de cara que sempre
usava culos de Sol ou olhava para voc com seus olhos meio fechads e era descolado demais para sorrir. Ento imaginou Will com sua pele escura, cor-de-xarope-de-bordo,
cabelo curto cacheado, enorme sorriso de menino, e abdominais que torneavam quando ele andava, sem camisa, com os outros jogadores depois do treino de lacrosse,
o corpo brilhando no Sol, sua risada retumbando e fazendo-a se sentir como se sentira quando viu manteiga derretendo em um waffle belga perfeitamente feito.
No que ela rotineiramente pulasse no telhado do laboratrio de biologia marinha quando ningum estava olhando para ver isso. (Semanalmente.)
"Eu no sei,  mais uma sensao do que um tipo," Miranda disse finalmente.
"Quantos garotos voc j beijou? Cem?"
"Hm, no."
"Duzentos?"
Miranda corou e torceu para que Sibby no pudesse ver. "Continue chutando."
Elas pararam no endereo que haviam dado  ela, uma hora e quinze minutos depois do que elas deveriam, a primeira vez que ela entregava um cliente tarde.
Quando Miranda abriu a porta do carro para ela, Sibby perguntou, "Beijar um garoto que faz seu tipo  realmente diferente de beijar qualquer garoto?"
" complicado." Miranda estava surpresa pelo quo aliviada ela estava por no ter que falar mais sobre isso, admitir para essa garota que, na verdade, ela no tinha
idia.
O lugar parecia mais um esconderijo do governo para testemunhas do que um lar, ela pensou, levando Sibby at a porta.  Era como a descrio do dicionrio de indefinido,
espremida entre uma casa com a Branca de Neve e os Sete Anes representando o Nascimento de Jesus no gramado da frente de um lado, e uma com um balano rosa-e-laranja
do outro lado. A nica coisa que voc notava nessa casa era que tinha cortinas grossas penduradas nas janelas da frente para que voc no pudesse ver l dentro,
e uma cerca de madeira consistente de um metro e oitenta bloqueando o quintal para que voc no pudesse entrar. A rua estava cheia de barulhos - Miranda ouviu churrasqueiras
chiando, conversas, algum assistindo A Bela e a Fera em espanhol - mas essa casa estava silenciosa, como se fosse  prova de som.
Ela registrou um baixo zumbido vindo de dentro, como um ar condicionado mas no exatamente um. Dando uma olhada para cima, ela viu que nenhum dos cabos de fora
conectavam-se a essa casa. Nenhuma das linhas telefnicas, tampouco. Um gerador de energia eltrica. Quem quer que seja que vivia aqui estava vivendo sem rede eltrica.
De modo geral, o lugar todo era realmente aconchegante, se aconchegante significava arrepiante e fantico.
E a mulher que abriu a porta da frente? Exatamente o que voc esperaria de algum arrepiante e fantico, Miranda pensou. Ela tinha cabelo grisalho puxado para trs
em um coque frouxo e estava usando uma saia longa e um tipo de suter sem forma. Ela podia ter desde trinta at sessenta anos, era impossvel de dizer porque ela
estava usando um par enorme de culos bifocais com uma desfavorvel armao quadrada que ampliava seus olhos e cobria metade de seu rosto. Ela parecia completamente
indefesa, como uma professora que havia dedicado sua vida para cuidar de um parente envelhecido e cuja nica indulgncia era uma quedinha secreta pelo Sr. Rochester
de Jane Eyre.
Ou quase como isso. Como se esse fosse o estilo que ela estava querendo. Mas havia algo errado, alguma coisinha que no encaixava muito bem, um detalhezinho que
no estava certo.
No. . Da. Sua. Conta.
Miranda disse adeus, pegou sua gorjeta de um dlar - "Porque voc realmente estava bem atrasada, querida" - e foi embora.
Ela estava a meia quadra de distncia quando pisou no freio e correu a toda velocidade de volta  casa.

Captulo Cinco


O que voc acha que est fazendo? ela perguntou a si mesma. De forma retrica, j que ela j estava em cima da rvore do vizinho da Branca-de-Neve-e-os-Sete-Anes-Imitando-o-Beb-J



esus e encarando o jardim da casa aonde deixara Sibby.
Eu mal posso esperar para ouviu voc dizer aos tiras, "Sim, policial, eu sei que eu estava invadindo mas a mulher era muito suspeita porque ela estava usando clios
postios."
Com um traje completo de Culto Arrepiante. Eles no combinavam. Alm do mais ela tinha um furo de piercing de nariz. E unhas francesinhas.
Talvez ela s tivesse poros realmente grandes! E um amor por unhas antiquadas!
Ela no era o que estava fingindo ser.
Isso  sobre ajudar algum ou ter uma desculpa para no aparecer no baile e ver Will esfregando o nariz no enorme e macio-
Cala a boca, VC--PODRE.
Eu ia dizer cabelo da Ariel.
Voc no  nem um pouco engraada.
Voc no  nem um pouco corajosa.
Havia dois caras sentados no quintal, se debruando sobre uma mesa de piquenique na direo um do outro com um livro entre eles, ambos de camisetas e calas cquis
e papetes, um deles usando culos com uma grossa armao-preta, o outro com uma barba desordenada. Eles pareciam dois caras universitrios nerds jogando Dungeons
and Dragons e soavam como dois tambm quando o que usava os culos disse, "No  assim que funciona. Diz no Livro das Regras que ela no pode ver para ela mesma,
s para outras pessoas. Voc sabe, como gnios com desejos, como eles no podem conceder os seus prprios." Exceto que cada um tinha um grande revlver automtico
deitado na mesa perto deles e Miranda pode ver alvos fixados na cerca.
E da? Eles so nerds armados. Talvez eles protejam a Sibby. V para casa. Sibby no precisa de voc. Ela est tima.
Se ela est tima, por que ela no est l fora tentando beijar os dois caras?
Miranda se esforou para ouvir algo de dentro da casa mas ela definitivamente era  prova de som. Um casal saiu de portas corredias para o ptio longe dos Caras
Nerds, uma mulher fumando um cigarro em baforadas curtas e tensas e um homem. Miranda quase caiu da rvore quando reconheceu a mulher como a mulher fantica, s
que agora sem os culos, saia, e suter e com seu cabelo solto.
O que no quer dizer nada.
A mulher sussurrou, "Ns ainda precisamos que a garota nos conte a localizao, Byron."
"Ela vai contar."
"Ela ainda no contou."
"Eu te disse, mesmo que eu no consiga faz-la falar, o Jardineiro consegue. Ele  bom nisso."
A mulher novamente: "Eu no gosto dele ter trazido um scio. Isso no fazia parte do plano. Ela vai ser apagada -"
O homem chamado Byron cortou ela. "Jogue isso fora e fique quieta, ns temos companhia." Ele apontou para os Caras Nerds se movendo para juntarem-se a eles.
A mulher esmagou seu cigarro com o p e chutou-o para longe.
"ELA est bem?" O Nerd Barbudo perguntou ofegantemente, pronunciando ELA como se devesse ser escrito em letras maisculas.
"Sim," o homem garantiu  ele. "Ela est descansando depois de sua prova."
Ah, eles no podem estar falando de Sibby. Prova? De jeito nenhum.
"ELA j disse alguma coisa?" O Nerd do culos perguntou.
O homem disse, "S expressou o quanto ELA est grata por estar aqui."
Miranda quase bufou.
O Nerd Barbudo disse, "Ns poderemos ver ELA?"
"Quando a Transio acontecer."
Os nerds saram com um jubiloso deslumbramento e Miranda decidiu que essa era a coisa mais estranha que ela j tinha visto.
Mas isso provava que Sibby no corria perigo algum. Essas pessoas claramente veneravam ELA. O que queria dizer que era hora -
"Por que chamam ele de Jardineiro, a propsito?" A mulher Clios Postios perguntou ao homem.
"Eu acredito que  porque ele  bom em arrancar as coisas."
"Coisas?"
"Dentes, unhas. Articulaes.  assim que ele faz as pessoas falarem."
-hora de achar a Sibby.
Miranda saltou da rvore para o jardim do vizinho e viu ela mesma sob a mira de um revlver automtico.

Captulo Seis


"Coloque eles pra cima," o Nerd do culos disse. "Eu quis dizer os seus braos." Miranda fez o que ele disse porque as mos dele estavam tremendo tanto que ela tinha
medo que ele atirasse nela por acidente.
"Quem  voc? O que voc est fazendo aqui?" ele exigiu com uma voz que tremia quase tanto quanto suas mos.
"Eu s queria ver ELA de relance," ela disse, esperando que soasse certo.
Ele estreitou seus olhos. "Como voc sabia que ELA estava aqui?"
"O Jardineiro me disse, mas eu no sabia aonde ELA estava sendo mantida ento eu escalei a rvore para olhar."
"A qual filial voc pertence?"
Eu sabia que isso iria terminar em lgrimas. E agora, espertinha?
Miranda levantou uma sobrancelha e disse, "A qual filial voc pertence?" Acrescentando por precauo, "Quero dizer, eu me lembraria de um cara como voc se o tivesse
visto antes."
Funcionou! Ela viu ele engoliu duro, seu pomo-de-Ado balanando para cima e para baixo. E nunca iria duvidar novamente de Como Conseguir - E Beijar - Seu Homem!
Ele disse, "Eu iria me lembrar de voc tambm."
Ela acertou-o com uma dose do Sorriso Simptico e viu o pomo-de-Ado mover-se mais. Ela disse, "Se eu te der a minha mo para apertar, voc vai atirar em mim?"
Ele gargalhou e abaixou sua arma. "No," ainda gargalhando. Oferecendo sua mo agora. "Eu sou o Craig."
"Oi, Craig, eu sou a Miranda," ela disse, pegando-a. Ento com um movimento brusco o deixou de costas no cho e o nocauteou com um nico movimento silencioso.
Ela olhou para sua mo por um segundo chocada. Ela definitivamente nunca tinha feito isso antes. Isso tinha sido muito legal.
Se voc vai ser uma idiota e arriscar tudo, voc poderia fazer o que veio aqui para fazer. Voc sabe, invs de s encarar o cara que voc nocauteou.
Ele se curvou para sussurrar, "Sinto muito. Tome trs aspirinas para a sua cabea quando voc acordar e vai se sentir melhor," em seu ouvido, e se moveu lentamente
ao redor do esconderijo.
Devia ter uma janela aberta porque ela pode ouvir vozes aqui, o homem que estivera do lado de fora antes agora estava dizendo  algum, "Voc est confortvel?"
E Sibby respondeu, "No. Eu no gosto desse sof. Eu no posso acreditar que essa  a melhor sala da casa. Parece com um lugar para vovs."
Heh!
Miranda seguiu o som da voz de Sibby e se achou em frente  uma das janelas de vidro-laminado viradas-para-a-rua, olhando para uma sala de estar atravs de uma lacuna
na cortina azul-escura. Havia um sof, uma cadeira e uma mesinha de centro longos e esguios. Sibby estava na cadeira, seu perfil virado para Miranda, com um prato
de Oreos na sua frente. Ela parecia bem.
O homem estava empoleirado no sof, sorrindo para Sibby, dizendo, "Ento, aonde  que devemos deixar voc?"
Sibby tirou a parte de cima do Oreo e comeu. "Eu te conto mais tarde."
O homem continuou sorrindo. "Eu gostaria de saber para que eu possa planejar o caminho. Nunca se  cuidadoso demais."
"Ai meu Deus, faltam horas para a gente ir. Eu quero assistir um pouco de TV."
Miranda ouviu o corao do homem acelerar e viu sua mo contrair mas ele manteve seu tom de voz leve quando disse, " claro." Ento acrescentou, "Assim que voc
me disser aonde estamos te levando."
Sibby olhou com desdm para ele. "Voc  surdo ou algo do tipo? Eu disse que eu te conto mais tarde."
" de seu interesse que voc fale comigo. Do contrrio receio que terei que trazer outra pessoa. Algum um pouco mais... forte."
"timo. Mas enquanto eu espero, posso por favor assistir TV? Me diz que voc tem TV a cabo. Ai Deus, se voc no tiver MTV, eu vou ficar realmente irritada."
O homem se levantou com uma expresso em seu rosto como se ele quisesse quebrar alguma coisa, ento abruptamente virou seu rosto para a porta. Miranda ouviu passos
do corredor indo em direo  sala, e com eles uma familiar batida do corao cha-cha. Dois segundos depois o Sargento Adjunto Caleb Reynolds irrompeu pela porta.
Viu? Sibby no corre perigo algum. A polcia est aqui. D o fora.
Adjunto Reynolds disse para o homem, "Por que est demorando tanto?"
"Ela no fala."
"Estou certo de ela mudar de idia." Os batimentos do seu corao aceleraram.
Sibby deu uma olhada nele. "Quem  voc?"
Caleb disse, "Eu sou o Jardineiro."
Isso era extremamente pssimo, Miranda decidiu.
"Eu no fiquei impressionada com o gramado da frente," Sibby disse  ele.
"Eu no sou esse tipo de Jardineiro.  um apelido. Eles me chamam assim porque -"
"Na verdade, eu no estou nem vagamente interessada. Eu no sei o que voc est planejando, Garoto Planta -"
"Jardineiro," ele corrigiu, ficando um tanto vermelho.
"- mas se voc precisa saber aonde eu devo ser apanhada pela Administrao, ento voc tem que me manter viva, certo? Ento voc no pode exatamente me ameaar com
a morte."
"No, morte no. Mas dor." Ele se dirigiu ao homem. "V pegar as minhas ferramentas, Byron."
No momento em que o homem deixava a sala, Sibby disse, "Eu no vou te contar nada."
Adjunto Reynolds circulou at que estivesse debruado sobre a cadeira dela, suas costas para a janela.
"Escuta aqui -" ele disse, seus batimentos do corao desacelerando repentinamente.
Miranda teve um erro de clculo, irrompendo pela janela primeiramente com o p, depois deixando-o inconsciente com um chute lateral no pescoo antes que ele pudesse
se virar.  Ela se curvou para sussurrar, "Sinto muito," em seu ouvido, decidiu como punio no cont-lo sobre as aspirinas, agarrou Sibby, correu a toda velocidade
at o carro, e pisou no acelerador.

Captulo Sete


"Ele nem ao menos sabia que voc estava l," Sibby disse. "Ele nem mesmo soube quem o acertou."
"Era essa a idia." Elas estacionaram perto de um edifcio abandonado de manuteno da Amtrak numa parte antiga dos trilhos de trem que estava completamente escondido
da rua. Era o lugar que Miranda comeou a freqentar sete meses antes para gastar toda a sua louca energia nova e tentar coisas que ela no podia praticar em outro
lugar - Roller Derby era timo pela velocidade, balano, ginstica, e movimentos com impulso, mas voc no podia udar jud avanado. Ou armas.
Ela podia perceber as marcas de seu ltimo exerccio com arco e flecha na parte lateral do edifcio, e o pedao de trilho da estrada de ferro com o qual ela tinha
feito um n no dia seguinte ao que Will a rejeitou ainda estava deitado no cho. Ela nunca tinha visto outra pessoa aqui, e ela estava certa que ela e Sibby seriam
basicamente invisveis contanto que permanecessem estacionadas.
"Aonde voc aprendeu a nocautear pessoas daquele jeito?" Sibby perguntou, esparramada pelo assento traseiro. "Voc pode me ensinar?"
"No."
"Por que no? S um movimento?"
"Absolutamente no."
"Por que voc disse que sentia muito depois de t-lo acertado?"
Miranda virou-se para encar-la. " a minha vez de fazer perguntas. Quem quer te matar e por qu?"
"Deus, eu no sei. Poderia ser um monte de gente. No  bem assim, como voc acha que ."
"Como que  ento?"
" complicado. Mas se ns pudessemos ficar por a at quatro da manh, tem um lugar aonde eu posso ir."
"Isso  daqui a seis horas."
"Isso me dar tempo para pelo menos mais dez beijos."
"Bem,  claro. O que mais voc faria enquanto algum est tentando te matar exceto sair e dar beijos de lngua no mximo de estranhos que  possvel?
"Eles no estavam tentando me matar, eles estavam tentando me seqestrar.  totalmente diferente. Vamos, eu quero fazer alguma coisa divertida. Alguma coisa involvendo
meninos."
"Ou ns poderamos no fazer isso."
"Olha, s porque voc  um membro fundador da Abaixo a Diverso Inc. no significa que o resto de ns quer ser recrutado."
"Eu no sou um membro fundador da Abaixo a Diverso Inc. Eu gosto de diverso. Mas -"
"Estraga prazeres."
"- de algum modo a idia de perambular sem rumo enquanto 'um monte de gente' est tentando seqestrar voc no soa divertida para mim. Soa como uma boa maneira de
se entrar no Livro dos Recordes Mundiais Guinness sob 'Plano, vrgula, Os Mais Estpidos do Mundo.' Alm disso observadores inocentes podem se involver quando o
monte de gente achar voc."
"'Se,' no 'quando.' E eles no se importam com ningum exceto eu."
Miranda girou seus olhos e virou-se para frente. " por isso que eles so chamados de observadores inocentes. Porque eles estavam perto de voc e acidentalmente
se machucaram."
"Ento voc definitivamente deveria ficar longe de mim. Srio, apesar de no ter nada que eu prefira fazer do que ficar estacionada no banheiro de um sem-teto por
seis horas com somente voc como companhia, eu acho que seria mais seguro para ns duas se eu tentasse a sorte em outro lugar. Como naquela sorveteria que ns passamos
 caminho daqui. Voc viu os lbios do cara atrs do balco? Eles eram fabulosos.. Me deixe l e eu vou ficar bem."
"Voc no vai mesmo a lugar algum."
"Srio? Porque esse som que est ouvindo? Sou eu alcanando a maaneta da porta."
"Srio? Porque esse som que est ouvindo? Sou eu apertando a trava de segurana para crianas."
No espelho retrovisor, Miranda viu os olhos de Sibby flamejando.
"Voc  realmente m," Sibby disse. "Algo horrvel deve ter acontecido para voc ser to m."
"Eu no sou m. Eu s estou tentando mant-la a salvo."
"Tem certeza que  em mim que voc est pensando? No em algum esqueleto no armrio? Como na vez que voc -"
Miranda ligou o rdio.
"Abaixa isso! Eu estava falando e eu sou uma cliente."
"No mais."
Sibby gritou realmente alto, "O que aconteceu com a sua irm?"
"Eu no sei sobre o que voc est falando," Miranda gritou de volta.
"Isso  uma mentira."
Miranda no disse nada.
"Eu te perguntei antes se voc tinha uma irm e voc ficou toda chorosa," Sibby berrou em seu ouvido. "Por que voc no me conta?"
Miranda abaixou o rdio. "Pode me dar trs boas razes do porque eu deveria?"
"Pode fazer voc se sentir melhor. Daria-nos algo sobre o que falar enquanto ns sentamos aqui. E se voc no me contar, eu vou comear a chutar."
Miranda inclinou sua cabea para trs, olhou seu relgio , e se virou para encarar a janela. "Sinta-se  vontade."
"Voc incomodou tanto ela que ela foi embora? "Voc chateou tanto ela que ela foi embora? Ou voc a afastou com a vareta enorme que guarda na bunda?"
"Pare de ser delicada com os meus sentimentos. V em frente, me diga o que voc realmente pensa."
Do assento traseiro Sibby disse, "Isso pode ter sido malvado demais. Sinto muito."
Miranda no disse nada.
"Voc no tem realmente uma vareta na sua bunda. Seno voc no poderia dirigir, certo? Ha-ha?"
Silncio.
"Mas eu quero dizer, voc comeou. Com o negcio da trava de segurana para crianas. Eu no sou uma criana. Eu tenho quatorze."
Mais silncio.
"Eu disse que sentia muito." Sibby tombou no assento traseiro, suspirando. "timo. Fique assim."
Silncio. At que, por razo alguma que ela pudesse explicar, Miranda disse, "Eles morreram."
Sibby sentou rapidamente agora, se inclinando em direo ao assento dianteiro. "Quem? Suas irms?"
"Tod mundo. Minhas famlia inteira."
"Foi por causa de alguma coisa que voc fez?"
"Sim. E por causa de uma coisa que eu no fiz. Eu acho."
"Hm, Vov Ranzinza, isso no faz nenhum sentido. Como no fazer alguma coisa - espera, voc acha? Voc no sabe o que aconteceu?"
"Eu no consigo realmente me lembrar de nada dessa parte da minha vida."
"Voc quer dizer daquele dia?"
"No. Daquele ano. E do ano seguinte. Praticamente tudo desde que eu tinha dez at quando eu fiz doze. E tem alguns outros buracos, tambm."
"Voc quer dizer que esse negcio  simplesmente doloroso demais para se lembrar?"
"No, ele s... se foi. Tudo o que eu tenho so sensaes." E os sonhos. Sonhos realmente, realmente ruins.
"Como o qu?"
"Como eu no estar aonde eu deveria estar e alguma coisa aconteceu e eu decepcionei todo mundo..." Ela parou, agitando a mo no ar.
"Espera, voc realmente acha que poderia ter impedido o que quer que tenha acontecido com eles? Sozinha? Quando voc era quatro anos mais nova do que eu?"
A garganta de Miranda parecia que estava se fechando. Ela nunca tinha contado  algum esse tanto sobre sua histria verdadeira antes, nunca falou sobre isso, nem
mesmo com Kenzi. Nunca. Ela engoliu duro. "Eu poderia ter tentado. Eu poderia ter estado l e tentado."
"Ai meu Deus, agora isso virou uma festa de pena. Bocejo. Me acorde quando voc tiver acabado."
Miranda olhou boquiaberta para ela no espelho. "Eu te disse que no queria falar sobre isso mas voc continuou me incomodando e agora voc vira a prefeita de Ditadoralndia?"
Engolindo novamente. "Sua -"
"Voc nem sabe o que aconteceu! Como voc pode se sentir to mal por causa disso? Alm do mais, eu no vejo como isso pode ser culpa sua. Voc nem estava l e voc
s tinha dez. Eu acho que voc devia parar de ficar obcecada com uma coisa misteriosa que  histria antiga e viver o momento."
"Perdo, voc acabou de me dizer para 'viver o momento'?"
"Sim. Voc sabe, livrar-se do passado e tentar se focar no que est acontecendo no presente. Como que essa msica no rdio agora? Podre. E que tem uma cidade inteira
de meninos bonitinhos a fora que eu no estou beijando." Miranda tomou um longo flego, mas antes que ela pudesse dizer alguma coisa, Sibby continuou. "Eu sei,
eu sei que voc est dizendo que sente muito para as pessoas que nocauteia porque nunca pode dizer que sentia muito para a sua famlia, e voc tem que me manter
a salvo porque voc no pode mant-los a salvo. Eu entendo agora."
"No  isso que est acontecendo. Eu -"
"Bl bl bl, insira negaes aqui. De qualquer jeito, porque 'a salvo' tem que dizer ficar sentada no carro com voc a noite toda? No tem algum lugar em que ns
podemos nos misturar? Ao invs de nos escondermos? Eu sou boa em me misturar. Eu sou como arroz e feijo."
"Ah , voc  totalmente como arroz e feijo. De fato, na sua roupa Madonna-ligou-e-ela-quer-as-vestes-do-vdeo-de-'Borderline'-de-volta, voc est praticamente
invisvel."
"Boa, Estraga prazeres. Vamos l, vamos ir  algum lugar."
Miranda deu uma volta completa no seu assento e disse, "Deixa eu dizer em voz alta para voc. Algum. Est. Tentando.   Matar. Voc."
"No. Eles. No. Esto. Voc fica dizendo isso, mas eu te falei. Eles no podem me matar. Voc realmente deveria trabalhar nessa obsesso que voc tem com as pessoas
sendo mortas. E eu tenho que ser honesta com voc, eu estou ficando entediada. No que voc colocou a rdio, ESTAO-PORCARIA? De jeito nenhum a gente vai ficar nesse
carro por seis horas."
Miranda tinha que concordar com ela. Porque se elas ficassem, estava claro agora que ela mesma iria matar a Sibby.
Foi quando ela pensou no lugar perfeito para elas irem.
"Voc quer se misturar?" ela perguntou.
"Sim. Com meninos."
"Garotos," Miranda disse.
"O qu?"
"Garotas Americanas normais desde sculo chamam eles de garotos, no de meninos. Se voc quer se misturar."
Por um segundo, Sibby pareceu chocada. Ento ela deu um sorrisinho. "Ah. Sim. Garotos."
"',' no 'sim.' A no ser que voc esteja falando com um adulto."
"."
"E  'Oh meu Deus' ou 'Deus', no 'ai meu Deus.'"
"Eu?"
". E ningum j disse ou jamais dir, 'viva o momento.'"
"Espera a."
"No. Nunca. Ah, e nada de pagar aos garotos por beijos. Voc no precisa. Eles deveriam se sentir sortudos de beij-la."
Sibby franziu as sobrancelhas. "Por que voc est sendo to boazinha comigo e me ajudando? Voc nem ao menos gosta de mim."
"Porque eu sei como  estar bem longe de casa, sozinha, tentando se encaixar. E de nunca ser capaz de dizer a ningum a verdade sobre quem voc ."
Depois de elas estarem dirigindo em silncio por alguns minutos, Sibby disse, "Voc j matou algum com suas prprias mos?"
Miranda olhou para ela no espelho retrovisor. "Ainda no."
"Ha-ha."

Captulo Oito


"Voc  maluca," Sibby disse enquanto elas entravam. Seus olhos eram do tamanho de dois sonhos. "Voc disse que isso ia ser horrvel. No est horrvel. Isso  fantstico."
Miranda estremeceu. Elas se enfiaram no Grand Hall da Sociedade Histrica de Santa Brbara pela sada de emergncia que estava escancarada para que os convidados
do baile pudessem escapar para poder ficarem doides, e dando uma olhada em volta, Miranda podia entender porque ficar doido era to atrativo. As paredes do salo
haviam sido cobertas com cetim azul com estrelas brancas bordadas nele, as quatro grandes colunas do meio estavam drapeadas com fitas vermelhas e brancas, as mesas
postas nos lados estavam cobertas com a bandeira Americana - tecidos estampados com aqurios como centro de mesas no qual o peixe, de alguma forma, tinha sido tingido
de azul e vermelho, e nas pontas, grandes monumentos americanos como o Monte Rushmore, a Casa Branca, a Esttua da Liberdade, o Sino da Liberdade, e a Giser Old
Faithful tinham sido reconstrudos - com cubos de acar. Cortesia do pai de Ariel West. Ariel tinha anunciado na assemblia do dia anterior que depois do baile
toda a decorao iria ser doada ao "pobre povo faminto de Santa Brbara que precisasse de acar."
Miranda no sabia se era isso, os bales com cordes de borracha que pendiam do teto que saltavam preguiosamente para cima e para baixo quando as pessoas passavam
por debaixo deles, ou um mau pressgio, mas ela sentiu um enjo distinto.
Sibby estava no paraso.
"Lembre-se - a maioria dos caras vem aqui com acompanhantes, ento seja gentil na questo da beijao," Miranda disse.
", est bem."
"E se voc me ouvir te chamando, voc vem."
"Eu pareo com um cachorro para voc?" Miranda a deu um olhar duro. Sibby disse, "Certo, ok, Estraga prazeres."
"E se voc sentir que alguma coisa de estranho est acontecendo, voc-"
"-te aviso. J sei. Agora ande e tenha alguma diverso por voc mesma. Ah,  mesmo, talvez voc no saiba como. Bem, na dvida, se pergunte, 'O que a Sibby faria'?"
"Posso me cancelar dessa lista, por favor?"
Sibby estava muito ocupada examinando o salo para responder.
"Whoa, quem  aquele gostoso naquele canto ali?" ela perguntou. "O cara de culos?"
Miranda olhou em volta procurando o gostoso mas tudo o que ela viu foi Phil Emory. "O nome dele  Phillip."
"Ol, Phillip," Sibby disse, traando um caminho direto at ele.
Miranda enfiou sua bolsa skate[9] debaixo de uma mesa e ficou perto de uma parede, entre a Casa Branca e Old Faithful, parcialmente para poder deixar Sibby em seu
campo de vista e parcialmente para evitar ser vista por qualquer um dos membros da faculdade. Ela trocou, no banheiro dos funcionrios, a sua roupa de trabalho pela
nica coisa que ela tinha consigo, mas apesar de ser vermelho, branco, e azul, ela no achava que seu uniforme de Roller Derby era realmente apropriado para vestir
num baile. Haviam dois uniformes na sua bolsa skate, um para os jogos em casa - frente-nica de cetim branco e a parte de baixo com uma capa de l azul e vermelha,
e tiras brancas e azuis na saia  (se voc pudesse chamar algo que tinha uns 13 centmetros de comprimento e exigia uma calcinha anexada para se usar por baixo dela
de saia) - e um uniforme para jogos fora de casa: a mesma coisa s que em azul. Ela decidiu que branco era mais formal, mas ela tinha absoluta certeza de que usar
isso com seu sapato baixo preto de trabalho no estava ajudando no visual.
[9] http://tinyurl.com/6bac3o
Ela estava parada ali por um tempo, se perguntando como todo mundo menos ela era completamente capaz de estar na pista de dana sem debilitar algum, quando ela
escutou um par de batidas de corao que ela reconheceu e viu Kenzi e Beth escapando da multido indo em sua direo.
"Voc veio!" Kenzi disse, lhe dando um grande abrao. Uma das coisas que Miranda adorava em Kenzi era que ela agia como se ela estive sob efeito de Ecstasy mesmo
quando ela no estava, contando s pessoas que as amava, as abraando, nunca se embaraando com isso. "Estou to feliz que voc esteja aqui. No parecia certo sem
voc. Ento, est pronta para se libertar das inseguranas de sua juventude? Pronta para controlar o seu prprio futuro?"
Kenzi e Beth estavam vestidas para tomar o mundo, Miranda pensou. Kenzi estava vestindo um vestido azul colante de costas nuas e tinha uma pantera negra com olhos
de safira azul pintada nas suas costas. Beth estava com um minivestido de cetim vermelho e tinha uma cobra dourada com dois olhos de rubi enrolada na parte de cima
de seu brao (ou pelo menos era isso que Miranda achava que eram rubis sendo que os pais de Beth eram dois das maiores estrelas de Bollywood[10]). Nelas, a vida
adulta parecia uma festa totalmente excitante e legal com um excelente DJ na qual voc s poderia entrar se estivesse na lista VIP.
[10] Indstria cinematogrfica Indiana.
Miranda deu uma espiada no seu uniforme de patinao. "Eu acho que deveria saber que quando estivesse na hora de controlar meu prprio futuro eu estaria vestida
como um integrante de um time de patinao no gelo de segunda diviso."
"De jeito nenhum, voc est fantstica," Beth disse, e Miranda teria presumido que ela estaria sendo sarcstica exceto que Beth era uma dessas pessoas que haviam
nascido sem nenhum sarcasmo.
"Realmente," Kenzi confirmou. "Voc est bem na zona do PPC." PPC significava Pronta para Caar[11]. "Eu vejo coisas grandiosas para a sua vida adulta."
[11] H2T= Hot to Trot no original.
"E eu vejo uma consulta ao oftamologista para voc," Miranda profetizou. Ao longe, Miranda viu Sibby puxar Philip Emory para a pista de dana.
Miranda se virou para Kenzi. "Voc acha que sou uma pessoa divertida? Eu sou uma Vov Ranzinza? Um estraga prazeres?"
"Vov Ranzinza? Estraga prazeres?" Kenzi repetiu. "Do que voc est falando? Voc bateu com a cabea no treino de derby novamente?"
"No, estou falando srio. Eu sou divertida?"
"Sim," Beth concordou.
"Exceto quando voc fica toda MLES[12]," Kenzi alterou. "E quando voc est no seu ciclo. E perto do seu aniversario. Oh, houve aquela uma vez que-"
[12] Meus Lbios Esto Selados.
"Esquece." Os olhos de Miranda se dirigiram para Sibby, que agora parecia estar liderando uma fila de conga.
"Estou brincando," Kenzi disse, virando o rosto de Miranda da pista de dana para ela. "Sim, eu te acho realmente divertida. Quero dizer, quem mais se vestiria de
Magnum P.I[13] para o Halloween?"
[13] P.I = Private Investigator (Detetive Particular); Magnum P.I foi uma srie de Tv americana dos anos 80.
"Ou pensar em entreter as crianas da ala do cncer encenando as melhores cenas de Dawson's Creek com grandes figurinos inesquecveis?" Beth adicionou.
Kenzi acenou. "Isso mesmo. At crianas combatendo cncer acham voc divertida. E elas no so as nicas."
Alguma coisa no tom de Kenzi quando ela disse a ltima parte fez com que Miranda ficasse preocupada. "O que voc fez?"
"Ela foi brilhante," Beth disse.
Agora Miranda estava com mais medo ainda. "Me diga."
"No foi nada, s uma pequena pesquisa," Kenzi disse.
"Que tipo de pesquisa?" Pela primeira vez Miranda percebeu que havia escritos ao longo do brao de Kenzi.
Kenzi disse, "Sobre Will e Ariel. Eles no esto saindo de maneira alguma."
"Voc perguntou para ele?"
"Isso  chamado de entrevista," Kenzi disse.
"No. Oh, no. Me diga que voc est brincando." Algumas vezes ter uma colega de quarto que queria ser uma jornalista era perigoso.
"Relaxa, ele no suspeitou de nada. Eu fiz parecer como se estivesse batendo papo," Kenzi disse.
"Ela foi tima," Beth confirmou.
Miranda comeou a desejar por alapes de novo.
"De qualquer forma, eu o perguntei porque ele achava que Ariel o teria chamado para o baile e ele disse" - aqui Kenzi consultou seu brao - " 'Para deixar algum
enciumado.' Ento, lgico, eu perguntei quem e ele disse 'Ningum.  disso que Ariel se alimenta, do cime de outras pessoas.' Isso no  observador? Especialmente
para um garoto?"
"Ele  inteligente," Beth interps. "E legal."
Miranda acenou distraidamente, olhando para Sibby na pista de dana. De primeira ela no a viu, mas ento ela a localizou num canto escuro com Philip. Conversando,
no beijando. Por alguma razo isso a fez sorrir.
"Olha, ns a deixamos feliz!" Kenzi disse, e ele soou to genuinamente satisfeita que Miranda no quis lhe dizer a verdade.
"Obrigada por descobrirem isso," Miranda disse. "Isso -"
"Voc ainda no ouviu a melhor parte," Kenzi disse. "Eu perguntei porque ele havia concordado em vir para o baile com Ariel se eles no eram um casal e  ele disse"
- espiando para o seu brao - " 'Porque ningum me fez oferta melhor.' "
Beth a lembrou, "Com aquele sorriso bonitinho."
"Isso, com o sorriso bonitinho. E ele olhou diretamente para mim quando disse isso e ele estava claramente falando de voc!"
"Claramente." Miranda amava suas amigas, mesmo quando elas estavam iludidas.
"Para de ficar me olhando como se eu tivesse feito compras sem parar na Loja de Lobotomia, Miranda," Kenzi disse. "Eu estou totalmente certa. Ele gosta de voc e
est solteiro. Para de pensar e agarra ele. V viver NM[14]."
[14] Original em ingles ITM = In The Moment.
"NM?"
"No momento," Beth elaborou.
Miranda ficou boquiaberta. "De jeito nenhum."
"O que?" Kenzi perguntou.
"Nada." Miranda balanou a cabea. "Mesmo se ele fosse solteiro, o que a faz pensar que Will quer sair comigo?"
Kenzi a olhou torto. "Um, perpassando por todos as virtudes de como voc  legal e inteligente que eu tenho de dizer porque sou sua amiga, voc j se olhou no espelho
recentemente?"
"H-H. Pode acreditar-"
"Tchau!" Beth disse, a interrompendo e puxando Kenzi embora. "Vejo voc depois!"
"No se esquea! NM!" Kenzi acrescentou por sobre seu ombro. "Seja homem!"
"Onde vocs esto-" Miranda comeou a dizer, ento ela escutou uma batida de corao bem prximo atrs dela e se virou.
Quase batendo seu ombro no peito de Will.


Capitulo Nove

Ele disse, "Oi."
Ela disse, "Oie." Deus. DEUS. Ser que ela poderia dizer s uma coisa normal? Obrigada Boca Demente.
Ele levantou uma sobrancelha para ela. "Eu no sabia que voc vinha para o baile."
"Eu - mudei de idia no ltimo minuto."
"Voc est bonita."
"Voc tambm." O que era uma meia verdade. Ele parecia como uma dupla pilha de panquecas de ma com canela acompanhadas com bacon e batata frita (extra crocante).
Como a coisa mais maravilhosa na qual Miranda j ps os olhos.
Ela sentiu que estava encarando ele, ento desviou os olhos, corando. Houve um momento de silncio. E mais outro. No deixe que v alm dos quatro segundos, ela
lembrou a sim mesma. J devem ser se passado um segundo; isso deixa trs, agora dois, diga alguma coisa! Diga-
"Voc est vestindo calas espaciais?" Miranda perguntou para ele.
"O qu?"
Como  que terminava? Ah, sim. Ela disse, "Porque sua bunda  requintada."
Ele olhou para ela daquele jeito que parecia que ele a estava medindo para coloca-la numa camisa de fora. "Eu acho-" ele comeou, ento parou e pareceu ter dificuldade
em falar. Limpou a garganta trs vezes antes de finalmente dizer. "Eu acho que a frase  'porque sua bunda  de outro mundo."
"Oh. Isso faz bem mais sentindo. Entendi agora. Veja, eu li isso num livro sobre como fazer os garotos gostarem de voc e dizia que essa frase nunca falhava, mas
eu fui interrompida bem no meio e a frase anterior era sobre loua - no a que vai nos banheiros, a do tipo que a gente come nela - e era a que estava a parte engraada,
mas eu devo as ter confundido." Ele simplesmente continuava a olh-la. Ela lembrou de outro conselho do livro, "em dvida, oferea", esticou o brao, pegou a primeira
coisa que conseguiu pr as mos, levou at o queixo dele, e disse, "Nozes?"
Ele parecia como se fosse engasgar. Ele pigarreou algumas vezes, pegou as nozes dela, ps o vaso de volta na mesa, deu um passo na direo dela de modo que seus
narizes estavam quase se tocando, e disse, "Voc leu um livro sobre isso?"
Miranda no conseguia escutar nem as batidas do corao dele por causa do som dos do dela prpria. "Sim, eu li. Porque claramente eu no estava fazendo isso direito.
Quero dizer, se voc beija um cara e ele se afasta e te olha como se sua pele tivesse acabado de se transformar numa meleca roxa, evidentemente voc precisa passar
um tempo na seo de auto-ajuda do-"
"Voc fala mais quando est nervosa," ele disse, ainda muito prximo dela.
"No, no estou. Que absurdo. Eu s estava tentando te explicar-"
"Eu deixo voc nervosa?"
"No. Eu no estou nervosa."
"Voc est tremendo."
"Estou com frio. Estou vestindo praticamente nada aqui."
Seu olhar foi para os lbios dela, ento voltou para seus olhos. "Percebi."
Miranda engoliu. "Olhe, eu devia-"
Ele a pegou pelo pulso antes que ela pudesse sair. "Aquele beijo que voc me deu foi o melhor que eu j tive. Eu parei porque no tinha certeza de que poderia me
controlar em no arrancar suas roupas. E isso no parece o final apropriado para um primeiro encontro. Eu no queria que voc pensasse que s estava interessado
nisso."
Ela olhou para ele. Houve outro silencio, mas dessa vez ela no estava preocupada em quanto tempo demoraria.
"Porque voc no me disse?" ela disse finalmente.
"Eu tentei, mas todas as vezes que eu te via depois disso, voc desaparecia. Pensei que estivesse fugindo de mim."
"No queria que as coisas ficassem estranhas."
"Certo, no tinha nada de esquisito no fato de voc ter se escondido atrs de uma planta quando entrei no refeitrio para almoar na quarta-feira."
"Eu no estava me escondendo. Eu estava, umm, respirando. Voc sabe, oxignio. Da planta. Aquela planta estava bem oxigenada."
Agora coloque a cabea no forno.
"Claro. Eu devia ter pensando nisso."
' uma coisa saudvel. No  todo mundo que sabe disso."
Deixe at que esteja TOTALMENTE ASSADO.
"No, tenho certeza que eles-"
Miranda deixou escapar. "Voc realmente est falando srio? Sobre ter gostado de quando te beijei?"
"Eu realmente gostei. Muito."
As mos dela estavam tremendo. Ela o agarrou e o puxou para si.
Exatamente quando a musica parou, as luzes de emergncia se acenderam e uma voz fina avisava pelos auto-falantes, "Por favor, se encaminhem para a sada mais prxima
e deixem o prdio imediatamente."
Ela e Will foram empurrados para direes diferentes pela multido que surgia da porta, guiados por quatro homens com armaduras completas. A mensagem ficava repetindo,
mas Miranda no estava escutando isso nem Ariel West berrando que algum iria PAGAR por ter ESTRAGADO a noite DELA nem a pessoa dizendo 'meu irmo, esse era o melhor
jeito de terminar de um baile, cara, ele tava doido'. Ela estava escutando de novo a batida um-dois-trs cha-cha do corao do Adjunto Reynolds, ligeiramente abafada
pela armadura. Isso no era um treino.
" por nossa causa, no ?" Sibby disse, se apressando para ir para o lado de Miranda. " por isso que aqueles storm-troopers[15] esto aqui. Pela gente."
[15] Aqueles soldados de branco em Guerra nas Estrelas. http://tinyurl.com/69rj9s
"."
"Voc estava certa, eu devia ter me escondido.  minha culpa. Eu no quero que ningum saia ferido. Eu simplesmente vou me entregar a essas pessoas, eles vo   deixar-"
Miranda a interrompeu. "Depois de tudo isso? Com apenas trs horas para terminar? E voc, se misturando como se fosse E voc, a garota que se mistura como arroz
no feijo? De jeito nenhum. Ainda no acabou. A gente pode se livrar disso."
Ela tentou soar confiante, mas ela estava aterrorizada. O que voc acha que est fazendo? O canal VC--Podre exigiu.
No tenho a menor idia.
Sibby olhou para ela, os olhos brilhando de esperana. "Voc est falando srio? "Voc tem algum plano para escapar?"
Miranda engoliu, respirou fundo, e disse a Sibby, "Me siga." Para si mesma. Por favor no falhe.


Captulo 10

Funcionou perfeitamente.
Quase. Haviam seis guardas bloqueando as sadas e outros quatro na porta, checando todo mundo que saia. Dez no total. Todos de armadura e mscaras, pacientemente
explicando que havia ocorrido uma ameaa de bomba e que era importante evacuar o mais rpido possvel. Ningum perguntou porque eles estavam armados com armas automticas
que eles ficavam usando para empurrar a multido.
Ningum, exceto o Dr. Trope, que foi at um deles e disse, "Mocinho, eu peo que mantenha suas armas longe de meus estudantes," distraindo-o tempo o bastante para
que Miranda e Sibby pudessem ser engolidas no meio da multido.
Elas tinham navegaram pelos dois primeiros stormtroopers, faltando somente mais dois quando Ariel gritou, "Dr. Trope? Dr. Trope? Olhe, l est ela, Miranda Kiss.
Eu falei que ela entrou de penetra no baile. Ela est logo ali no meio. Voc tem que -"
Quatro homens com armas automticas de repente deram meia volta e se deslocaram para a massa de estudantes. Miranda sussurrou, "Se abaixe", para Sibby e as duas
se inclinaram para debaixo da superfcie da multido, se arrastando de volta para o Grand Hall.
Atrs de sua cabea ela escutou Dr. Trope dizendo, "Onde ela est? Para onde ela foi? No vou deixar uma de minhas pupilas aqui". E o stormtrooper dizendo, " Por
favor, senhor, voc precisa evacuar. Ns a acharemos. Repouso garantido."
Miranda decidiu que se ela sasse dessa viva, ela seria muito mais boazinha com o Dr. Trope. Se.
Ela puxou Sibby at Old Faithful e disse, "Ali. Agora."
"Por que no posso me esconder na Casa Branca? Por que tem de ser no vulco?"
"Eu posso precisar de partes da Casa Branca. Por favor, s faa isso. Eles no sero capazes de faze-la sair se eles tiverem com os culos de proteo."
"E voc? Voc est vestindo branco."
"Eu combino com a decorao."
"Wow, voc realmente  boa nisso. Nessa coisa de planejamento. Como voc aprendeu a -"
Miranda estava se perguntando a mesma coisa. Se perguntando porque assim que escutou o anncio algumas partes do seu crebro comeou a calcular a distncia at as
sadas, procurando por armas, observando as portas. Seus sentidos trabalhando no automtico era um alvio; isso significava que alguns de seus poderes estavam colaborando.
Mas ela teria coragem de enfrentar dez homens armados? O mximo que ela conseguiu lidar de uma s vez foram trs, e eles no tinham metralhadoras. Ela tinha de ser
astuta em vez de direta. Ela disse para Sibby, "Me d suas botas."
"Para qu?"
"Para me livrar de alguns de nossos competidores para que ns possamos dar o fora daqui."
"Mas eu realmente gosto desses -"
"Me d eles. E tambm um bracelete de borracha."
Miranda preparou a armadilha, ento prendeu a respirao quando um guarda se aproximou. Ela ouviu ele disse no walkie-talkie, "Coluna Sudoeste, encontrei uma," e
viu as fitas se mexerem como se ele tivesse usado a ponta de sua arma para tir-las do caminho.
Ouviu ele dizer, "Mas que p -"
E atirou nele com o nariz de acar de George Washington com o estilingue que ela fez com o bracelete de borracha de Sibby e um garfo. Todo o seu exerccio de alvo
valeu a pena porque ela o acertou no exato lugar para faz-lo se precipitar para frente. Ele caiu com a cabea erguida apenas o suficiente para ficar desorientado
e obediente enquanto ela amarrava suas mos e ps com as fitas da pilastra. "Eu sinto muito," ela disse, o virando de frente para amordaa-lo com um pedao de po
de doce, ento sorriu. "Oh, oi, Craig. No  o seu dia, no ? Tente colocar uma bolsa d'gua quente em seus punhos e tornozelos quando eles o desamarrarem. Tchau."
Ela tinha acabado de pegar as botas que ela usou na base da pilastra como isca quando ela escutou guarda vindo rapidamente de sua esquerda. Ela jogou a bota nele
em estilo Frisbee e escutou um satisfatrio 'PAM' quando ele tambm caiu desmaiado.
Dois se foram, faltam oito.
Ela estava se desculpando com o que ela certou com o sapato, que estava inconsciente - era bom saber que botas de cano curto eram bons para alguma coisa - quando
o walkie-talkie em seu cinto veio  vida. "Leon, aqui  o Jardineiro. Onde voc est? Indique sua posio. Cmbio?"
Miranda pegou o walkie-talkie do guarda inconsciente e disse para ele, "Eu pensei que seu nome fosse Caleb Reynolds, Sargento. Qual  o lance com Jardineiro? Ou,
como minha amiga gosta de cham-lo, Garoto Planta."
Um estalo. Ento a voz do Sargento Reynolds no walkie-talkie. "Miranda?  voc? Onde voc est? Miranda?"
"Logo aqui," ela sussurrou em seu ouvido. Ela se esgueirou por trs dele, e agora quando ele se virava, o brao dela envolveu o pescoo dele com o salto da bota
apontado para a sua garganta.
"Com o qu voc est me apunhalando?" ele perguntou.
"Tudo o que voc precisa saber  que vai causar muita dor e provavelmente uma boa infeco se voc no comear a me contar quantas pessoas tem aqui e com  o plano
delas."
"H dez aqui, mais cinco olhando as sadas do lado de fora. Mas eu estou do seu lado."
"Srio, Jardineiro? No foi isso que pareceu l na casa."
"Voc no me deu uma chance de falar com a garota."
"Voc vai precisar fazer melhor que isso. Eu no sou idiota, voc no me engana."
"Voc tem alguma idia do que ela ?"
"O que ela ? Na verdade, no."
A frequncia cardaca dele acelerou agora. "Ela , de verdade, uma profeta em carne e osso. A Cumean Sibila[16]. Ela  uma das dez pessoas entre eles que, supostamente,
sabe e pode controlar o futuro de todo o mundo."
[16] Sibila significa profetisa, feiticeira.
"Wow. Eu pensei que ela era s uma adolescente de quatorze anos irritante cheia de hormnios."
 "A Sibila opera atravs de vrios corpos. Ou  isso que eles pensam. Essas pessoas com quem estou trabalhando. Emprego maluco. Eles fingem que querem protege-la,
prevem que suas profecias sejam exploradas por pessoas inescrupulosas, mas eu acho que eles esto no ramo da extorso. Eu ouvi um deles dizer que poderiam ter resgatado
a garota por oito dgitos." Sua freqncia cardaca foi desacelerando enquanto ele falava. "Meu trabalho era descobrir onde a garota seria supostamente levada, ento
eles poderiam mandar algum l com alguma bugiganga dela para mostrar que ns a tnhamos, e fazer a administrao pagar."
Miranda no gostou nem um pouco o modo como bugiganga soou. "Mas voc no ia no ia fazer?"
 "Ol, Miranda? Estava te perguntando uma coisa?"
Miranda abaixou a foto. "Perdo. O que?"
"Como voc pode ter certeza sobre ele?"
"Simplesmente tenho. Confie em mim."
"Mas se voc estiver errada-"
"No estou."
O relgio fez tick. Miranda marchou. Sibby disse, "Eu odeio esse relgio."
Tack. Passo. Sibby: "No tenho certeza se consigo fazer isso."
Miranda parou e olhou para ela. "Claro que voc consegue."
"No sou corajosa como voc."
"Como ? A garota que fez com que - quantos caras j so agora? Vinte trs?"
"Vinte quatro."
"Vinte quatro caras para beijar ela? Voc  corajosa." Miranda hesitou. "Sabe quantos caras eu j beijei?"
"Quantos?"
"Trs."
Sibby ficou boquiaberta, explodindo em gargalhadas. "Meu Deus, no   toa que voc  to reprimida.  melhor fazer com que isso funcione ou ento voc vai ter uma
vida realmente triste."
"Obrigada."

Captulo Onze


Dezoito minutos mais tarde, Sargento Adjunto Caleb Reynolds estava do lado de fora da porta do escritrio do diretor, as olhando por uma fenda. Demorou um pouco
mais do que ele esperava para deixar tudo pronto, mas ele se sentia bem, confiante, sobre como tudo ia se desenrolar. Especialmente agora, vendo as duas meninas
com os uniformes das Abelhas de Roller Derby, sainhas justas e tops, at vestiam as perucas e mscaras. Elas eram idnticas, exceto que uma estava de azul, a outra
de branco. Como bonequinhas, sim, ele gostava de pensar nelas desse modo. Suas bonequinhas.
Bonecas caras.
A boneca de azul dizia, "Voc tem certeza de que o fato de querer beija-lo no ir atrapalhar o seu julgamento, Miranda?"
E a boneca de branco dizia, "Quem disse que quero beijar ele? Voc  que  a Beijoqueira."
"Quem disse que quero beijar ele?" a boneca de azul imitou. "Por favor. Voc realmente precisa aprender a se divertir. Viva o momento."
"Talvez eu faa isso assim que eu me livrar de voc, Sibby."
A boneca de azul mostrou a lngua, quase o fazendo rir. Elas eram bonitinhas juntas, essas duas. A boneca azul disse, "Estou falando srio. Como voc sabe que podemos
confiar nele?"
"Ele tem seu prprio plano," a boneca de branco explicou, "e combina com o nosso."
Agora ele realmente teve de reprimir um riso. Ela no tinha o quanto ela estava certa. A cerca da primeira parte.
E o quanto estava errada sobre a segunda.
Ele empurrou a porta e viu elas se virarem para ele com uma expresso de "voc--meu-heri" no olhar.
"Voc est pronta, Srt Cumean?"
A boneca de azul balanou a cabea.
Sua boneca de branco dizia agora, "Tome bem conta dela. Voc sabe o quanto ela  importante."
"Eu vou. Vou deixa-la preparada e volto para a segunda parte do plano. No abra a porta para ningum a no ser eu."
"Certo."
Ele voltou em menos de um minuto depois.
"Foi tudo bem? Sibby est a salvo?"
"Tudo ocorreu perfeitamente. Meus homens estavam exatamente em suas posies. No tinha como haver problemas."
"Certo, ento quanto tempo temos de esperar antes que eu saia?"
Ele andou na direo dela, deixando-a de encontro com a parede. Ele disse, "Houve uma mudana de planos."
"O qu, voc adicionou uma parte onde voc me beija? Antes da parte que eu finjo ser a Sibby e levo os guardas at a armadilha do grupo do SWAT?"
Ele gostava do modo como ela sorria quando dizia isso. Ele se esticou para acariciar sua bochecha e disse, "No exatamente, Miranda." Suas mos deslizando de seu
rosto para o seu pescoo.
"O que voc est fal-"
Antes que ela pudesse terminar, ela j estava pressionada contra a parede, seus ps a quase meio metro do cho, as mos dele em sua garganta. Ele as apertou levemente
enquanto dizia, "Somos s eu e voc agora. Eu sei tudo sobre voc. Quem voc . O que  capaz de fazer."
"Srio?" ela engasgou.
"Sim, srio. Princesa!" Ele viu os olhos dela se alargarem e sentiu sua dificuldade em engolir. "Eu sabia que isso ia chamar sua ateno."
"Eu no sei do que voc est falando."
"Eu sei da recompensa pela sua cabea. Miranda Kiss procurada, viva ou morta. Meu plano original era deixa-la viva por um tempo, entrega-la depois de algumas semanas,
mas, infelizmente, voc tinha que interferir. Devia se importar com seus prprios assuntos em vez dos meus, Princesa. Agora eu no posso sofrer o risco de ter voc
se metendo no meu caminho."
"Voc quer dizer, se meter no caminho do que voc vai fazer com Sibby? Ento era voc quem queria o dinheiro. Voc traiu os outros e fez com que acreditassem que
voc fazia parte de sua causa, assim como nos traiu."
"Que garota inteligente."
"Voc me mata, seqestra ela, e pega o dinheiro?  isso?"
"Sim. Como Monoplio, Princesa. Passa uma casa, coleta dois dlares. S que nesse caso est mais para cinqenta milhes. Pela garota."
"Wow." Ela apareceu genuinamente impressionada. "E quanto voc vai ganhar comigo?"
"Morta? Cinco milhes. Voc vale mais viva; aparentemente h pessoas que pensam que  algum tipo de Mulher Maravilha adolescente, que tem super poderes. Mas eu no
posso correr o risco."
"Voc j disse isso," ela ralhou.
"O que foi, est entediada, Miranda?" Ele estreitou um pouco o aperto. "Me desculpe por isso no ser como um final de um livro de histrias," ele disse, sorrindo
para ela, contendo os olhos dela com os seus prprios enquanto a estrangulava.
Ele podia notar que, agora, ela estava lutando para respirar. "Se voc vai me matar, no pode simplesmente fazer isso de uma vez? Isso  meio desconfortvel."
"O que, minhas mos? Ou o sentimento de que voc  um fracasso-"
"Eu no sou um fracasso."
"-novamente."
Ela cuspiu no rosto dele.
"Ainda tem algum fogo. Eu realmente admiro isso em voc. Eu acho que voc e eu poderamos ter nos dado bem. Infelizmente, no h tempo."
Ela lutou uma ltima vez, arranhando-o com o todo o resto de suas foras. Era inspirador ver o tanto que ela tentou. Finalmente, seus pequenos punhos caram desesperanosamente
ao seu lado.
Ele se inclinou para perto de seu rosto. "Algumas palavras finais?"
"Seis: tirinhas para o hlito da Listerine. Voc realmente precisa delas."
Ele riu, ento apertou suas mos no pescoo dela at elas se sobreporem. "Adeus."
Por um segundo, os olhos dele queimaram nos dela. Ento houve um estalo agudo e alguma coisa pesada bateu na cabea dele vindo por detrs. Ele balanou para frente,
suas mos soltando a garota enquanto ele caia no cho inconsciente.
Ele nunca iria saber o que o atingiu, a boneca de azul pensou, ainda segurando o relgio que ela usou para nocaute-lo. Ou quem.

Captulo Doze


Miranda, vestida no uniforme azul, empurrou para o lado o homem que ela tinha acabado de golpear na cabea com o relgio e foi ver Sibby. Ela ainda tinha as algemas
penduradas em seus pulsos, cada uma balanando um pedao de corrente. Seus pulsos, suas mos, estavam tremendo. Ela gentilmente levantou a garota inconsciente. "Sibby,
vamos l, abra os olhos."
No deveria ter demorado tanto. O plano tinha sido simples: Ela e Sibby trocariam de identidade trocando de uniformes. Quando Sargento Reynolds as trasse, como
Miranda sabia que ele iria, seria Miranda disfarada de Sibby que ele entregaria para a sua equipe, e ela lidaria com eles, ento voltaria para salvar Sibby.
Pelo menos, era assim que deveria ter sido.
"Acorda e levanta, Sibby," ela disse, sua voz falhando. "De p e adiante."
Miranda no esperava encontrar todos os cinco capangas do Sargento Reynolds estariam aguardando por ela - no deveria ter algum no carro de fuga? - e, especialmente,
no tinha antecipado a mulher que ele havia pego no aeroporto tivesse um soco ingls - de diamante. O golpe na cabea proporcionou tempo suficiente para que eles
algemassem Miranda num cano e fez com que ela ficasse um pouco fraca, ento levou mais tempo do que devia para que ela neutralizasse eles com uma srie de voadoras
e um mortal[17] lateral, ento quebrar as correntes das algemas e se libertar. Dando ao Sargento Reynolds mais tempo com o esfago de Sibby do que ela havia planejado.
[17] Para quem no sabe como  um mortal. http://tinyurl.com/5ecdk2
Muito mais tempo.
Os batimentos estavam ficando mais lentos, difceis de ouvir.
"Eu sinto muito, Sibby. Eu deveria ter chegado mais cedo. Eu tentei ao mximo, mas eu no conseguia tirar as algemas e eu estava muito fraca e eu desmaiei e-" Miranda
estava tendo dificuldades de enxergar e percebeu que estava chorando. Ela tropeou, mas continuou. "Sibby, voc tem de estar bem. Voc no pode morrer. Se voc no
voltar eu prometo que nunca mais vou me divertir. Nem uma nica vez." Agora o batimento cardaco era s um sussurro, a garota em seus braos, um fantasma plido.
Miranda reprimiu o choro. "Meu Deus, Sibby, por favor-"
Os olhos de Sibby tremeluziram. A cor voltou ao seu rosto e o seu corao acelerou. "Funcionou?" ela sussurrou.
Miranda engoliu o enorme n na garganta e resistiu ao desejo de bater nela. "Funcionou."
"Voc fez-"
"Dei uma relojada nele com o relgio, conforme pediu."
Sibby sorriu, colocou sua mo no rosto de Miranda, ento fechou seus olhos novamente. Eles no reabriram at que estivessem no carro com a sociedade histrica atrs
deles. Ela se sentou e olhou em volta. "Estou no banco da frente."
"Ocasio especial," Miranda explicou. "No v se acostumar."
"Certo." Sibby mexeu o pescoo para frente e para trs. "Foi um bom plano. Trocar de uniformes para que eles pensassem que voc era eu e no se preocupassem muito
com os restringimentos."
"Mesmo assim eles foram com tudo." Miranda puxou a sua capa para cima. "Eu quebrei as correntes, mas no consigo tirar os braceletes." Pensando, por alguma razo,
em Kenzi dizendo no baile, 'Voc est preparada para se libertar das inseguranas de sua juventude? Est preparada para controlar o seu prprio futuro?'
"O que aconteceu com o Garoto Planta?"
"Eu fiz uma ligao annima, dando a dica de onde poderiam achar ele e os corpos dos guardas que ele atirou. Ele deve estar  caminho da priso."
"Como voc sabia que estava certa? Que ele estava tentando nos enganar?"
"Eu posso dizer quando as pessoas esto mentindo."
"Como?"
"Com diversas coisas. Pequenos gestos. Geralmente escutando os seus batimentos do corao."
"Como se se acelerar, eles esto mentindo?"
"Com cada um  diferente. Voc precisa saber como eles reagem quando esto dizendo a verdade para saber como reagem quando esto mentindo. Os batimentos dele ficam
mais calmos, mais ainda quando ele mente, como se ele tentasse ser mais cuidadoso."
Sibby olhou para ela com mais ateno. "Voc pode escutar as batidas do corao das pessoas?"
"Eu escuto um monte de coisas."
Sibby estreitou os olhos. "Quando o Garoto Planta estava me estrangulando porque pensava que eu era voc? Ele me chamou de Princesa. E disse que algumas pessoas
acham que voc tem poderes como uma Mulher Maravilha adolescente ou algo do tipo."
Miranda sentiu seu peito apertar. "Ele disse?"
"E ele disse que h uma recompensa pela sua cabea. Morta ou viva. Apesar de que, eu sinto informar, eu valha dez vezes mais que voc."
"No  gentil se gabar."
" verdade? Que voc  a Mulher Maravilha?"
"Talvez a falta de oxignio tenha chegado no seu crebro, mas Mulher Maravilha  uma personagem de histrias em quadrinhos. Inventada. Eu sou real, uma pessoa normal."
Sibby bufou. "Voc definitivamente no  normal. Voc  totalmente neurtica." Uma pausa. "Isso no foi uma resposta. Voc realmente  uma princesa com super poderes?"
"Voc realmente  uma sagrada profetisa que sabe tudo que vai acontecer?"
Os olhos das duas se encontraram. Nenhuma das duas disse algo.
Sibby se esticou e se endireitou na cadeira da frente, e Miranda ligou o rdio e elas dirigiram em silncio, as duas sorrindo.
Depois de alguns quilmetros Sibby disse, "Estou faminta. Podemos parar para um hambrguer?"
"Sim, mas ns temos uma agenda a cumprir, ento sem beijar garotos estranhos."
"Eu sabia que voc ia dizer isso."

Captulo Treze


Miranda sentou no carro vendo a lancha desaparecer no horizonte, levando Sibby para onde quer que ela estivesse indo. Voc no tem tempo para relaxar, ela lembrou
a si mesma. Sargento Reynolds pode ter sido dirigido para priso, mas ele ainda podia falar, e voc sabe que ele mentiu sobre como te achou, o que significa que
algum de Chatsworth sabe de alguma coisa, e h a questo sobre quem colocou a recompensa em sua cabea e-
Seu celular tocou. Ela se esticou pelo banco para pegar sua jaqueta e tentou enfiar sua mo no bolso para poder pega-lo, mas o bracelete da algema continuava a ficar
preso. Ela virou a jaqueta e derrubou tudo o que tinha em seu colo.
Ela pegou o celular em seu ltimo toque. "Al."
"Miranda?  o Will."
Seu corao parou. "Oi." Repentinamente, sentiu-se envergonhada. "Voc, umm, se divertiu no baile?"
"Em algumas partes. Voc?"
"Tambm. Em algumas partes."
"Procurei por voc depois da ameaa de bomba, mas no te vi."
"Pois , as coisas ficaram meio agitadas."
Houve uma pausa e os dois comearam a falar ao mesmo tempo. Ele disse, "Voc primeiro,"  e ela disse, "No, voc," ento os dois riram e ele comeou, "Olha, eu no
sei se voc estava planejando vir para a casa do Sean para a 'ps-festa'. Todo mundo est aqui. Est divertido e tudo o mais. Mas-"
"Mas?"
"Eu estava me perguntando se voc no gostaria de tomar um caf da manh, em vez disso. No Casa da Panqueca? S ns dois?"
Miranda esqueceu de respirar. Ela disse, "Isso seria totalmente fantstico." E, lembrando que no deveria ser to ansiosa, acrescentou, "Quero dizer, isso seria
legal, eu acho."
Will riu, seu riso de derreter coraes, e disse, "Eu tambm acho que isso seria totalmente fantstico."
Ela desligou e viu que suas mos estavam tremendo. Ela ia ter um caf da manh com um cara. No qualquer cara. Com o Will. Um cara que vestia calas espaciais. E
pensava que ela era gata.
E possivelmente maluca. O que, por sinal, usando algemas como acessrios no iria ajudar na sua reputao.
 Novamente, ela tentou quebrar os braceletes com a mo, mas no conseguiu. Ou essas algemas no eram normais ou acabar com dez pessoas em uma noite - na verdade
oito, mas como ela bateu em dois duas vezes- era o limite de suas foras. O que era interessante, suas foras terem limites. Ela tinha muito o que aprender sobre
os seus poderes. Mais tarde.
Nesse exato instante, ela tinha meia hora para achar um outro jeito de tirar as algemas. Ela comeou a enfiar as coisas de  seu colo de volta para o bolso da jaqueta
para que ela pudesse dirigir, ento parou quando viu uma caixa desconhecida.
Era uma caixa que Sibby deu a ela quando elas se conheceram - isso realmente s aconteceu a oito horas atrs? O que ela havia dito, alguma coisa estranha. Miranda
lembrava agora, Sibby entregando a placa com o nome e dizendo, "Isso deve ser seu." Mas com a nfase diferente. "Isso deve ser seu."
Miranda abriu a caixa. Dentro, envolvido no veludo preto, havia uma chave de algemas.
Voc est pronta para ser a dona do seu destino?
Valia a pena tentar.



FIM





































Stephenie Meyer - Inferno na Terra
(Hell on Earth)



Gabe fitou a pista de dana e se encolheu. Ele no tinha certeza porque havia convidado Celeste para o baile, e era outro mistrio o porqu dela ter aceitado. Era
ainda mais misterioso agora, ao v-la apertar o pescoo de Heath McKenzie to apertado que, provavelmente, Heath estava tendo dificuldades em respirar. Seus corpos
achatavam-se  contra uma massa invisvel enquanto eles balanavam na batida da msica, ignorando o ritmo da cano que estrondava no lugar. As mos de Heath examinavam
o brilhante vestido branco de Celeste de uma maneira muito ntima.
"Que azar, Gabe"
Gabe desviou o olhar do espetculo que sua acompanhante estava fazendo para ver seu amigo se aproximando.
"Oi, Bry. Est tendo uma noite boa?"
"Melhor que voc, cara, melhor que voc", respondeu Bryan sorrindo. Ele levantou seu copo com ponche verde cor de blis como se fosse fazer um brinde. Gabe tocou
o copo de Bryan com sua garrafa d'gua e acenou.
"Eu no sabia que Celeste sentia alguma coisa por Heath. Ele  seu ex ou coisa parecida?"
Bryan tomou um gole do seu sinistro drinque , fez uma careta, e balanou a cabea.
"No que eu saiba. Eu nunca nem tinha visto eles dois se falarem antes de hoje  noite."
Os dois encararam Celeste, que, aparentemente, havia perdido alguma coisa do qual ela precisava bem dentro da boca de Heath.
"Huh" Gabe disse.
"Provavelmente  o ponche", disse Bryan numa tentativa de ser encorajador. "No sei quantas pessoas batizaram[1] isso, mas ouch[2]. Ela nem deve saber que no 
voc l."
Bryan tomou outro gole e fez outra careta.
[1] Batizar = colocar lcool na bebida.
[2] Expresso em ingls para expressar dor.
"Por que voc est bebendo isso?" Gabe quis saber.
Bryan deu de ombros. "Eu no sei. Quem sabe a msica no vai parecer to pattica quando eu me forar a tomar um copo disso."
Gabe balanou a cabea concordando. "Meus ouvidos talvez nunca me perdoem. Eu deveria ter trazido meu iPod."
"Eu me pergunto onde Clara est. Existe algum tipo de lei feminina que demande que elas passem certa porcentagem da noite juntas no banheiro?"
"Sim. H duras penalidades para as meninas que no atingem a quota."
Bryan sorriu, mas ento seu sorriso desapareceu e ele ficou brincando com sua gravata borboleta por um momento. "Sobre Clara..." ele comeou.
"Voc no tem que dizer nada," Gabe o assegurou. "Ela  uma garota maravilhosa. Vocs so perfeitos um para outro. Eu teria de ser cego para no reconhecer isso."
"Voc realmente no se importa?"
"Eu te falei para cham-la ao baile, no foi?"
"Sim, falou. Sir Galahad[3] fez outro casal. Srio, cara, voc por acaso pensa em si prprio?"
[3] http://pt.wikipedia.org/wiki/Sir_Galahad
"Claro, a todo momento. E hey, falando em Clara...  melhor que ela tenha uma tima noite hoje, seno vou quebrar o seu nariz."Gabe deu um sorriso largo. " Ela e
eu ainda somos bons amigos, no pense que no vou ligar e checar."
Bryan rolou os olhos, mas de repente achou um pouco de dificuldade para engolir. Se Gabe Christensen quiser quebrar seu nariz, ele no achar muita dificuldade em
faz-lo. Gabe no se importaria em machucar as suas juntas ou em manchar seu registro permanente se isso significasse corrigir algo que, em sua viso, estivesse
errado.
"Tomarei conta de Clara," Bryan disse, desejando que suas palavras no se parecessem tanto como um voto. H algo em Gabe e em seus penetrantes olhos azuis que o
faz se sentir desse jeito, como se quisesse fazer o seu melhor em qualquer tarefa que lhe for dada. Isso, s vezes, ficava irritante. Com uma careta, Bryan derrubou
o resto de seu ponche num musgo morto  base de uma rvore de plstico de fcus[4]. "Se ela algum dia sair do banheiro."
[4] http://tinyurl.com/62cq3p
"Bom garoto" Gabe disse num jeito de aprovao, mas seu sorriso se torceu para baixo num dos lados.
Celeste e Heath haviam desaparecido no meio da multido.
Gabe no sabia como era o protocolo quando voc era chutado no baile. Como iria ter certeza de que ela havia chegado bem em casa? Agora esse era o trabalho de Heath?
Gabe, novamente, se perguntou porque dele ter chamado Celeste para esse baile.
Ela era uma garota muito bonita, no estilo dos concursos de beleza. Cabelo perfeitamente loiro, to cheio que era at fofo, olhos castanhos largos e espaados, e
lbios curvos sempre pintados com um lisonjeiro cor de rosa. Seus lbios no eram as nicas coisas a serem curvas. Ela poderia fazer de tudo, menos apagar os seus
pensamentos sobre o vestido esbelto e agarrado que ela estava usando hoje  noite.
A aparncia dela, no entanto, no foi o que o chamou a ateno. A razo era completamente outra.
Era estpida e embaraosa, na verdade. Gabe nunca, nunca iria contar isso a algum, mas, de vez em quando, ele tinha essa estranha sensao de que algum precisava
de ajuda. Precisava dele. Ele teve essa inexplicvel sensao em relao a Celeste, como se o seu belo loiro escondesse uma donzela em perigo por trs daquela maquiagem
impecvel.
Muito estpido. E obviamente errado. Celeste no aparentava estar necessitada de nenhuma ajuda de Gabe neste exato momento.
Ele esquadrinhou a pista de dana novamente, mas no pde ver o seu cabelo dourado na multido. Ele suspirou.
"Hey, Bry, sentiu minha falta?" Clara, com seu escuro cabelo cacheado cheio de glitter, saltava livremente de uma multido de fmeas e se uniu a eles na parede.
O resto do rebanho se dispersou. "Hey, Gabe. Cad a Celeste?"
Bryan colocou seus braos ao redor dos ombros dela."Eu pensei que voc tinha ido embora. Aparentemente vou ter de cancelar meus planos picantes que acabei de fazer
com-"
O cotovelo de Clara pegou bem no plexus solar[5] de Bryan.
[5] Um ponto entre a barriga e o peito. Onde fica o diafragma. http://tinyurl.com/5zr55e
"Sra. Frinkle," Bryan continuou, ofegando com as palavras e acenando na direo da vice-diretora que estava observando o salo do local o mais longe possvel dos
auto-falantes.
"Ns amos catalogar as advertncias fracassadas  luz de velas."
"Bem, eu no gostaria que voc perdesse isso! Eu acho que vi o treinador Lauder perto dos biscoitos. Talvez eu pudesse convenc-lo a fazer algumas flexes como ponto
extra."
"Ou ento a gente poderia somente danar," sugeriu Bryan.
"Claro, eu posso me contentar com isso."
Rindo, eles se apertaram no seu caminho para a pista de dana, a mo de Bryan envolvendo a cintura de Clara.
Gabe estava contente por Clara no ter ficado esperando por uma resposta  sua pergunta. Era um tanto quanto embaraoso o fato dele no ter uma.
"Hey Gabe, cad a Celeste?"
Gabe fez uma careta e se voltou para o som da voz de Logan.
Logan tambm estava solo no momento. Talvez fosse a vez da acompanhante dele exibir o comportamento de garota-rebanho.
"Eu no saberia dizer," Gabe admitiu. "Voc a viu?"
Logan franziu os lbios por um momento, como se debatesse se deveria, ou no, contar algo. Ele correu a mo nervosamente pelo seu cabelo preto cacheadinho[6]. "Bem,
eu acho que sim. Eu no tenho exatamente certeza, no entanto...Ela est com um vestido branco, no ?"
[6] http://tinyurl.com/67vh85
", onde ela est?"
"Eu acho que a vi no hall de entrada. No tenho certeza. Seu rosto estava meio difcil de ver... o rosto de David Alvorado estava todo em cima..."
"David Alvorado?" Gabe repitiu "No era Heath McKenzie?"
"Heath? No. Definitivamente era David."
Heath era um linebacker[7], loiro e belo. David dificilmente chegava aos 1,55cm, seu tom de pele era azeitonado[8] e seu cabelo era preto. No tem como confundir
os dois.
[7] Linebacker = jogador de futebol americano que fica atrs da linha defensiva, podendo marcar um quarterback ou um receiver.
[8] A da esquerda  de cor azeitonada. http://tinyurl.com/5rsajh
Logan sacudiu sua cabea tristemente. "Desculpe, Gabe. Isso  um porre."
"No se preocupe com isso."
"Pelo menos voc no est nesse barco sozinho," Logan disse desamparadamente.
"Srio? O qu aconteceu com o seu encontro?"
Logan deu de ombros. "Ela est a em algum lugar, olhando furiosamente para todo mundo. Ela no quer danar, ela no quer falar, ela no quer ponche, ela no quer
tirar fotos, e ela no quer a minha companhia." Ele ia assinalando cada negativa com os dedos. "Em primeiro lugar, eu nem sei por que ela me convidou. Provavelmente
s queria se mostrar com o seu vestido - est sexy, eu tenho que lhe dar os crditos por isso. Mas ela no est parecendo ligar sobre mostrar mais nada agora...
Gostaria de ter convidado alguma outra pessoa." Os olhos de Logan demoraram melancolicamente num grupo de garotas que danavam agitadamente num crculo sem nenhum
homem por perto. Gabe pensou ter visto Logan se focar numa garota em particular.
"Porque no convidou a Libby?"
Logan suspirou. "Eu no sei. Eu acho...Eu acho que ela teria gostado se eu a tivesse chamado, no entanto. Oh, cara."
"Quem  a sua acompanhante?"
"A garota nova, Sheba. Ela  um pouquinho enrgica, mas  linda, meio extica. Eu estava muito chocado para dizer qualquer coisa alm de sim quando ela me chamou
para vir com ela. Eu pensei que ela, bem, que ela poderia ser...legal..." Logan terminou sem graa. O que ele realmente pensou quando Sheba, na verdade, comandou
que ele a levasse ao baile no parecia completamente apropriado para ser dito em voz alta, especialmente para o Gabe; um monte de coisas parecia inapropriado ao
redor de Gabe. Era simplesmente o contrrio com Sheba. Quando ele deu uma olhada no vestido de couro vermelho enlouquecedor dela, sua cabea ficou cheia de idias
que, de alguma forma, no pareciam nem um pouco inapropriadas quando os olhos escuros e profundos dela estavam focados nos dele.
"Eu acho que no a conheo," Gabe disse, interrompendo a breve fantasia de Logan.
"Voc se lembraria se tivesse conhecido." Embora Sheba tenha esquecido Logan rpido o bastante uma vez que eles tenham chegado na porta, no foi? "Hey, voc acha
que talvez a Libby tenha vindo sozinha? Eu no escutei sobre ningum convidando ela..."
"Err, ela veio com o Dylan."
"Oh," Logan disse desanimado. Ento, ele deu um meio sorriso. "A noite est ruim o suficiente sem termos de ser torturados acima de tudo - ns no deveramos ter
uma banda? Esse DJ..."
"Eu sei.  como se ns estivssemos sendo torturados por nossos pecados," Gabe disse rindo.
"Pecados? Como se voc tivesse algum, Galahad o Puro."
"Voc est brincando? Eu quase no sa a tempo da suspenso para ter permisso para vir hoje a noite." Lgico, no momento Gabe estava desejando que o tempo no tivesse
sido to prestativo. "Tenho sorte de no ter sido expulso."
"Sr. Reese sabia que isso iria acontecer. Todo mundo sabia disso."
"Sim, ele sabia," Gabe disse, com uma pontinha rude em seu tom de voz. Todo mundo na escola era cauteloso quanto ao Sr. Reese, mas no havia muito o que fazer at
que o professor de matemtica cruzasse uma linha na qual no deveria ultrapassar. Todos os veteranos tambm sabiam sobre o Sr. Reese, mas Gabe no iria ficar quieto
enquanto ele perseguia aquele calouro tolo...Mesmo assim, nocautear um professor foi um pouquinho extremo. Provavelmente, haveria melhores meios para lidar com a
situao. No entanto, seus pais tinham sido encorajadores, como sempre.
Logan interrompeu seus pensamentos. "Talvez a gente devesse ir embora," Logan disse.
"Eu me sentiria mal - se Celeste necessitasse de um meio para ir para casa..."
"Aquela garota no  o seu tipo, Gabe." Ela  o puro demnio e uma completa prostituta, Logan poderia acrescentar, mas essas no so coisas que voc gostaria de
falar sobre uma garota enquanto Gabe estivesse em seu campo de audio. "Deixe ela pegar uma carona com o cara que est enfiando a lngua na garganta dela."
Gabe suspirou e balanou a cabea. "Eu irei esperar para ter certeza que ela vai estar bem."
Logan gemeu. "Eu no acredito que voc a convidou. Bem, a gente poderia se mandar por, pelo menos, tempo suficiente para poder pegar uns cd's decentes? Ento ns
poderamos seqestrar aquela pilha de merda que o DJ est tocando..."
"Eu gosto do jeito que voc pensa. Me pergunto se o motorista da limusine se importaria de fazer uma corrida por fora..."
Logan e Gabe terminaram numa discusso zombeteira a cerca dos melhores cd's a serem salvos - o top 5 era bvio, mas da a lista se tornou mais subjetiva - os dois
tendo o melhor momento que tiveram na noite toda.
Era engraado, mas enquanto eles brincavam, Gabe sentiu como se eles fossem os nicos que estivessem se divertindo. Todo mundo no salo parecia estar desagradado
com alguma coisa. E l no canto dos cookies envelhecidos, parecia que tinha uma garota chorando. Aquela no era Evie Hess? E outra garota, Ursula Tatum, tambm tinha
olhos vermelhos e o rmel manchado. Talvez a msica e o ponche no fossem as nicas coisas nesse baile que no prestassem.  Clara e Bryan pareciam felizes, mas alm
desses dois, Gabe e Logan - ambos humilhados e rejeitados - pareciam estar desfrutando a noite mais do que qualquer outro.
Menos perceptivo que Gabe, Logan no percebeu a atmosfera negativa at que Libby e Dylan comearam a discutir; repentinamente Libby saiu andando arrogantemente da
pista de dana. Isso atraiu sua ateno imediatamente.
Logan trocou de posio, seus olhos grudados na imagem de Libby se afastando. "Hey, Gabe, voc se importa se eu te abandonar?"
"De modo algum. Vai nessa."
Logan praticamente correu atrs dela.
Gabe no tinha certeza do que fazer consigo mesmo agora. Ele deveria encontrar Celeste e perguntar se ela se importava que ele fosse embora? No entanto, ele no
estava inteiramente confortvel com a idia de ter de solt-la de algum para poder perguntar.
Ele decidiu pegar outra garrafa de gua e encontrar um canto, o mais calmo possvel, para esperar que a noite se arrastasse at o seu fim.
E ento, enquanto ele estava procurando pelo canto tranqilo, Gabe teve aquela estranha sensao de novo, mais forte do que j teve em toda a sua vida; era como
se algum estivesse se afogando em guas negras e gritando por sua ajuda. Ele olhou ao redor freneticamente, se perguntado de onde vinha o chamado de urgncia. Ele
no conseguia entender a margem vital e disforme dessa angstia. Isso no era como nada que ele j tivesse sentido na vida.
Por um breve momento, seus olhos se fixaram numa garota - de costas, enquanto ela estava andando para longe dele. O cabelo da garota era preto e lustroso com um
brilho parecendo de um espelho. Ela vestia um longo espetacular, cor de chamas. Enquanto Gabe assistia, os brincos dela flamejaram, como pequenos diamantes vermelhos.
Gabe comeou a andar atrs dela quase que num movimento inconsciente, levado pela necessidade violenta que a cercava. Ela virou rapidamente, e ele teve um relance
de sua palidez desconhecida, o perfil aquilino[9], seus grossos lbios de marfim e suas sobrancelhas pretas arqueadas - antes dela se retirar para o banheiro feminino.
[9] Aquilinos= prprios de guia. Diz -se do nariz curvo como o de uma guia.
Gabe estava respirando com dificuldade devido ao esforo de no seguir a garota para a terra proibida para os homens. Ele podia sentir sua necessidade tragando-o
como areia movedia. Ele se inclinou na parede da frente do banheiro, cruzou os braos fortemente no peito, e tentou se convencer a no esperar pela garota. Este
instinto louco que tinha estava indo muito mais longe do que normal. Celeste no tinha sido uma prova disso? Isso era tudo coisa da sua imaginao. Talvez ele devesse
sair agora.
Mas Gabe no conseguia forar seus ps a dar um passo adiante.
Apesar da garota mal atingir 1,60m em seus saltos agulhas, havia algo em sua imagem - incitantemente magra e ereta como um florete de esgrima - que a fazia parecer
alta.
Ela era uma contradio ambulante, de modo mais contraditrio que a prpria luz e as trevas, com seu cabelo preto como tinta e a sua pele de calcrio, ambos delicados
e rudes com suas caractersticas pequenas e astutas, e ambos convidativos e repelentes como ondas hipnotizantes que vinham de seu corpo por trs da expresso hostil
em seu rosto.
Apenas uma coisa nela no era ambgua - seu vestido, sem sombra de dvida, era uma obra de arte: Camadas de couro de um vermelho flamejante revelavam seus ombros
plidos e deslizavam sobre suas curvas at alcanar o cho. Enquanto ela cruzava a pista de dana, os olhos femininos seguiam seu rastro com inveja e os masculinos
com luxria.
Havia outro fenmeno que a seguia; enquanto a garota com seu vestido inflamvel passava pelos casais que danavam, suspiros de horror e embarao sussurravam ao redor
dela de uma forma to estranha que s poderia ser coincidncia. Um salto alto quebrou, torcendo o tornozelo de quem o estava calando. Um vestido de cetim rasgou
da bainha at o alto da coxa. Uma lente de contato escapuliu e estava perdida no cho sujo. A ala de um wonder bra[10] partiu em dois. Uma carteira deslizou de
um bolso. Uma cimbra inesperada anunciou sua chegada. Um colar emprestado se espatifou em uma chuva de prolas no cho.
[10] Aqueles suti que tm enchimento.
E um por um - pequenos desastres desencadeavam pequenas desgraas.
E a morena plida sorria para si mesma como se pudesse sentir a desgraa no ar e curtia - saboreava isso, talvez pelo modo como lambia os lbios em apreciao.
E ento, seu semblante fechou e ela enrugou suas sobrancelhas numa concentrao feroz. O nico garoto que estava olhando seu rosto viu um estranho resplendor vermelho
prximo de seus globos oculares, como se fossem fascas vermelhas. Neste momento, todo mundo se virou para encarar Brody Farrow que havia apertado o brao e gritado
de dor; os movimentos leves da msica lenta haviam deslocado seu ombro.
A garota do vestido vermelho sorriu maliciosamente.
Com seus saltos tilintando no cho ela andou com passos largos pelo corredor at o banheiro feminino. Gemidos fracos de dor e pesar se arrastaram atrs dela.
Uma multido de meninas andavam sem rumo na frente do espelho de corpo inteiro do banheiro. Elas s tiveram um momento para olhar embasbacadamente para o vestido
estonteante, para notar que a garota que estava dentro dele tremeu de leve no aposento sufocante de to quente, antes que o caos as distrassem. Comeou com Emma
Roland que se apunhalara no olho com o rmel. Ela se debulhava em horror, golpeando o copo cheio de ponche da mo de Bethany Crandall que, ento, acabara por encharcar
e manchar mais trs outros vestidos nos lugares mais inconvenientes. A atmosfera no banheiro se elevara tanto quanto a temperatura local quando uma das garotas -
ostentando uma mancha verde horrorosa por todo o seu peito - acusou Bethany de ter jogado o ponche nela propositalmente.
A morena plida s sorriu ligeiramente diante da briga que estava se formando, e ento se apressou para o cubculo mais longe do banheiro e fechou a porta atrs
dela.
Ela no fez uso da privacidade do espao como alguns poderiam pensar. Em lugar disso, no mostrando nenhum medo do lugar estril, a menina apoiou sua testa contra
a parede de metal e apertou os olhos bem fechados. As mos dela, cerradas em punhos, tambm descansaram contra o metal como apoio.
Se quaisquer das meninas no banheiro feminino estivesse prestando ateno, elas poderiam ter desejado saber o que estava causando aquele brilho avermelhado que reluzia
excessivamente pela fenda entre a porta e a parede. Mas ningum estava prestando ateno.
 A garota do vestido vermelho apertou os dentes firmemente. Dentre deles, disparou um jato quente de chama luminosa que chamuscou formas pretas na camada mais leve
de tinta de uma parede de metal. Ela comeou a ofegar, lutando contra uma carga invisvel, o fogo queimando ainda mais, dedos com grossas rachaduras vermelhas contra
o metal frio. O fogo alcanou aos seus cabelos, mas no chamuscou as mechas macias de seu cabelo cor de tinta. Sinais de fumaa comearam a escapar do seu nariz
e orelhas.
Uma chuva de fascas disparou de suas orelhas enquanto ela sussurrava uma palavra entre os dentes.
"Melissa."

De volta ao salo de festa, Melissa Harris olhou em volta, distrada. Algum teria chamado seu nome? No parecia ter algum perto o bastante para ser responsvel
pelo sussurro. Deveria ser sua imaginao, ento. Ela olhou de volta para o seu acompanhante e tentou se concentrar no que ele estava dizendo.
Melissa desejou saber por que ela tinha concordado em ir ao baile com Cooper Silverdale. Ele no era seu tipo. Um garoto pequeno, consumido por sua prpria importncia,
com muito ainda para provar. Ele tem sido estranhamente eltrico a noite toda, enquanto se vangloriava de sua famlia e de suas posses ininterruptamente, e Melissa
j estava se cansando disso.
Outro fraco sussurro chamou a ateno de Melissa, e ela se virou.
L, do outro lado do salo, muito longe para ser a fonte do som, Tyson Bell estava encarando Melissa diretamente por cima da cabea da garota com quem ele estava
danando. Melissa olhou para baixo imediatamente, estremecendo, tentando no se importar com quem ele estava, enquanto forava a si mesma a no olhar.
Ela se mexeu mais para perto do Cooper. Chato e superficial, talvez, mas melhor que o Tyson. Qualquer um era melhor que o Tyson.
Realmente? Cooper realmente era a melhor opo? As perguntas pipocavam na cabea de Melissa como se viessem de uma pessoa completamente diferente. Involuntariamente,
ela olhou nos olhos negros e pesados de Tyson. Ele ainda a estava encarando.
Claro que Cooper era melhor que Tyson, no importava o quanto bonito ele era. Aquela beleza era s parte da armadilha.
Cooper continuava balbuciando, se embolando nas prprias palavras, enquanto tentava capturar o interesse de Melissa.
Cooper  muito areia para o seu caminhozinho, o pensamento sussurrou. Melissa concordou com a cabea, envergonhada por pensar naquele modo. Isso era futilidade.
Cooper era to bom quanto ela, to bom quanto qualquer outro menino.
No to bom quanto Tyson. Se lembra como era...
Melissa tentou manter as imagens fora da sua cabea: os olhos apaixonados de Tyson, cheios de desejo...suas mos macias e speras contra a sua pele...sua voz melodiosa
que transformava o som das palavras mais comuns em poesia...o modo como o mais leve toque de seus lbios contra os dedos dela fazia com que sua pulsao corresse
mais rpido em suas veias...
Seu corao fez um baque, doendo dentro do peito.
Deliberadamente, Melissa pescou uma outra memria para combater seus pensamentos rebeldes. O punho de ferro de Tyson esmagando um lado de sua face sem nenhum aviso
prvio - as manchas pretas florescendo na frente de seus olhos - suas mos se apoiando no cho - engasgando em vmito - uma dor pura que tremia por todo o seu corpo.
Ele sentia muito. Estava to arrependido. Ele prometeu. Nunca aconteceria novamente. Indesejadamente, uma imagem dos olhos cor de caf de Tyson cheio de lgrimas
manchava a sua viso.
Reflexivamente, os olhos de Melissa buscaram os de Tyson. Ele ainda a estava encarando. A testa dele se enrugou, suas sobrancelhas juntaram-se, agoniado...
Melissa estremeceu novamente.
"Voc est com frio? Voc quer meu -?" Cooper estava meio que botando os ombros para fora da jaqueta do seu smoking, quando ento, com o rosto corado, parou. "Voc
no pode estar com frio. Faz tanto calor aqui," ele disse de modo fraco, como se retirasse a oferta, enquanto abotoava a jaqueta de volta no lugar.
"Estou bem," Melissa o assegurou. Melissa se forou a olhar somente para o rosto plido dele, de face juvenil.
"Esse lugar est um saco," Cooper disse, e Melissa concordou com a cabea, feliz em concordar com ele. "Ns poderamos ir ao clube de campo do meu pai. H um restaurante
incrvel se voc estiver disposta a uma sobremesa. Ns no teramos que esperar por uma mesa. Assim que eu mencionar meu nome..."
A ateno de Melissa comeou a divagar novamente.
Porque estou com esse esnobe? Perguntou o pensamento que era to estranho na sua cabea, mas que vinha, entretanto, na sua prpria voz. Ele  um fraco. E da se
ele no conseguisse machucar uma mosca? No h mais para amar do que a segurana? Eu no sinto a mesma necessidade no meu estmago quando olho para Cooper - quando
eu olho para qualquer um alm de Tyson... Eu no posso mentir para mim mesma. Eu ainda o quero. Tanto. Isso no  amor, esse querer?
Melissa desejou no ter bebido tanto daquele vil e ardente ponche. Era impossvel pensar claramente.
Ela viu enquanto Tyson deixava seu par encalhado e atravessou o salo at que ele ficou bem defronte dela - perfeitamente obvio - como um assumido clich de heri
de futebol americano. Era como se Cooper no existisse entre eles.
"Melissa?" ele perguntou com sua voz melodiosa, tristeza perpassando pela sua face. "Melissa, por favor!" Ele ofereceu sua mo para ela, ignorando o balbucio sem
palavras de Cooper.
Sim sim sim sim sim cantava em sua cabea.
Mil memrias de desejo a balanaram. A mente dela afivelou.
Hesitantemente, Melissa acenou em concordncia.
Tyson sorriu em alivio, de alegria, e a puxou de Cooper para seus braos.
Era to fcil ir com ele. O sangue de Melissa corria por suas veias como fogo.

"Isso!", a plida menina morena sibilou, escondida em seu cubculo, e uma lngua bifurcada de chamas iluminou a face dela de vermelho. O fogo pipocou alto o bastante
para que algum pudesse ter notado se o banheiro ainda no estivesse cheio de vozes altas e estridentes de irritao. O fogo retrocedeu, e a garota respirou fundo.
Suas plpebras tremularam por um momento, e ento ela os fechou novamente. Seus punhos se apertaram at que sua pele plida parecesse que iria se romper na ponta
de suas prprias juntas. Sua figura esbelta comeou a tremer como se ela estivesse se esforando para erguer uma montanha. Tenso, determinao e expectativa eram
uma aura quase visvel ao redor dela.
Qualquer que fosse a difcil tarefa que ela, agora, tenha estabelecido para si mesma, estava claro que complet-la era mais precioso para ela do que qualquer outra
coisa.
"Cooper," ela sibilou, e fogo transbordava de sua boca, de seu nariz, de suas orelhas. As chamas banhavam sua face.

Como se voc fosse um nada. Como se voc fosse invisvel. Como se voc no existisse! Cooper tremia de fria, e as palavras em sua cabea alimentavam essa fria,
a faziam ferver. Voc pode faz-la v-lo. Voc poderia mostrar ao Tyson quem era o cara realmente.
Automaticamente, sua mo alcanou a pesada protuberncia que havia por debaixo de sua jaqueta na parte de trs. O choque de se lembrar da arma cortou a sua raiva,
e ele piscou rapidamente, como se acabasse de acordar de um sonho.
Um frio na espinha correu seu corpo. O qu ele estava fazendo com uma arma no baile? Ele estava maluco?
Isso era uma coisa estpida, entretanto, o que mais ele poderia fazer quando Warren Beeds o tinha chamado em sua farra imprudente? Tudo bem, a segurana do colgio
era uma piada , qualquer um poderia roubar qualquer coisa que quisesse. Ele provou isso, no foi? Mas valia a pena ter uma arma em suas costas s para se mostrar
perante Warren Beeds?
Ele podia ver Melissa, a cabea dela no ombro daquele atleta estpido, seus olhos fechados. Ela j tinha se esquecido de Cooper completamente?
A fria borbulhou novamente, sua mo se contraiu em suas costas.
Cooper balanou a cabea vigorosamente desta vez. Isso era loucura. Isso no era o porqu dele ter trazido a arma...Era para ser uma piada, uma brincadeira.
Mas olhe para o Tyson. Olhe para aquele ar superior, o sorriso afetado em seu rosto! Quem ele pensa que ? O pai dele no  nada mais do que um jardineirozinho famoso!
Ele no tem medo de que eu fao algo pelo fato dele ter roubado o meu par. Ele nem se lembra de que fui eu quem a trouxe. Ele no teria medo de mim mesmo se se lembrasse.
E Melissa nem se lembra que eu existo.
Cooper trincou os dentes, se ressentindo novamente. Ele imaginou o olhar superior de Tyson desaparecer e se transformar em medo e terror quando ele olhasse para
o cano da arma.
O medo trouxe Cooper bruscamente para a realidade.
Ponche. Mais ponche,  disso que eu preciso.  vagabundo, nojento, mas pelo menos  forte. Mais alguns copos de ponche e eu saberei o que fazer.
Respirando fundo para se endireitar, Cooper se apressou at a mesa das bebidas.

A menina morena no banheiro fez uma careta e balanou a cabea em aborrecimento. Ela respirou fundo duas vezes e ento sussurrou palavras calmantes para si mesma
num ronronar gutural.
"H bastante tempo. Um pouco mais de lcool ir embaralhar sua mente, tirando a sua vontade... pacincia. Ainda h muito a se fazer, tantos outros detalhes..." Ela
rangia os dentes e suas plpebras tremularam por um tempo mais longo dessa vez.
"Primeiro Matt e Louisa, e ento Bryan e Clara," ela disse a si mesma, como se estivesse fazendo uma lista do trabalho a fazer. "Ugh, e ento, interferir com o Gabe!
Por que ele ainda no est infeliz?" Ela respirou profundamente novamente. " hora de minha pequena ajudante voltar a trabalhar."
Ela apertou os punhos nas tmporas e fechou os olhos.
"Celeste," ela bateu com os dentes.

A voz na cabea de Celeste era familiar, at bem-vinda. Todas as suas melhores idias estavam vindo dessa maneira ultimamente. Matt e Louisa no aparentam estar
ntimos?
Celeste sorriu para o casal em questo.
Algum se divertindo? Isso  realmente aceitvel?
"Eu tenho que ir..." - Celeste olhou para o rosto de seu acompanhante, tentando se lembrar de seu nome - "Derek."
Os dedos do menino, que se arrastavam pela costela dela, gelaram em choque.
"Foi divertido," Celeste o assegurou, enquanto esfregava a boca aberta com o peito da mo, como se quisesse se livrar de qualquer vestgio dele. Ela se puxou dele
para se soltar.
"Mas, Celeste...eu pensei..."
"Agora, tchau."
O sorriso de Celeste era afiado como uma navalha enquanto ela caminhava pomposamente para Matt Franklin e seu par, Mousy sei-l-qual--o-seu-nome. Por um breve momento
ela lembrou de seu par oficial - o inocente Gabe Christensen - e quis rir.
Que tima noite ele deve estar tendo! A humilhao que ela o fazia suportar quase valia a pena ter vindo com ele, embora ela no consiga imaginar o que estava pensando
quando disse sim ao seu convite. Celeste balanou a cabea com a lembrana irritante.
Gabe virou aqueles inocentes olhos azuis para ela, e - por meio minuto - ela queria dizer sim. Ela gostaria de ir at ele. Naquele breve momento, ela tinha pensado
em largar o seu delicioso plano e simplesmente ter uma noite agradvel no baile com um cara legal.
Wow, ela estava feliz de que aquela sensao de oba-oba tinha enfraquecido. Celeste nunca havia se divertido tanto em sua vida como agora. Ela tinha arruinado o
baile para metade a das garotas no salo, e tinha a metade dos garotos lutando por ela. Os garotos so todos iguais, e eram todos seus quando ela quisesse. Estava
na hora do resto das garotas perceberem isso. Que inspirao fabulosa foi essa de montar um esquema de dominao total no baile de formatura!
"Oi, Matt," Celeste cantarolou, enquanto dava um tapinha em seu ombro.
"Oh, oi," Matt respondeu, tirando os olhos de seu par e a observando com uma expresso confusa.
"Posso peg-lo emprestado por um momento?" Celeste perguntou, dando uma piscadela, e se endireitando para que o seu decote ficasse sob a luz do refletor. "H algo
que eu quero, err, mostrar para voc." Celeste molhou os lbios com a lngua.
"Hum." Matt engoliu ruidosamente.
Celeste sentia os olhos de seu ltimo par cavando um buraco por trs dela, e ela se lembrou que Matt era seu melhor amigo. Ela abafou um riso. Perfeito!
"Matt?" a acompanhante dele perguntou em um tom ferido enquanto as mos dele soltavam a sua cintura.
"Ser s um segundinho...Louisa."
H! Ele mesmo mal podia lembrar o nome dela! Celeste o iluminou com um sorriso deslumbrante.
"Matt?" Louisa chamou novamente, chocada e magoada, enquanto Matt segurava a mo de Celeste e a seguia para o centro da pista de dana.

O ltimo cubculo do banheiro estava escuro agora. A menina dentro dele afundou-se contra a parede, aguardando enquanto sua respirao desacelerava. Apesar do ar
do local estar desconfortavelmente quente, a garota estava tremendo.
A disputa no banheiro havia sido solucionada, e um novo grupo de meninas se aglomerou na frente do espelho para checar a maquiagem.
A respirao de fogo se recomps, e ento havia outra fasca vermelha em suas orelhas; todo mundo no espelho se virou esperanosamente para a porta do banheiro feminino
enquanto a garota no vestido vermelho retirou-se de seu cubculo e abriu a janela baixa. Ningum notou ela deslizar para fora em sua sada no ortodoxa. Elas continuaram
olhando para a porta, esperando pelo som que as haviam feito virar.

A noite mida e pegajosa de Miami era to desconfortvel que era como se estivesse tentando rivalizar com o inferno. Em seu grosso vestido de couro, a menina deu
um sorriso de alvio e esfregou suas mos nos seus braos nus.
Ela deixou seu corpo relaxar em um dos lados do encardido depsito de lixo que estava por perto, e se inclinou para o topo aberto de onde o fedor de comida estragada
pairava como uma nuvem pesada. Seus olhos se fecharam, e ento, ela inalou profundamente e sorriu novamente.
Outro cheiro, ainda mais desprezvel - algo como carne queimada abafada, mas ainda pior - flutuava pelo ar sufocante. O sorriso da garota se alargou enquanto ela
sugava este horrvel novo odor como se isso fosse um raro perfume.
E ento seus olhos se abriram num estalo e seu corpo ficou reto e rgido.
Um riso baixo rompeu-se pela noite aveludada.
"Sentindo saudades de casa, Sheeb?" ronronou a voz de uma mulher.
Os lbios da garota se curvaram em um rosnado enquanto o corpo que pertencia  voz entrava em seu campo de viso.
Uma morena de vasta cabeleira parecia estar vestida com nada mais que por uma lenta nvoa negra rodopiante. Suas pernas e ps estavam invisveis - talvez nem mesmo
l. No alto de sua testa haviam dois pequenos e polidos chifres de nix.
"Chex Jezebel aut Baal-Malphus," a menina no vestido vermelho rosnou. "O que voc est fazendo aqui?"
"To formal, irmzinha?"
"E desde quando eu ligo para irmandade?"
"Realmente. E nossa ascendncia exata  compartilhada por milhares...Mas isso  um tanto difcil de manejar. Por que voc no me chama somente de Jez, e eu pulo
toda a parte do Chex Sheba aut Baal-Malphus e chamo voc de Sheeb."
Sheba bufou irrisoriamente. "Eu pensei que voc estava designada para Nova York."
"S estou tendo um intervalo - como voc, aparentemente." Jezebel olhou sugestivamente para o lugar de descanso de Sheba. " Nova York  fabuloso - quase to mal
quanto o inferno, obrigada por perguntar - mas at mesmo os assassinos dormem de vez em quando. Eu fiquei entediada, ento eu vim aqui para ver se voc estava se
divertindo no brrrrrraile." Jezebel riu. A nvoa escura ao seu redor danava.
Sheba franziu a testa mas no respondeu.
A mente dela estava em alerta enquanto ela focava nos estudantes, que de nada desconfiavam, dentro do salo do hotel, procurando por interferncias. Jezebel estava
aqui para estragar os planos de Sheba? O que mais poderia ser? A maioria dos demnios medianos desviariam quilmetros de seu caminho para ferrar um pequeno aliado
- chegando at mesmo a fazer o bem. Balan Lilith aut de Hadad Hamon tinha se disfarado de humano, uma vez, em um dos colgios designados de Sheba, cerca de uma
dcada atrs. Sheba no havia entendido como todos os seus horrveis enredos haviam se transformado em finais felizes. Ento, quando ela percebeu isso, ela mal podia
acreditar no azedum de Lilith - a demnia depravada tinha orquestrado trs exemplos de amor verdadeiro, s para que Sheba fosse rebaixada! Por sorte, Sheba conseguiu
uma boa traio no ltimo minuto que acabou com dois dos romances. Sheba respirou profundamente. Aquela foi por pouco. Ela podia ter sido demitida e mandada para
o ginsio!
Sheba fez uma careta para a divertida demnia que flutuava perante ela agora. Se Sheba tivesse o trabalho dos sonhos de Jezebel - um demnio homicida! No poderia
ficar melhor do que isso - Sheba iria se fixar no caos e esqueceria desses truques insignificantes.
Os pensamentos de Sheba rodopiavam como uma fumaa invisvel pelas pessoas que danavam no prdio atrs dela, procurando por algum sinal de deslealdade. Mas tudo
continuava como deveria estar. O descontentamento do lugar chegava s alturas. O sabor da infelicidade humana enchia sua mente. Delicioso.
Jezebel riu, entendendo exatamente o que Sheba estava fazendo.
"Relaxe," Jezebel disse. "Eu no estou aqui para causar nenhum problema."
Sheba bufou. Claro que ela estava l para causar problemas. Isso  o que os demnios fazem.
"Belo vestido," Jezebel notou. "Pele de co guardio do inferno. timo para incitar luxuria e inveja."
"Eu sei como fazer meu trabalho."
Jezebel riu novamente, Sheba se inclinou instintivamente para poder sentir o sabor de enxofre em seu hlito.
"Pobrezinha da Sheeb, ainda presa na forma de meia-humana," Jezebel caoou. "Eu me lembro como as coisas cheiravam bem o tempo todo. Ugh. E a temperatura! Os humanos
tm de gelar tudo com seu ar-condicionado miservel?!"
A face de Sheba estava calma agora, controlada. "Eu sobrevivo. H bastante misria para passar adiante."
"Esse  o esprito. Mais alguns sculos, e voc estar na chefia comigo."
Sheba permitiu que um sorriso curvasse seus lbios. "Ou talvez no demore tanto tempo."
Uma sobrancelha preta arqueou na testa branca de Jezebel, se elevando quase na altura do chifre de bano.
" mesmo? Vai tirar algo particularmente demonaco de sua manga, irmzinha?"
Sheba no respondeu, enrijecendo-se novamente enquanto Jezebel mandou seus prprios pensamentos que serpenteavam invisivelmente pela multido do salo do baile.
Sheba trincou sua mandbula, pronta para revidar caso Jezebel desfizesse algum de seus esquemas. Mas Jezebel apenas olhou, no tocando em nada.

"Hmm," Jezebel sussurrou para si mesma. "Hmm"
Os punhos de Sheba se apertaram firmemente quando a procura de Jezebel encontrou Cooper Silverdale, mas de novo, Jezebel somente observou.
"Bem, bem," a demnia cornuda murmurou."Wow. Sheeb, tenho que te dizer, estou impressionada. Voc fez uma arma entrar na histria. E uma motivao a base de lcool
para debilitar seu livre arbtrio." A demnia mais velha sorriu com algo que se parecia estranhamente com sinceridade. "Isso  realmente demonaco. Quero dizer,
seguramente, um demnio mediano que trabalha com homicdios ou caos ou, talvez, revoltas poderia armar algo assim em um baile, mas uma criana em forma-humana em
circunstncias miserveis? Quantos anos voc tem, duzentos, trezentos?"
"S cento e oitenta e seis no meu ltimo dia de criao," Sheba respondeu bruscamente, ainda cautelosa.
Jezebel assobiou com a lngua de fogo por seus lbios. "Muito impressionante. E eu posso ver que voc tambm no est negligenciando a sua tarefa. Isso  uma multido
miservel que temos aqui." Jezebel gargalhou. "Voc terminou com quase todas as relaes promissoras, acabou com algumas dzias de amizades de infncia, fez novos
inimigos...trs, quatro, cinco brigas se preparando," Jezebel contou, sua mente com os humanos. "Voc at fez o DJ escutar voc! Tanta ateno para cada detalhe.
H H! Eu posso contar em uma mo os humanos que no esto completamente miserveis."
Sheba sorriu severamente. "Eu chego neles."
"Horrvel,Sheeb. Verdadeiramente srdido. Voc deixa nosso nome orgulhoso. Se em cada baile tivesse uma demnia  como voc envolvida, ns possuiramos o mundo."
"Aw, caramba, voc est me fazendo corar," Sheba disse com um sarcasmo pesado.
Jezebel gargalhou. "Lgico, voc teve um pouquinho de ajuda."
Os pensamentos de Jezebel envolviam-se ao redor de Celeste, que tinha acabado de se enrolar com outro menino. Garotas abandonadas choravam, enquanto os garotos que
Celeste despreocupadamente deixara de lado flexionavam os punhos e olhavam furiosamente para os seus rivais; queimando de desejo, cada um estava determinado de que
Celeste terminaria a noite consigo.
Celeste estava fazendo metade do trabalho hoje  noite.
"Eu uso as ferramentas que me so disponveis," Sheba disse.
"Que nome irnico! Que mente demonaca! Ela  totalmente humana?"
"Eu passei por ela no corredor s para conferir," Sheba admitiu. "Puro e limpo cheiro humano. Revoltante."
"Huh. Eu poderia jurar que ela tem algum demnio na sua ancestralidade. Bom achado. Mas, Sheba, convidando um cara? Muito amador, se envolvendo fisicamente desse
modo."
Sheba levantou o queixo defensivamente, mas no respondeu. Jezebel estava certa; era imaturo e desgastante usar uma forma humana em vez de uma mente de demnio.
No entanto, eram os resultados que contavam. A interferncia oportuna de Sheba impediu Logan de descobrir seu verdadeiro amor.
"Bem, de nenhuma forma isso diminui suas realizaes hoje  noite." O tom de Jezebel era conciliatrio. "Voc conseguiu armar isso, e eles a poro nos livros didticos
dos bebs demnios."
"Obrigada," Sheba disse bruscamente. Jezebel realmente pensava que elogiando Sheba a levaria a abaixar a sua guarda?
Jezebel sorriu, e sua nvoa se encaracolou nas pontas, refletindo sobre a expresso.
"Uma dica, Sheba. Mantenha-os confusos. Se voc conseguir que Cooper puxe o gatilho, ento voc poderia fazer que alguns desses metidos a mafiosos pensassem que
esto sob ataque." Jezebel balanou a cabea maravilhada. "Voc tem tanto caos em potencial aqui. Lgico, eles traro um demnio da revolta se as coisas ficarem
realmente quentes...mas voc ainda adquiriria algum crdito por incitar tudo isto."
Sheba fez uma careta e vislumbres de vermelho flamejaram de suas orelhas. O que Jezebel estava fazendo? Onde estava o truque? A mente dela correu em volta dos humanos
que haviam sido designados para ela atormentar, mas ela no conseguia achar o rastro do cheiro de enxofre caracterstico de Jezebel no salo do baile. No havia
nada alm da infelicidade que a prpria Sheba havia causado, e os pequenos pontos de felicidade repelentes nos quais Sheba iria cuidar brevemente.
"Voc certamente foi til hoje  noite," Sheba disse sendo deliberadamente insultante.
Jezebel suspirou, e havia algo sobre o modo como a sua nvoa se enrolara em si mesmo que fizeram com que ela parecesse...envergonhada. Pela primeira vez, Sheba sentiu
uma pontada de dvida sobre suas suposies. Mas as motivaes de Jezebel tinham de ser maliciosas. Esse era o nico tipo de motivao que os demnios tinham.
Com uma expresso infeliz em seu rosto, Jezebel perguntou tranquilamente, " to impossvel acreditar que eu queira que voc seja promovida?"
"Sim."
Jezebel suspirou novamente. E novamente, o modo como as nvoas dela retorciam-se em pesar fizeram com que Sheba ficasse incerta.
"Por qu?" Sheba exigiu. "O que voc ganha com isso?"
"Eu sei que  totalmente errado - ou bastante certo - que eu te d conselhos nos quais voc possa trabalhar. No muito demonaco da minha parte."
Sheba confirmou com a cabea cautelosamente.
"Est em nossa natureza trair todo mundo, demnios, humanos - at anjos se tivermos a oportunidade. Ns somos maus. Naturalmente ns vamos apunhalar pelas costas,
ferindo o nosso lado ou no. Ns no seramos demnios se no deixssemos a inveja, ganncia, luxria e ira nos regerem." Jezebel riu. "Eu lembro - h quantos anos
foi? - Lilith quase a chutou para alguns nveis mais baixos, no foi?"
Um fogo sem chamas queimou nos olhos de Sheba ao lembrar-se. "Quase."
"Voc lidou com isso melhor do que a maioria. Voc, agora,  uma das piores em misria na ativa, sabia."
Lisonjeiros novamente? Sheba endureceu.
Jezebel enrolou a nvoa com um dedo, e ento fez um crculo com aquele dedo de um modo que a nvoa formasse um globo esfumaado no cu noturno.
"H um quadro maior, no entanto, Sheba. Demnios como Lilith no conseguem ver alm do toque demonaco. Mas h um mundo inteiro a fora, cheio de humanos que tomam
milhares decises a cada minuto do dia e da noite. Ns s podemos estar l para influenciar uma frao de suas decises. E, algumas vezes, bem, de onde eu vejo,
parece que os anjos esto tomando a frente..."
"Mas Jezebel!" Sheba ofegou, o choque penetrando nas suas suspeitas. "Ns estamos ganhando. Basta ver as notcias -  bvio que estamos ganhando."
"Eu sei. Eu sei. Mas mesmo com todas as guerras e destruies...  estranho, Sheba. Ainda existe uma quantidade horrvel de felicidade por a. Por cada furto que
transformo em homicdio, atravs da cidade, algum anjo tem um espectador para pular no ladro e salvar o dia. Ou ento convence um ladro a desistir de seus dias
de malfeitor! Ugh. Ns estamos perdendo terreno."
"Mas anjos so fracos, Jezebel. Todo mundo sabe disso. Eles so to cheios de amor que no conseguem se concentrar. Na maior parte do tempo esses cabeas de passarinho
se apaixonam por algum humano e trocam suas asas por corpos humanos. Apesar de no entender o porqu de at um anjo idiota querer isso."  Sheba demonstrou de cima
a baixo a sua forma humana. Limitando. "Eu, realmente, nunca entendi a razo de termos de usar isso por a por meio milnio. Eu acho que  s para nos torturar,
certo? Os senhores da escurido devem gostar de nos ver se retorcendo."
" mais do que isso.  para fazer voc realmente os odiar. Os humanos, quero dizer."
Sheba olhou para ela. "Por que precisaria de um motivo? dio  o que fao."
"Acontece, voc sabe." Jezebel disse lentamente. "Os anjos no so os nicos a desistir de tudo. H demnios que j trocaram seus chifres por um humano."
"No!" Os olhos de Sheba se arregalaram e, em seguida, se estreitaram em descrdito. "Voc est exagerando. Vez ou outra um demnio se alia a um humano, mas  s
para tormenta-lo. S um pouco de um joguinho malicioso."
O rosto de Jezebel se retraiu, movendo sua nvoa com um silvo at que se configurassem "oitos", mas ela no rebateu de volta.
Isso foi o que fez Sheba perceber que ela falava srio.
Sheba engoliu seco. "Wow."
Ela no podia imaginar isso. Pegar toda essa deliciosa maldade e jogar fora.
Desistir de um par de chifres ganho a muito custo - chifres pelos quais Sheba destruiria tudo para ter agora - e ficar preso num fraco corpo totalmente humano em
troca.
Sheba olhou para os brilhantes chifres de nix de Jezebel e franziu as sobrancelhas. "Eu no entendo como algum poderia fazer isso."
"Se lembra sobre o que disse sobre os anjos? Sobre serem distrados pelo amor?" Jezebel perguntou. "Bem, dio pode ser uma distrao tambm. Veja Lilith e suas maliciosas
obras de caridade. Talvez isso tenha comeado como pegar no p dos demnios menos graduados, mas quem sabe at onde isso vai chegar? Virtude corrompe."
"Eu no acredito que alguns truques contra outros demnios possam deixar voc to idiota quanto um cabea de passarinho," Sheba murmurou por baixo da respirao
forte.
"Sheba, no subestime os anjos," Jezebel criticou. "No mexa com eles - entendeu? At mesmo um forte demnio mediano como eu sabe que no deve travar os chifres
com os alados. Eles nos evitam, e ns os evitamos. Deixe os Senhores Demonacos lidarem com os anjos."
"Eu sei disso, Jezebel. Eu no fui desovada nessa dcada."
"Desculpe. Estou sendo til novamente." Ela tremeu. "Eu simplesmente fico to frustrada de vez em quando! Bondade e luz em todos os lugares!"
Sheba balanou a cabea. "Eu no vejo isso. Vejo misria em todos os lugares."
"Alegria tambm, mana. Em todos os lugares." Jezebel disse tristemente.
Houve um silencio por um longo tempo enquanto as palavras de Jezebel pairavam no ar. A brisa pegajosa varreu a pele de Sheba. Miami no era o inferno, mas no mnimo
era confortvel.
"No no meu baile!" Sheba replicou com sbita fora.
Jezebel sorriu amplamente - seus dentes to negros quanto o cu noturno. " por isso - esse  o por qu de eu estar sendo to no - desgraadamente til. Porque
precisamos de demnias como voc por a. Ns precisamos do pior que consigamos para a frente de batalha. Deixe Lilith do submundo bagunar por a com seus truquinhos
deplorveis. Ponham as Shebas do meu lado. Peguem mil Shebas. Ns ganharemos essa briga de uma vez por todas."
Sheba considerou isso por um momento, pesando a fora do propsito na voz de Jezebel. "Isso  demonaco de uma forma estranha. Quase soa como bom."
"Confuso, eu sei."
Elas riram juntas pela primeira vez.
"Bem, volte para l e destrua esse baile."
"Estou trabalhando nisso. V pro inferno, Jezebel."
"Obrigada, Sheeb. Voc tambm."
Jezebel piscou,  e seu sorriso foi se alargando at que o preto de seus dentes tomasse conta de todo o seu rosto. Ela evaporou na noite.
Ela entrou sorrateiramente no beco sujo at que o perfume sedutor de enxofre tivesse desaparecido completamente, e ento o intervalo acabara. Revigorada pela idia
de se juntar a frente de batalha, Sheba se apressou para voltar para a sua desgraa.

O baile estava em pleno andamento, e tudo estava desmoronando.
Celeste estava pontuando muito em seu jogo malicioso; ela se atribua um ponto para cada garota que estava chorando num canto do salo. Dois pontos para cada garoto
que desferia um soco em seu rival.
Por todo o salo, as sementes que Sheba plantara estavam florescendo. dio estava florescendo juntamente com a luxria, ira e desespero. Um jardim direto do inferno.
Sheba aproveitava tudo isso por detrs de um vaso de planta.
No, ela no poderia forar os humanos a fazerem nada. Eles tinham seu livre arbtrio inerente, ento ela s poderia seduzir, s poderia sugerir. Pequenas coisas
- saltos altos e costuras e grupos musculares menores- ela podia manipular fisicamente, mas ela nunca poderia forar as suas mentes. Eles tinham que escolher ouvir.
E hoje a noite, eles estavam ouvindo.
Ela estava com tudo, e ela no queria quaisquer pontas soltas, de modo que ela se voltou para o seu esquema mais ambicioso - Cooper estava flexvel devido  intoxicao,
pronto para o seu direcionamento - ela mandou seus pensamentos a procura atravs da multido daquelas pequenas e irritantes bolhas de felicidade.
 Ningum iria embora desse baile ileso. No enquanto Sheba tivesse alguma fasca em seu corpo.
Logo ali - o que era aquilo? Bryan Walker e Clara Hurst estavam encarando apaixonadamente os olhos um do outro totalmente indiferentes  ira e desespero e  m musica
ao redor deles, simplesmente aproveitando a companhia um do outro.
Sheba considerou suas opes e decidiu ter a interferncia de Celeste. Celeste deveria gostar daquilo - nada era mais demoniacamente divertido do que ostentar seu
poder na cara de um amor puro. Alm disso, Celeste escutou a cada sugesto que Sheba a alimentara, totalmente aceitvel para qualquer esquema demonaco.
Sheba continuou com sua avaliao antes de agir.
No muito longe dali, Sheba descobriu que ela deixara cair a bola de uma forma inescusvel. Aquele era o seu acompanhante, Logan, se divertindo? Impossvel.
Ento, ele havia encontrado sua Libby apesar de tudo e os dois estavam inaceitavelmente felizes. Pois bem, isso seria fcil de corrigir. Ela iria reivindicar seu
par de volta e botar Libby para correr em lgrimas. Amador e imaturo intervir pessoalmente...Ainda assim, melhor do que deixar a felicidade vencer at mesmo numa
pequena batalha.
A avaliao de Sheba estava quase pronta. Havia apenas mais um pequeno ponto de paz - num um casal dessa vez; era um garoto solitrio vagando pela na extremidade
final do salo, a partir do hall. Esse chato do Gabe Christensen.
Sheba fez uma careta em sua direo. O que ele tinha para poder ser feliz? Ele foi rejeitado e estava sozinho. O seu par foi o flagelo do baile. Um garoto normal
estaria cheio de raiva e dor agora. Mas ele insistia em dar mais trabalho para ela!
Sheba inspecionou a mente de Gabe mais de perto. Hmm. Gabe no estava realmente feliz. De fato, ele estava intensamente preocupado no momento, a procura de algum.
Celeste estava bastante visvel, se contorcendo numa msica lenta com Rob Carlton (Pamela Green assistia  exibio com os olhos chocados, desespero deliciosamente
escoando para a atmosfera ao seu redor), mas ela no era a fonte de preocupao de Gabe. Havia outro algum que ele queria encontrar.
Ento, ele no estava feliz - no foi essa a sensao que havia violado a atmosfera miservel de Sheba. Era pura bondade que transpirava de seu corpo.
At pior.
Sheba retirou-se detrs da planta e se livrou de seus pensamentos. Fumaa escapou de seu nariz. "Gabe."

Gabe balanou sua cabea ausentemente e continuou com a sua busca.
Ele esperou por meia hora enquanto multides de garotas saam do banheiro, rebanhos aps rebanhos.
Aqui e ali Gabe sentiu um fraco puxo, mas nada como aquela sufocante e raivosa necessidade daquela garota.
Quando trs grupos distintos entraram e saram, Gabe parou Jill Stein para perguntar sobre a garota.
"Cabelo preto e um vestido vermelho? No, eu no vi ningum assim l dentro. Eu acho que o banheiro est vazio."
A garota deve ter se esgueirado por ele de alguma forma.
Gabe tinha acabado de retornar para o salo, se remoendo pela garota misteriosa. Pelo menos Bryan e Clara e Logan e Libby estavam se divertindo. Isso era bom. O
resto da turma parecia estar tendo uma noite excepcionalmente desagradvel.
E ento, l estava outra vez. Gabe jogou a cabea para cima, sentindo o desespero que ele estava procurando. Onde ela estava?

Sheba silvou em frustrao. A mente do garoto era inteiramente sbria e fechada para a sua voz insidiosa. Bem, isso no iria det-la. Ela tinha outras armas.
"Celeste."
Estava na hora da garota malvada atormentar seu prprio par.
Sheba levemente pressionou Celeste, sugerindo esse caminho. Apesar de tudo, Gabe era atraente para os padres humanos. Certamente bom o bastante para Celeste, cujos
padres eram dificilmente rigorosos. Gabe era alto, sutilmente musculoso, com cabelo escuro e feies simtricas. Ele tinha plidos olhos azuis que Sheba pessoalmente
achava um tanto repulsivo - eles eram to decididamente no-amaldioados, quase celestiais, ugh! - mas que eram apelativos para as garotas mortais. Foi olhando para
aqueles olhos lmpidos que fez com que Celeste dissesse sim para esse convite de bom samaritano certinho.
Bom samaritano, certamente. Os olhos de Sheba se estreitaram. Gabe j esteve em sua lista antes dele insistir em negligenciar ela aqui no baile. Esse foi o mesmo
garoto que arruinou seus planos com o lascivo professor de matemtica - s uma pequena diverso pr-baile que Sheba arranjou no nterim da certificao de que todos
convidassem exatamente a pessoa errada para o baile. Se Gabe no tivesse confrontado o Sr. Reese num momento crtico de tentao... Sheba rangeu os dentes e fascas
cintilaram de suas orelhas. Ela teria arruinado o homem e tambm a garota inocente. No que o Sr. Reese tivesse muito para perder, mas seria um escndalo fantstico.
E agora o professor de matemtica estava sendo especialmente cuidadoso, sendo precavido por aqueles mesmos olhos azuis celeste. Sentindo-se at mesmo culpado. Considerando
terapia para seus problemas. Ugh!
Gabe Christensen devia a Sheba alguma desgraa. Ela iria cobrar sua dvida.
Sheba encarou Celeste, se perguntando o por qu da garota no ter feito nenhum movimento em direo ao seu acompanhante. Celeste ainda estava enrolada em Rob, aproveitando
a dor de Pamela. J chega de divertimento! Havia confuso para ser criada. Sheba sussurrou sugestes na mente de Celeste, a empurrando na direo de Gabe.
Celeste encolheu os ombros para longe de Rob e olhou de relance para Gabe, que ainda estava vasculhando a multido com seu olhar. Seus olhos castanhos se fixaram
nos olhos azuis dele por um segundo, e ento ela se moveu, se curvou na verdade, de volta para os braos de Rob.
Estranho. Os olhos claros de Gabe pareciam ser quase to repulsivos para a loira depravada como eram para Sheba.
Sheba se inclinou novamente, mas Celeste - pela primeira vez - a colocou para fora, tentando se distrair dos pensamentos de Gabe com os lbios ansiosos de Rob.
Frustrada, Sheba procurou ansiosamente por outro caminho para destruir o garoto irritante, mas ela foi interrompida por algo muito mais importante do que um ser
humano bom.
Cooper Silverdale simplesmente tremia de dio em um canto do salo, olhando furiosamente para Melissa e Tyson. Melissa tinha sua cabea apoiada no ombro de Tyson
e estava inconsciente do sorriso presunoso que Tyson direcionava a Cooper.
Era o momento da ao. Cooper estava considerando tomar outro copo de ponche para afogar suas mgoas, e ele estava a um passo de desmaiar para que Sheba permitisse
isso. Ela se focou nele, fumaa em suas orelhas, e Cooper percebeu estupidamente que aquele ponche verde era revoltante. Ele jogou seu copo meio vazio no cho e
tornou a olhar para Tyson.
Ela acha que sou pattico, disse a voz na cabea de Cooper. No, ela nem sequer pensa em mim. Mas eu posso fazer algo para que ela jamais seja capaz de me esquecer...
Sua cabea cheio de lcool, a mo de Cooper foi at as suas costas e comeou a afagar o tambor do revlver que estava por debaixo da sua jaqueta.
Sheba prendeu a respirao. Fascas voaram de seus orelhas.
E ento, nesse segundo vital, Sheba foi distrada pela percepo de que algum estava olhando fixamente para a sua prpria cara.

Aqui, no salo de festas, aquela mesma necessidade sufocante, o puxando - algum se afogando, gritando por socorro. Tinha que ser a mesma garota. Gabe nunca havia
sentido nada to urgente em sua vida.
Seus olhos varriam desesperadamente os casais no salo, mas ele no podia v-la. Ele passeou pelas beiradas do salo, procurando pelos rostos das pessoas nos cantos.
Ela tambm no estava l.
Ele viu Celeste com outro garoto, mas seus olhos no pararam. Se Celeste no reivindicasse logo por sua carona, no haveria nada o que ele pudesse fazer. Alguma
outra pessoa necessitava mais de Gabe.
A necessidade deu um puxo nele novamente, sacudindo-o com fora, e por um momento, Gabe se perguntou se ele estava ficando louco.Talvez ele s tenha imaginado a
garota do vestido impetuoso. Talvez essa sensao de necessidade frentica fosse apenas o incio de alguma desiluso.
Naquele momento, os olhos de Gabe encontraram o que estavam procurando.
Andando por perto da figura mal-humorada de Heath McKenzie, os olhos de Gabe se fecharam num minsculo, porm brilhante, lampejo vermelho. Ali estava ela - meio
escondida atrs de uma rvore de plstico, seus brincos cintilando como fascas novamente - a garota do vestido vermelho. Seus olhos negros, to profundos quanto
a piscina no qual ele a imaginava se afogando, se encontraram com os dele. A necessidade vibrante era uma aura que a cercava. Ele no teve que pensar sobre caminhar
na direo dela. No havia, provavelmente, nenhuma maneira de o fazer parar mesmo se ele quisesse.
Ele tinha certeza que nunca tinha visto essa garota antes desta noite; ela era uma completa estranha.
Seus escuros olhos amendoados eram compostos e cuidadosos, mas ao mesmo tempo gritavam por ele. Eram o foco da necessidade que ele sentiu. Ele no mais podia resistir
aos seus argumentos do que ele podia dizer a seu corao que parasse de bater.
Ela precisava dele.

Sheba assistia com descrena enquanto Gabe Christensen andava diretamente para ela. Ela viu seu prprio rosto na sua cabea e percebeu que a pessoa que Gabe estava
procurando era...Sheba.
Ela permitiu a breve distrao - sabia que Cooper j estava garantido, que alguns poucos minutos no iriam salva-lo - e exultou-se na deliciosa ironia. Ento Gabe
queria ser arruinado por Sheba pessoalmente? Bem, ela iria obrig-lo. Faria sua desgraa ficar ainda mais doce sabendo que ele havia escolhido por si mesmo. Ela
se endireitou em seu vestido de couro de "co do inferno" [11], deixando-o acariciar seu corpo sugestivamente. Ela sabia o qu qualquer humano macho sentiria quando
ele averiguasse este vestido.
[11] Hell Hound: co de trs cabeas que guarda os portes do inferno.
 Mas o garoto irritante estava focando em seus olhos.
Era perigoso olhar diretamente para os olhos de uma demnia. Humanos que no desviassem o olhar rpido o bastante poderiam ficar presos ali. E ento eles estavam
perdidos, ansiando pela demnia para sempre, queimando por ela...
Forando um sorriso, Sheba encontrou seu olhar, olhando fixamente para seus olhos cor do cu.
Humano idiota.

Gabe parou a alguns passos de distncia da menina, perto o bastante para que ele no precisasse gritar sobre a msica alta. Ele sabia que estava encarando-a atentamente
- ela pensaria que ele era rude, ou algum tipo de anormal. Mas ela o encarou de volta, to atentamente quanto, seus olhos profundos investigando os seus.
Ele abriu a boca para se apresentar, quando, de repente, a expresso cuidadosa da garota fundiu-se numa expresso de choque. Choque? Ou horror? Seus lbios plidos
se distanciaram, e ele ouviu um pequeno suspiro escapar por eles. Sua postura formal desmoronou, e ela comeou a desmaiar.
Gabe se jogou sobre ela e a pegou em seus braos antes que ela pudesse cair.

Os joelhos de Sheba curvaram-se quando seu fogo se extinguiu. Sua chama interna morreu, secou, apagado como uma vela pelo vcuo.
O salo no estava mais to frio, e ela no podia cheirar nada alm de suor, colnia, e o mofado ar condicionado. Ela no podia mais sentir o gosto delicioso das
misrias que ela havia criado. Ela no podia sentir nada alm da sua prpria boca seca.
Mas ela podia sentir os braos fortes de Gabe Christensen segurando-a.

O vestido da garota era macio e quente. Talvez esse fosse o problema, Gabe pensou enquanto a puxava para si. Talvez o calor do salo lotado fosse demais se combinado
com o seu vestido pesado. Ansiosamente, Gabe removeu o sedoso cabelo do rosto dela. Sua testa parecia fresca o bastante e sua pele macia no estava pegajosa de suor.
Enquanto isso, seus olhos chocados nunca oscilaram dos seus.
"Voc est bem? Consegue se levantar? Me desculpe, eu no sei seu nome."
"Estou bem," a garota disse numa voz baixa e ronronada. Apesar do ronronar, sua voz era to chocada quanto seus olhos. "Eu...Eu consigo me levantar."
Ela se endireitou, mas Gabe no a soltou. Ele no queria solt-la. E ela no estava se afastando. As pequenas mos dela rastejaram at descansarem nos ombros dele,
como se eles fossem danar.

 "Quem  voc?" ela perguntou numa voz rouca.
"Gabe- Gabriel Michael Christensen," ele elaborou com um sorriso. "E voc?"
"Sheba," ela disse, abrindo seus olhos escuros. "Sheba...Smith."
"Bem, ento voc gostaria de danar, Sheba Smith? Se voc estiver bem o suficiente."
"Sim," ela sussurrou, metade para si mesma. "Sim, porque no?"
Seus olhos nunca abandonando os dele.
No se movendo de onde estavam, Gabe e Sheba comearam a se balanar no ritmo de mais uma msica miservel. No entanto, a msica horrvel no ofendeu tanto a Gabe
desta vez.
Gabe, ento, juntou as peas. Garota nova. Vestido estupendo. Sheba. Esta era a acompanhante de Logan, aquela que o convidou para o baile e ento no quis mais saber
dele. Por um segundo, Gabe se preocupou se no era errado da parte dele roubar a acompanhante de seu amigo. Mas a preocupao passou rapidamente.
Por um lado porque Logan estava feliz com Libby. No havia sentido em interromper uma coisa que claramente estava destinada a acontecer.
Por outro porque Sheba e Logan definitivamente no tinham nada a ver um com outro.
Gabe sempre teve um bom instinto para isso - para personalidades que se combinavam, para naturezas compatveis que se harmonizavam perfeitamente. Ele tem sido o
alvo de muitas brincadeiras sobre ser cupido, mas ele no ligava. Gabe gostava de fazer as pessoas felizes.

E essa garota intensa com grande profundidade em seus olhos - Sheba - no combinava com Logan.
Aquela sensao desesperadora de necessidade havia se acalmado quando Gabe tocou nela. Gabe se sentia bem melhor com ela em seus braos - abraar ela parecia suavizar
o clamor. Aqui ela estava segura, no mais se afogando, no mais perdida. Gabe tinha medo de em solta-la, preocupando-se que a ardente necessidade voltasse.
Primeiramente, foi estranho para Gabe, essa sensao de estar exatamente no lugar certo, de ser o nico que devesse estar aqui. No  como se Gabe no tivesse tido
namoradas antes - garotas gostavam de Gabe, e ele teve muitos relacionamentos ocasionais. Mas eles nunca duravam. Sempre havia algum a quem elas pertencessem. Nenhuma
delas realmente precisava de Gabe, exceto como amigo. E eles sempre ficavam bons amigos.
Nunca havia sido como isso. Era aqui que Gabe pertencia? Protegendo essa garota magra, deixando-a segura seus braos?
Era idiota pensar to de forma to fatalista. Gabe tentou ao mximo parecer normal.
"Voc  nova em Red River, no ?" ele perguntou para ela.
"S estou aqui h algumas semanas," ela confirmou.
"Eu no acho que a gente tenha alguma aula juntos."
"No, eu me recordaria se j tivesse estado perto de voc antes."
Era uma maneira estranha de se dizer isso. Ela encarou seus olhos, suas mos abraando gentilmente seus ombros. Instintivamente, ele a puxou um pouco mais para perto.
"Voc est tendo uma boa noite?" ele perguntou.
Ela suspirou, um suspiro profundo do fundo do seu ser. "Estou tendo agora," ela disse, estranhamente triste. "Uma tima noite."

Pega! Como uma idiota, como um cozinho recm-nascido, uma novata, uma recruta!
Ela se recostou em Gabe, incapaz de resistir. Incapaz de querer resistir. Ela fitou seus olhos celestiais e teve o mais ridculo impulso de suspirar.
Como foi que ela no viu os sinais?
O modo como a prpria bondade o cercava como uma proteo. O modo como suas sugestes rebatiam dele inofensivamente. O modo como os nicos que estavam protegidos
da sua maldade hoje - aqueles pequenos pontos de felicidade que estavam fora de seu controle - eram aqueles que ele havia tocado e interagido, seus amigos.
S os olhos j deveriam ter sido aviso o suficiente!
Celeste era mais esperta que Sheba. Pelo menos seus instintos a haviam mantido longe desse garoto perigoso. Uma vez que ela havia escapado de seu olhar penetrante,
ela havia mantido uma distncia segura entre eles. Por que Sheba no compreendeu a razo por detrs disso? E a razo por Gabe ter escolhido Celeste para comeo de
conversa. Lgico que ele havia sido atrado at Celeste! Tudo fazia sentido agora.
Sheba se balanava no ritmo que ressoava pelo ar, sentindo a segurana de seu corpo ao redor do dela, protegendo-a. Pequenos e desconhecidos brotos de felicidade
traaram seu caminho por seu mago vazio.
No - no isso! No a felicidade!
Se ela j estava se sentindo feliz, ento coisas melhores no estariam muito longe. No haveria alguma forma de evitar o horrendo milagre do amor?
Provavelmente no haveria quando voc est nos braos de um anjo.
No um anjo legtimo. Gabe no tinha asas, ele nunca as teve - ele no era um daqueles cabeas de passarinho cheios de vida que haviam trocado suas asas e eternidade
por amor humano. Mas um de seus pais havia feito exatamente isso.
Gabe era um meio-anjo completo, embora ele no tivesse a mnima idia de sua natureza. Se ele tivesse alguma noo, Sheba teria escutado isso em sua mente e escaparia
de seu horror divino. Agora, simplesmente, era muito bvio para Sheba - de to perto, ela podia sentir o perfume de asfdelos[12] incrustado em sua pele. E, claramente,
ele havia herdado os olhos angelicais de tal pai. Os olhos celestiais no deveriam ser uma grande revelao, se Sheba no estivesse to entretida em seu prprio
plano demonaco.
[12] http://tinyurl.com/5wrq2e
Havia uma razo para que at demnios experientes como Jezebel fossem cuidadosos com anjos. Se era perigoso para humanos olharem fixamente para os olhos de um demnio,
isso valia em dobro para um demnio que era captado pelos olhos de um anjo. Se um demnio fitar o olhar de um anjo por muito tempo, pfffffft! - esvaiam-se o fogo
do inferno e o demnio ficava preso at que o anjo desistisse de salv-lo.
Porque era isso que os anjos faziam. Eles salvavam.
Sheba era um ser eterno, e ela estaria presa por todo o tempo que Gabe estivesse disposto a mant-la.
Um verdadeiro anjo teria descoberto quem era Sheba imediatamente, e a teria expulsado se fosse forte o suficiente, ou manteria distncia se no fosse. Mas Sheba
podia imaginar como sua presena seria sentida por algum com instinto de salvaguardar como Gabe. Inocente do conhecimento que ele precisaria para compreender, o
estado amaldioado de Sheba deve ter soado como uma sirene.
Ela encarou o belo rosto de Gabe desamparadamente, seu corpo se enchendo de felicidade, e se perguntou por quanto tempo demoraria a tortura.
J durava o bastante para poder salvar o seu baile perfeito.
Sem o seu fogo do inferno, Sheba no tinha nenhuma influncia sobre os humanos aqui. Mas ela ainda estava completamente ciente, observando inutilmente e repugnantemente
feliz, enquanto tudo isso desmoronava.
Cooper Silverdale ofegou com horror ao ver o revlver cintilando na sua mo trmula. No que ele estava pensando? Ele empurrou a arma de volta para o seu lugar secreto
e praticamente correu para o banheiro, onde ele violentamente vomitou o ponche na pia.
Os problemas estomacais de Cooper interrompeu a briga de Matt e Derek, que s estava comeando a esquentar no banheiro masculino. Os dois amigos se olharam atravs
de seus olhos inchados. Por que eles estavam brigando? Por uma garota que nenhum dos dois nem sequer gostavam? Que estupidez! De repente, eles estavam se interrompendo
com seus urgentes pedidos de desculpas. Com sorrisos nos seus lbios rachados e braos ao redor dos ombros, eles se dirigiram novamente para o salo de festas.
David Alvorado havia desistido de seus planos de tocaiar Heath depois do baile, porque Evie o havia perdoado por desaparecer com Celeste. Sua bochecha era macia
e quentinha contra a dele agora enquanto eles se balanavam com a msica romntica, e no havia jeito dele machuc-la novamente por desaparecer, por qualquer que
fosse o motivo.
David no era o nico a se sentir assim. Como se a nova msica fosse fascinante em vez de inspida, as pessoas que danavam no grande salo de baile moviam-se instintivamente
na direo da pessoa com a qual deveriam inicialmente ter vindo, com a qual transformaria a desgraa da noite em felicidade.
Treinador Lauder, sozinho e deprimido, olhou de seus biscoitos, nem um pouco apetitosos, diretamente para os olhos tristes da vice-diretora Frinkle. Ela tambm parecia
sozinha. O treinador andou em sua direo, sorrindo hesitantemente.
Balanando a cabea e piscando os olhos como se estivesse saindo de um pesadelo, Melissa Harris se afastou de Tyson e correu para a sada. Ela acharia o porteiro
e pegaria um txi...
Como uma faixa de borracha que foi muito esticada, a atmosfera do baile Reed River se recuperou novamente com uma vingana. Se Sheba fosse ela mesma, ela teria puxado
a borracha at que ela se partisse em pedacinhos. Mas agora, toda a misria e ira e dio desapareceram. As mentes humanas estiveram presas em seu domnio por muito
tempo. Com alvio, todos no baile relaxaram na felicidade, agarrados no amor com as duas mos.
At mesmo Celeste estava cansada da desordem. Ela permaneceu nos braos de Rob, estremecendo levemente pela memria daqueles perfeitos olhos azuis, enquanto uma
msica lenta se fundia na prxima.
Nem Sheba nem Gabe ao mesmo repararam na troca de msica.
Toda a sua deliciosa dor e desgraa destrudas! Mesmo se ela se libertasse, Sheba estava destinada ao ensino mdio agora. Cad a injustia?!
E Jezebel! Teria ela planejado isso? Tentado distrair Sheba do fato que havia um perigoso meio-anjo aqui esta noite? Ou ela estaria desapontada? Ela realmente esteve
l para encorajar? No havia maneira de Sheba descobrir. Ela no seria capaz de ver Jezebel agora - se a demnia estava rindo ou decepcionada - com os seus fogos
extintos.
Enojada consigo mesma, Sheba suspirou em felicidade.
Gabe simplesmente era muito bom. E, em seus braos, ela se sentiu boa, tambm. Ela se sentiu maravilhosa.
Sheba realmente tinha que se libertar antes que a felicidade e o amor a arruinassem. Ser que ela estaria presa com a prole celestial de um alado para sempre?
Gabe sorriu para ela, e ela suspirou novamente.
Sheba sabia o que Gabe estaria sentindo agora. Os anjos nunca eram mais felizes do que quando eles faziam outras pessoas felizes, e quanto maior fosse o levantamento
de astral dessa pessoa, mais empolgado ficava o anjo. No importando o quanto miservel e amaldioada Sheba tenha sido, Gabe deveria estar voando agora - seria quase
to bom quanto ter asas. Ele nunca a deixaria ir.
S restava uma chance para Sheba, s uma forma de poder voltar para a sua desprezvel, miservel, quente e fedorenta casa.
Gabe tinha que mand-la para l.
Pensando nessa possibilidade, Sheba se sentiu muito pior, sentiu uma onda de boas-vindas da sua antiga infelicidade. Gabe apertou o seu abrao ao redor dela como
se ele tivesse percebido sua decada, e o sofrimento foi afogado no contentamento, mas Sheba permaneceu esperanosa.
Ela encarou seus olhos angelicais amorosos e sorriu sonhadoramente.
Voc  o mau encarnado, Sheba disse para si mesma. Voc tem um talento natural para a desgraa. Voc conhece o sofrimento de cor e salteado.
Voc consegue se tirar dessa armadilha e tudo vai voltar a ser como costumava ser.
Afinal, com toda a dor e caos que Sheba era capaz de causar, quo difcil deveria ser fazer com que esse garoto angelical a mandasse ir para o inferno?



FIM

Crditos:
Comunidade Tradues de Livros (http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=25399156)
